GNV: 7 verdades e 2 mitos sobre sobre o Gás Natural Veicular

Com instalação e manutenção realizadas em oficinas homologadas, o carro com GNV não corre riscos; gás não vale a pena para todos os motoristas

Por Laurie Andrade24/09/18 às 12h02

Com a constante alta dos combustíveis, os motoristas começam a estudar possibilidades de economizar. Há quem pegue carona com o vizinho, quem recorra aos aplicativos ou resolva adaptar o carro para utilizar o Gás Natural Veicular (GNV). Bom, nem sempre essas escolhas valem a pena. Listamos alguns mitos e verdades sobre o GNV.

1. O GNV é sempre mais barato – Mito!

Essa não é uma afirmação simples. O preço do metro cúbico (m³) do gás é mais barato do que o litro dos demais combustíveis. Mas o motorista deve considerar outros gastos quando resolve instalar o GNV. Colocar um kit tem um custo médio de R$ 2.800 (para os kits de 2ª e 3ª geração – em veículos fabricados até 2007) e cerca de R$ 5 mil para os kits de 5ª geração, com injeção eletrônica de gás natural (veículos fabricados depois de 2007).

É possível observar, na tabela abaixo, o valor médio do GNV no Brasil e compará-lo aos preços dos outros combustíveis:

Combustível Valor em R$
GNV 2,85
Gasolina 4,65
Diesel  3,64
Diesel S10  3,71
Etanol 2,83

Os dados são da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e foram calculados na última semana (de 16 de setembro a 22 de setembro de 2018).

O GNV rende, de acordo com a Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig), até 60% a mais do que a gasolina, se considerarmos o sistema mais moderno, de quinta geração.

Você pode calcular se o GNV faz sentido para você utilizando o simulador de economia da Gasmig. Para saber o valor do Gás Natural Veicular na sua região, leia a tabela:

Região do Brasil  Valor em R$ por m³
Centro-oeste 2,73
Nordeste 3,07
Sudeste 2,72
Sul 2,85

* A ANP não apresentou, na última semana, o preço médio do GNV na região norte.

Um motorista brasileiro (considerando o valor médio dos combustíveis apurado pela ANP) que anda 3.000 km por mês em um carro que faz 8 km/l com gasolina tem um custo de R$ 0,58/km com gasolina e R$ 0,29/km com GNV. Entretanto, essa é uma média de quilometragem alcançada, em geral, por veículos utilizados profissionalmente, como táxis. Em um ano, a economia representa R$ 10.561, mais do que o valor da instalação de um Kit GNV.

Na verdade, a média mensal de um carro particular é de cerca de 1.000 quilômetros por mês e, portanto, as contas são bem diferentes. A economia total gira em torno de R$ 3.520. Nesse caso, serão necessários pelo menos 18 meses para se ter o retorno do investimento com o Kit. É importante lembrar que além da instalação, outros gastos também estão ligados ao GNV, como as revisões do cilindro, a mão de obra e o registro no Detran (falamos mais sobre esse item abaixo).

2. O carro com GNV pode explodir em um acidente – Mito!

Se a instalação do kit GNV for feita de acordo com as normas, não há risco de explosão – ou combustão, se considerarmos o termo técnico correto. Quem garante é o diretor de combustíveis da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), Rogério Gonçalves. É preciso, no entanto, manter a manutenção em dia tanto no veículo quanto nos postos de combustíveis que oferecem o GNV.

Para sua segurança, observe se o cilindro a ser instalado é de aço e não tem soldas. Realize o “reteste” do cilindro a cada cinco anos. Ao notar qualquer defeito ou vazamento, leve o veículo à instaladora homologada.

De acordo com engenheiro Luís Henrique Verginelli, os acidentes que envolvem carros a gás estão ligados a modificações realizadas sem conformidade com a lei ou a norma vigente. “O combustível (GNV) e o sistema são seguros”, garante. “Se houver um vazamento, o gás se dissipa no ar e não coloca em risco os ocupantes dos automóveis”.

Quando se registra uma explosão durante o abastecimento, o dono do carro, em geral, adaptou um botijão de gás de cozinha, que não resiste à pressão do GNV.

