Honda City 2027: confiabilidade é o principal atributo do japonês

Com preços entre R$ 117.700 e R$ 156.400 dupla de compactos da Honda tem como principal atributo o lastro do emblema e a segurança do motor quatro cilindros

Honda City Hatchback Touring 2027 cinza frente em movimento (3)
Honda City 2027 ganhou visual atualizado e mais conteúdos nas versões intermediárias (Foto: Honda | Divulgação)
Por Marcelo Jabulas
Publicado em 03/11/2026 às 15h00

A Honda lançou a linha 2027 do City, em suas carrocerias hatch e sedã, com preços que iniciam em R$ 117.700 e se elevam a até R$ 156.400. São valores que colocam os compactos japoneses na faixa mais aquecida do mercado.

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Nesse degrau de preços há de tudo: SUVs de entrada, SUVs compactos, picapes leves, compactos elétricos, sedãs compactos e até mesmo SUVs médios em ações promocionais. Diante de tantas possibilidades o City precisa se apegar em argumentos fortes para driblar a concorrência.

Honda City sedan Touring 2027 branco frente em movimento (4)
Motor 1.5 de 126 cv está longe de fazer dele atleta, mas entrega bom comportamento e consumo comedido (Foto: Honda | Divulgação)

O principal atributo está no lastro da marca. A Honda tem um grande apelo comercial que combina confiabilidade de marca, mecânica atestada, liquidez de mercado e baixa desvalorização (que hoje a turma do marketing chama de “custo residual”). Tudo isso faz de um Honda um objeto de desejo, uma imagem que tem sido construída há mais de 35 anos, desde a abertura das importações.

De certa forma, a marca alcançou um patamar de qualidade superior às demais fabricantes generalistas e se posicionou um degrau abaixo das premiums alemãs. Acontece que os chineses também elevaram de status. Deixaram de ser carros baratos de qualidade duvidosa e atingiram um padrão de sofisticação que não deixa nada a dever aos premiums do Velho Mundo.

Apesar do sacolejo na “pirâmide social” do automóvel, e do ganho de participação das chinesas, a Honda se manteve estável no varejo brasileiro e não precisou alterar seu planejamento de produção e política de preços. Pelo contrário, enquanto muitas marcas perderam terreno diante do avanço mandarim, a Honda tem anotado crescimento de vendas.

Honda City 2027 linha completa Hatch e Sedan Touring e Hatch RS (3)
Num mercado dominados por SUVs, os bons argumentos do City em suas variações acabam ofuscadas (Foto: Honda | Divulgação)

De janeiro a setembro, a marca licenciou 82.634 unidades, contra 73.570 do mesmo período de 2025. Uma alta de pouco mais de 12%, bem acima dos 8% do total do mercado. A participação, claro, encolheu de 4,07% para 3,83%, no mesmo período. Mas praticamente todas as marcas “tradicionais” viram suas fatias de mercado serem abocanhadas pelo avanço de novos concorrentes que se consolidaram como BYD, GWM, GAC, Geely e Omoda & Jaecoo.

Assim, a Honda segue sua rota no varejo brasileiro, sem grandes sobressaltos, apoiada da fidelidade de sua clientela cativa, que não se abala em pagar o preço cobrado pelo emblema do H, pois sabe muito bem o que está levando para a casa.

Ao volante do Honda City

O City 2027 não difere em nada das demais linhas da geração atual. O modelo é oferecido com apenas um conjunto mecânico. Ele utiliza o motor 1.5 VVTI de 126 cv e 15,8 kgfm de torque. A unidade é combinada com transmissão do tipo CVT. Trata-se do mesmo conjunto oferecido para sedã, hatch, assim como nos SUVs WR-V e HR-V (este nas opções de entrada). Trata-se de um conjunto que atende muito bem o perfil de consumidor que ainda vê com desconfiança motores turbo de três cilindros, ou unidades eletrificadas.

