GTA 6 promete intensificar vínculo do jogador com o carro

Vazamentos indicam que roubar um carro em GTA 6 ficará mais complexo e muitas vezes se tornar um problemão para o jogador

GTA 6 CAPA
GTA se inspirou em modelos reais para construir uma gigantesca coleção de automóveis ao longo de 30 anos (Foto: Rockstar Games | Divulgação)
Por Marcelo Jabulas
Publicado em 27/08/2026 às 16h00

O novo trailer de Grand Theft Auto 6 está disponível e, mais uma vez, colocou a franquia no centro da Internet. A nova produção chega 13 anos depois de GTA 5, um dos títulos mais rentáveis da indústria dos games. O sucesso da série tem muitas explicações: enredos construídos com linguagem cinematográfica, cidades abertas para exploração, sátira social e liberdade para transgredir praticamente todas as regras estabelecidas pelo jogo, ou melhor, pelo convívio social.

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Mas, como o próprio nome indica, há um elemento que acompanha Grand Theft Auto desde o início: o automóvel. E é justamente nessa área que GTA 6 pode trazer uma das maiores mudanças da história da franquia. Vazamentos e informações não confirmadas oficialmente pela Rockstar Games indicam que os carros poderão deixar de ser apenas meios de transporte descartáveis para assumir uma função mais persistente dentro do jogo.

Bandidagem motorizada

GTA 1997
Desde o primeiro título, o automóvel é fundamental para o desenvolvimento da campanha (Foto: Rockstar Games | Divulgação)

Tudo começou há quase 30 anos, em 1997, com o primeiro Grand Theft Auto. O jogador tinha liberdade para roubar veículos e circular pelas cidades, ainda vistas de cima, no sistema conhecido como top view. Já naquele momento existia uma variedade de automóveis, mas, para evitar os custos e problemas relacionados ao licenciamento, a então DMA Design Limited, hoje Rockstar North, criou marcas e modelos fictícios.

Os carros virtuais eram inspirados em veículos conhecidos. Ao longo da série surgiram referências a modelos como Dodge Viper, Volkswagen Fusca, Jeep Wrangler, Lamborghini Diablo e diversos outros. O uso de marcas próprias, como Bravado, Declasse, Vapid, Pfister, Grotti e Pegassi, permitiu à franquia criar um universo automobilístico próprio, mas facilmente reconhecível pelos jogadores.

Os carros de GTA

GTA 3
GTA 3 revolucionou a franquia ao colocar o game em perspectiva de terceira pessoa, com melhoria na jogabilidade e pilotagem dos carros (Foto: Rockstar Games | Divulgação)

A transformação veio em 2001, com a publicação de GTA 3. A mudança da visão superior para a perspectiva em terceira pessoa revolucionou a série e transformou a relação com o ambiente. Se nos primeiros jogos a atividade principal era roubar carros e escapar pela cidade, o novo formato ampliou a quantidade de missões e situações disponíveis.

Assassinatos, extorsões, sabotagens, cafetinagem, guerras de gangues, tráfico e diferentes tipos de atividades ilegais passaram a fazer parte do cotidiano dos protagonistas. E, naturalmente, grande parte dessas ações acontecia a bordo de automóveis. O carro deixou de ser apenas o objeto central da proposta original para se tornar uma ferramenta para deslocamento, perseguição, fuga e execução das missões.

Uma das características de GTA sempre foi a convivência entre veículos comuns e automóveis de alto desempenho. Nas ruas, o jogador pode encontrar sedãs, peruas familiares, furgões lentos, utilitários, picapes e caminhões, ao mesmo tempo em que modelos inspirados em carros esportivos e superesportivos estão disponíveis.

GTA STALLION
O Stallion é um muscle car inspirado no Oldsmobile Cutlass e figura desde de GTA 3 na franquia (Foto: Rockstar Games | Divulgação)

Ao longo dos episódios surgiram carros como Cheetah, inspirado em modelos da Ferrari; Infernus, associado a referências da Lamborghini; Stinger, com elementos do Corvette C3; Comet, inspirado no Porsche 911; e Banshee, um dos esportivos mais tradicionais da franquia, associado desde os primeiros jogos ao Dodge Viper. Muitos desses modelos evoluíram visualmente ao longo dos capítulos, acompanhando mudanças nas referências do mercado automobilístico real.

Personalização e ganho de desempenho

Em GTA: San Andreas, de 2004, os automóveis ganharam uma nova camada de importância. O jogo passou a permitir modificações com novas rodas, pinturas, spoilers, escapamentos e outros componentes. A personalização não era apenas visual e aproximava a franquia da cultura automotiva.