Ainda segundo o especialista, o sistema de GNV tem cerca de oito dispositivos de segurança. Na válvula do cilindro, quatro dispositivos estão presentes controlando o comportamento do gás em casos de excesso de pressão, excesso de temperatura ou excesso de fluxo. O dispositivo bloqueia um vazamento grande. Quando o cilindro é exposto a 108°C, começa a dissipar o gás para que o sistema não entre em combustão.

Com a alta abusiva dos combustíveis líquidos, a procura pelo Gás Natural (GNV) tem aumentado. Desvendamos os mitos e verdades para ajudar os motoristas a decidirem se a adaptação é ou não uma boa ideia.
Foto Fiat Chrysler | Divulgação

1. É preciso manter o tanque com um pouco de combustível líquido – Verdade!

Para garantir o funcionamento perfeito do carro e evitar danos ao sistema de injeção eletrônica de combustível líquido do veículo, é preciso manter um pouco de gasolina ou etanol no tanque. O reservatório de partida a frio também deve ser mantido com gasolina.

O diretor de combustíveis da AEA afirma que “os sistemas mais modernos de injeção de gás, que já saem instalados de fábrica, têm uma pequena injeção de combustível líquido contínua. Isso para manter o sistema de alimentação lubrificado e a limpeza de válvulas em dia. O especialista acrescenta “o combustível batendo em cima da válvula provoca limpeza. Para que isso seja feito com mais eficiência, o ideal é utilizar a gasolina aditivada. Sem o combustível líquido, o desgaste na sede de válvula é mais intenso”.

O número de postos que oferecem o gás natural é menor do que os que oferecem combustíveis líquidos. Por prevenção, é melhor garantir uma reserva de gasolina ou etanol no tanque.

2. O GNV estraga o motor do carro – meia verdade!

A adequação de combustível para o gás natural não se trata, como dizem, de uma “conversão” para o GNV. Isso porque o motor continua operando também com etanol ou gasolina. No entanto, essa adaptação pode causar alguns inconvenientes. “O motor dos automóveis que funcionam com gás podem ter problemas a longo prazo, por não terem, com a frequência esperada, a limpeza da válvula já citada. Uma recomendação importante é trocar o óleo lubrificante no intervalo adequado para garantir que a parte baixa do motor esteja protegida”, conclui Rogério Gonçalves.

O engenheiro Luís Henrique Verginelli discorda e argumenta que o gás natural é inerte e não afeta nenhum tipo de metal. A combustão errada, por outro lado, pode estragar o equipamento.

3. O motor perde um pouco da sua potência – Verdade!

Os especialistas explicam que um conjunto de fatores faz com que o motor do carro perca potência com a instalação do Kit Gás. O principal deles é que os motores convencionais não foram projetados para aproveitar a combustão do GNV. Ou seja, eles não são otimizados para esse combustível.

4. A instalação do GNV altera o valor e o ressarcimento do seguro – Verdade!

De acordo com o professor da Escola Nacional de Seguros, José Varanda, “qualquer alteração no carro deve ser comunicada à companhia de seguros. A negativa do sinistro pode ocorrer se um incidente for causado por um componente adicionado depois da vistoria”. A mudança afeta também o preço do seguro. Isso porque pode agregar valor ao veículo ou deixá-lo mais propenso a roubos e a acidentes.

É preciso fazer a instalação em uma empresa homologada pelo Inmetro, caso contrário, o carro e o dono podem ser enquadrados no artigo 768 do Código Civil, que afirma que “o segurado perderá o direito à garantia se agravar intencionalmente o risco objeto do contrato”.

5. É preciso registrar, no Departamento de Trânsito (Detran) de seu estado, a instalação do Kit GNV – Verdade!

Para que o seu veículo movido a gás esteja em conformidade com as leis estaduais, a instalação do Kit deve ser realizada em uma empresa credenciadas pelo Inmetro. Depois do carro ser convertido, precisa ser levado para um Organismo de Inspeção Acreditado (OIA), também validado pelo órgão. Veja a lista dos IOAs no site do Inmetro.

O Certificado de Homologação, a Nota Fiscal da realização do serviço de conversão, a Nota Fiscal do kit GNV, a Nota Fiscal do Cilindro ou Nota Fiscal do reteste e o Atestado de Qualidade do Instalador Registrado para obter o Certificado de Segurança Veicular (CSV) devem ser apresentados para fazer o registro da alteração de combustível junto ao Detran estadual.