Honda City Hatchback RS 2027 vermehlo lateral em movimento
Versão RS tem apenas acabamento esportivo, mas compartilha o mesmo conjunto mecânico, acerto de suspensão do restante da linha, além dos equipamentos das versões Touring (Foto: Honda | Divulgação)

E com esse motor, o comportamento do City não surpreende, mas também não desabona. A oferta de torque e potência garantem boa desenvoltura na cidade e na estrada. Claro que, por ser aspirado, o pico de torque aparece em faixas de rotação elevadas, acima do 4.000 rpm.

Mas a vantagem é que a caixa ajusta as relações de forma muito rápida e eleva o giro imediatamente. Isso se traduz em retomadas rápidas e ultrapassagens seguras. Mas é claro, que não tem o impulso de um motor turbo.

Mas o comportamento padrão do City é como em qualquer Honda, um carro equilibrado e suave, sem solavancos. A suspensão tem excelente calibração: firme nas curvas e ao mesmo tempo absorve irregularidades do piso.

Consumo do City 2027

Os números do Inmetro, indicam um consumo bastante satisfatório, o City Sedan registra 9,1 km/l na cidade e 10,8 km/l na estrada com etanol. Com gasolina, são 12,9 km/l e 15,3 km/l, na ordem.

Conteúdos dos City Hatchback e Sedan

Já o pacote de conteúdos escala desde as versões LX até Touring, assim como a RS (exclusiva do hatch). Todas as versões contam climatização digital, direção elétrica, multimídia (com conexão sem fio para Android Auto e Apple CarPlay).

Honda City Sedan Touring 2027 interior painel
O City é um carro bem equipado em todas as versões, mas nas opções Touring e RS, ele conta com multimídia de 10 polegadas e funções avançadas do sistema Honda Sensing (Foto: Honda | Divulgação)

O sistema de assistência a condução Honda Sensing passa a ser de série desde a versão EX. E na topo de linha Touring (e RS), passa a contar a função Low Speed Follow, ao controle de cruzeiro adaptativo (ACC), que mantém o controle da aceleração mesmo em velocidades inferiores a 32 km/h.

O acabamento do City chama atenção pela qualidade dos materiais. Nas versões topo de linha há couro nos bancos e painéis, o que eleva a percepção de sofisticação, mas o modelo deixa a desejar pela ausência de bancos com ajuste elétrico. Não é nada prioritário, mas seria um atrativo a mais para cativar o consumidor a pagar mais de R$ 150 mil num hatch ou sedã compactos, diante de tantas outras opções de carrocerias mais tentadoras.

Palavra final

Seja como for, o Honda City é um automóvel interessante. Ele oferece tudo aquilo que o consumidor almeja. Tem motor confiável, sem apelar para turbinas ou módulos elétricos, consumo bastante satisfatório e pacote de conteúdos que se espera de qualquer automóvel moderno mais qualificado.

Honda City sedan Touring 2027 branco traseira parado
Honda City é uma das poucas opções de sedã no mercado brasileiro (Foto: Honda | Divulgação)

O senão do City talvez esteja em sua silhueta. O brasileiro, assim como quase o mundo inteiro se derrete por um SUV, mesmo que seja praticamente o mesmo carro, mas com uma carcaça anabolizada.

E o próprio consumidor Honda pensa assim. O WR-V que utiliza a mesma plataforma, motor, transmissão e equipamentos parte de R$ 150 mil. Mesmo assim, vendeu de janeiro a setembro 27.145 unidades, contra 11.568 (sedã) e 10.005 (hatch).  Por R$ 117.700, não escolheria outro automóvel.

Versões e preços

  • LX Hatchback: R$ 117.700
  • LX Sedan: R$ 117.700
  • EX Hatchback: R$ 137.400
  • EX Sedan: R$ 138.400
  • EXL Hatchback: R$ 144.800
  • EXL Sedan: R$ 145.800
  • Touring Hatchback: R$ 153.300
  • Touring Sedan: R$ 154.300
  • RS Hatchback: R$ 156.400
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Polvo 3 de novembro de 2026

Tenho um 2024 e posso afirmar que é um carro pra quem não quer dor de cabeça. O que surpreende é o baixo consumo e o desempenho quase similar aos 1.0 turbo concorrentes. Não tem aquela “tacada” inicial, mas a aceleração linear é muito boa, talvez mérito da caixa CVT bem casada como o motor.