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Customizar carros se tornou corriqueiro na desde San Andreas, em que era possível melhorar inclusive o desempenho dos automóveis (Foto: Rockstar Games | Divulgação)

Esse sistema evoluiu em GTA 4 e, principalmente, em GTA 5. As oficinas passaram a oferecer alterações estéticas e mecânicas, permitindo melhorar aceleração, velocidade, suspensão e outros aspectos. Pneus à prova de balas, por exemplo, passaram a ter utilidade direta durante perseguições e fugas. O carro escolhido pelo jogador também poderia ser preparado para diferentes situações.

GTA 5 avançou ainda na forma como os veículos eram vistos. O jogo permitiu a condução em primeira pessoa, com o jogador podendo observar painéis, bancos e outros detalhes do interior. Não era apenas uma mudança de câmera. O recurso reforçava a sensação de estar dentro do automóvel e ajudava a transformar a condução em uma experiência mais próxima de um simulador, embora a física da franquia continuasse voltada para a diversão e não para a reprodução exata do comportamento de um carro.

A câmera cinematográfica deu um aspecto de cinema à condução, mesmo sendo impossível controlar corretamente o carro, com diferentes ângulos de visão. Além disso, também passou a ser possível montar uma garagem exclusiva. No modo online é possível adquirir imóveis para guardar os carro roubados e até mesmo fazer seguro deles.

Carro como na vida real

trailer gta 6
Modelos conhecidos apareceram no primeiro trailer de GTA 6 (Foto: Rockstar Games | Divulgação)

Para GTA 6, a Rockstar parece preparar uma nova evolução. Vazamentos recentes apontam para sistemas que podem aumentar o realismo e, principalmente, criar consequências mais duradouras para o uso dos automóveis. Um dos recursos mais comentados é o possível sistema de combustível. Indicadores observados em materiais associados ao jogo sugerem que os carros poderão precisar ser abastecidos.

Caso a funcionalidade esteja na versão final, o combustível acrescentará uma variável inexistente nos capítulos anteriores. Um carro roubado poderia não ser útil apenas porque é rápido ou resistente: seria necessário considerar também a quantidade de gasolina disponível e a possibilidade de encontrar um posto durante uma fuga.

Abastecimento não seria uma primazia de GTA 6. Em Mafia, os carros podem sofrer pane seca e deixar o personagem na mão. Outro título de mundo aberto que também exigia ficar atento ao marcador é Mad Max. Na aventura distópica, inspirada no franquia cinematográfica, combustível é algo escasso e faz todo sentido no game.

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Em Mad Max, jogador deve ficar atento ao nível de combustível para não ficar parado na Terra Devastada (Foto: WB Games | Divulgação)

Outra mudança seria a forma de roubar veículos. Há indicações de que carros estacionados poderão exigir métodos específicos para serem abertos ou ligados, incluindo interações relacionadas a chaves e sistemas de ignição. Isso tornaria o roubo de um automóvel uma ação mais elaborada do que simplesmente entrar no veículo e partir.

Os vazamentos também apontam para uma evolução do sistema policial. Câmeras de trânsito e recursos de rastreamento poderiam ajudar a polícia a identificar veículos roubados. Dessa forma, escapar não dependeria apenas de deixar a área onde ocorreu o crime. O carro utilizado também poderia se transformar em uma pista.

Ação e reação

A simples troca de cor da carroceria, recurso utilizado nos jogos anteriores para reduzir o nível de procura, talvez não seja mais suficiente. Informações não confirmadas sugerem que o jogador poderá precisar modificar ou clonar placas para dificultar a identificação. Se esse sistema for confirmado, o automóvel passará a carregar uma espécie de identidade dentro do mundo de GTA 6.

trailer gta 6 bravado banshee
A expectativa é que carros roubados possam ser monitorados por câmeras de segurança, dificultando a vida do jogador (Foto: Rockstar Games | Divulgação)

O porta-malas também poderá ganhar uma função prática. Em vez de ser apenas uma parte da carroceria, o compartimento pode funcionar como espaço para armazenar armas e equipamentos. Isso faria com que o jogador tivesse uma relação mais persistente com determinados veículos, já que abandonar um carro poderia significar também deixar para trás itens importantes.

Há ainda indícios de que os proprietários dos carros terão reações mais variadas durante um roubo. Alguns NPCs poderão resistir ao carjacking, transformando uma ação comum da franquia em uma situação com diferentes desdobramentos. Danos mecânicos e o estado do veículo também podem receber maior atenção.

E é justamente esse tipo de detalhe que ajuda a explicar a expectativa em torno de GTA 6. Mesmo com uma temática em torno do banditismo, é uma franquia que a cada episódio busca se assemelhar cada vez mais com a vida real (e suas consequências).

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