6. O GNV faz menos mal para a saúde do que outros combustíveis – Verdade!

Os combustíveis derivados do petróleo e da cana-de-açúcar emitem gases nocivos ao meio ambiente e ao ser humano. O gás natural não foge a essa regra. No entanto, a emissão de CO2 do GNV é 20% menor do que o da gasolina e do óleo diesel. A combustão do Gás Natural não produz óxido de enxofre e nem particulados.

Com a alta abusiva dos combustíveis líquidos, a procura pelo Gás Natural (GNV) tem aumentado. Desvendamos os mitos e verdades para ajudar os motoristas a decidirem se a adaptação é ou não uma boa ideia.
Foto Gasmig | Divulgação

7. É mais difícil adulterar o GNV do que os combustíveis líquidos – Verdade!

As análises de qualidade do gás natural são efetuadas antes da sua distribuição. Na Resolução nº 16, de 17/6/2008 da ANP, está previsto o envio de dados de análise da qualidade do gás natural realizadas tanto pelo carregador como pelo transportador. Luís Henrique acrescenta: “para adulterar o GNV, o posto teria que instalar um novo compressor para adicionar ar ao gás. É inviável”.

Originalmente publicada em 21 de junho de 2018

24 Comentários

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  • Carlos 14 de dezembro de 2018

    Só acrescentando mais uma informação na matéria: A tão comum adulteração de combustíveis aqui no Brasil, no caso do GNV, somente no quesito quantitativo, isto é, o posto de abastecimento adulterar a bomba e marcar mais metros cúbicos que o efetivamente entram no cilindro. Adulteração no gás, isto é, qualitativa, misturar com ar comprimido de um compressor “escondido” é IMPOSSÍVEL pois o ar, que tem oxigênio (comburente) + gás (combustível) + pressão ocorre uma imediata e fortíssima explosão.

  • Daniel Silva 4 de dezembro de 2018

    Tive um celta 03, com gnv 3 geração e nunca me deu problemas.
    Agora tenho um cobalt 13, com gnv 5 geração, este me dá muita dor de cabeça.
    Recomendo o 3 geração para qualquer carro!

  • JORGE LUIZ VIEIRA ROCHA 28 de novembro de 2018

    Tenho um Ford k 2018,1.5, o GNV e aprovado pra esse tipo de carro é táxi em Salvador.

  • Neilton Lindoso 12 de outubro de 2018

    Tenho um gol 2012 / 2012 Flex modelo G5 1.0 de 76cv, e gostaria de saber se realmente não vale apena usar o gás gnv por causa do rendimento do motor. Sendo que eu trabalho fazendo uber

    • Lucas 15 de outubro de 2018

      Não vale a pena… Seu carro já é fraco, vai ficar mais pesado por conta do KIT, tem que trocar as molas traseiras, e vai ficar arrastando no trânsito. A famosa economia porca, ainda mais pra rodar no Uber, que já paga mixaria pro motorista… Melhor trocar de serviço.

      • Maldoso 15 de novembro de 2018

        Opinião com cara de recalque de taxista

      • tecel 4 de dezembro de 2018

        Grande m.. está resposta sua!
        Afinal vc tem carro 1.0 e tbm tem condições de pagar 4,5K pra fazer uma boa instalação com acessórios de boa qualidade?
        Cara quanta ignorância!
        Que resposta mais idiota que vc deu pro rapaz…
        Se orienta!
        Quem quer carro pra correr e apostar corridas vá pra uma pista de fórmula 1.
        Se liga na visão

    • Rafael Niehues 19 de outubro de 2018

      Vale muito a pena, converti meu fiesta rocam 2011 1.0 para gnv, Geração 5 custou 4.600 tinha a mesma duvida do rapaz acima, funcionou muito bem, perca de potencia quase Zero nesse gas injetado, ótimo, vai embora, ando na BR101 todo dia aprox. 60km nota 10 e nao precisa trocar a mola traseira, dois cilindros de 7,5 pesam 70kilos, é o peso de uma pessoa normal atras, muita gente faalando bobagem, se rodar corretamente é a melhor coisa!

    • tecel 4 de dezembro de 2018

      Cara vale apena sim!
      Tenho um sandeiro 1.0, e pensava a mesma coisa que vc.
      Mas instalei um kit de 5° geração e to feliz da vida.
      IPVA abaixará, tô andando mais com menos e a perda de potência pra mim foi mínima, pois não quero um carro pra apostar corrida …

  • Lara Lima 12 de outubro de 2018

    Sugerimos inserir a matéria no nosso VirtusClube – https://plus.google.com/communities/118187122088617333116?sqinv=amtiYzlHQ0twQS04Z2h1WEduM25DZ3FWQjhNcHF3
    Grata

  • walter santarem da silva 1 de julho de 2018

    boa tarde por favor tenho um idea 2012 com gas veicular sempre o gas me da problema sempre apitando e mostrando que falta gas e vou ate um posto e coloco gas e rodo pouco e acusa falta de gas ja fui duas vezes ao local onde instala o gas e por favor estou querendo retirar o gas pois rodo somente para trabalhar e passeios entao gostaria de pedir sua opiniao o carro ja tem 380.000 mil km rodados….obrig

    • André Almeida
      André Almeida 3 de julho de 2018

      O gás veicular só vale muito a pena quando se roda muito com o carro. Como o seu carro já está com uma quilometragem alta, de repente vale mais você vender o carro para não tomar prejuízo com a retirada do kit já instalado.

      • Rui Sérgio 20 de agosto de 2018

        Verifique se a convertedora é homologada, tenho GNV a mais de 10 anos nunca tive problemas

  • Carlos Faria 23 de junho de 2018

    Uso gnv a pelo menos 15 anos. Nunca tive problemas no motor por causa do gnv. Recomendo a instalação do kit, pois a economia é muito grande.

  • José Carlos 23 de junho de 2018

    Tenho carro movido a GNV desde 92 e nunca tive problema com o combustível nem com descaste de componentes do motor. Uso sempre o óleo indicado pelo fabricante e procedo as trocas de acordo com o recomendado. Sou taxista em SP/SP, troco de carro somente de cinco em cinco anos, período em que rodo na faixa de 300.000 KM, e nesse tempo tem sido necessária a troca dos bicos ejetores do gás. Minha opinião é de que, para quem roda muito, vale muito a pena, uma vez que, em cinco anos, a economia é bastante significativa.

  • Cleyson lima Oliveira 22 de junho de 2018

    Muito bom. aprendi muitas coisas boas..

  • Emerson 22 de junho de 2018

    No Paraná o IPVA para carros com GNV é de 1% do valor do automóvel, o mesmo carro sem GNV paga 3,5 %. Dependendo do carro já paga o kit !

  • Adimar Ferreira de jesus 22 de junho de 2018

    Vou pagar as taxas de licenciamento esta semana devo fazer a inspeção

  • Antonio Ricardo da Silva MOUTINHO 22 de junho de 2018

    Foi muito útil está informação.

  • Alexandro Oliveira Feitosa 21 de junho de 2018

    Foi muito aproveitável as informações, gostei muito.

  • Fabio 21 de junho de 2018

    Na minha opinião é mito estragar o motor do carro

    Tenho um prisma com GNV ano 2010 comigo 6 anos o motor está com 213.000 km rodados originais e nunca baixou óleo e nunca deu problema no motor , sempre mantive a revisão tudo certo carro sempre em dia é como qualquer carro se não cuida estraga mesmo

    • Marco 22 de junho de 2018

      Na verdade, os motores GM principalmente as evoluções tecnológicas oriundas do OHC Monza/Kadett, são famosos por rodarem altas kms sem precisar de retífica, são perfeitos para GNV, no seu caso se tratando do 1.4 econoflex ou 1.0 VHC, nadse surpreendente. Agora não há como aplicar a regra nas dais marcas e motores, o canal da High Torque no YouTube explica com mais detalhes!

  • Romilso 21 de junho de 2018

    A suspensão da vistoria anual vale para os cariocas também.?

  • alline 21 de junho de 2018

    Tem Estados Como o Paraná que carros gnv pagam 1% do valor do IPVA enquanto os veículos convencionais pagam 3.5% do valor da Fipe.

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