Hyundai Veloster: quando performance e estilo não andam juntos

Esportivo sul-coreano tinha estilo arrojado, com direito a carroceria com três portas, mas pecou na escolha de um motor

HYUNDAI VELOSTER 2011 VERMELHO MOVIMENTO FRENTE
Visual arrojado chamava atenção, mas desempenho era pífio para suas formas (Foto: Hyundai | Divulgação)
Por Douglas Mendonça
Publicado em 12/09/2026 às 11h00

O lançamento do Hyundai Veloster, no segundo semestre de 2011, causou enorme impacto no mercado brasileiro. Suas linhas ousadas e futuristas chamaram a atenção imediatamente, principalmente entre os admiradores de carros esportivos. Em uma época em que poucos modelos apresentavam um design tão diferente, o cupê da marca coreana rapidamente se transformou em objeto de desejo e despertou a curiosidade de consumidores e da imprensa especializada.

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Por trás de toda aquela empolgação, porém, existia uma polêmica que acabaria marcando a trajetória do modelo no Brasil: a Caoa, então responsável pela importação dos veículos Hyundai, divulgava amplamente que o Veloster era equipado com um motor 1.6 de 140 cv. O problema é que essa potência correspondia à versão equipada com injeção direta de combustível (GDI), comercializada em alguns mercados internacionais. Os veículos importados para o Brasil utilizavam outro conjunto mecânico: um motor 1.6 com injeção indireta, que entregava 128 cv e cerca de 16 mkgf de torque.

HYUNDAI VELOSTER 2011 VERMELHO FRENTE LATERAL
Veloster tinha duas portas do lado do passageiro e que se invertiam em mercados de mão inglesa (Foto: Hyundai | Divulgação)

Na prática, a diferença não era apenas numérica. O motor vendido no Basil apresentava torque máximo em rotações mais elevadas, acima dos 4.500 rpm, característica que fazia o carro parecer menos disposto nas acelerações do dia a dia. Para um veículo com aparência tão esportiva, o desempenho acabou decepcionando muitos compradores. Imagine a situação do consumidor que acreditava estar adquirindo um carro de 140 cv e, posteriormente, descobria que o motor entregue possuía especificações diferentes das divulgadas inicialmente. Não demorou para que surgissem questionamentos e reclamações.

Mesmo assim, o início da trajetória comercial do Veloster foi bastante positivo. O design chamava atenção por onde passava e havia filas de espera nas concessionárias. O preço também acompanhou o entusiasmo do mercado. Lançado inicialmente por cerca de R$ 72 mil, o modelo chegou a ser vendido por aproximadamente R$ 84 mil poucos meses depois, impulsionado pela alta demanda. Ao longo de 2012, porém, a situação começou a mudar.

HYUNDAI VELOSTER 2011 VERMELHO ALTO PORTAS ABERTAS
Estilo incomum era uma das marcas registradas do cupê sul-coreano (Foto: Hyundai | Divulgação)

Consumidores e veículos especializados passaram a questionar a divergência entre a potência divulgada e a efetivamente entregue pelo carro vendido no Brasil. O assunto ganhou repercussão na imprensa automotiva e acabou gerando reclamações formais de proprietários, além de ações judiciais movidas por consumidores que se sentiram prejudicados. A partir desse momento, a imagem do Veloster começou a se desgastar rapidamente.

Veloster era manco até nas vendas

Nem mesmo o visual arrojado conseguiu sustentar o entusiasmo inicial. O modelo tinha características bastante interessantes, como a configuração de três portas, com apenas uma porta do lado do motorista e duas do lado direito, solução pouco comum e que ajudava a reforçar sua personalidade. Mas a confiança do público já havia sido afetada.

Com o passar do tempo, o Veloster acabou se tornando alvo de brincadeiras. Surgiu então o apelido de “Lentoster”, uma referência ao desempenho considerado modesto para um carro com aparência tão esportiva. Nas medições da época, o modelo acelerava de 0 a 100 km/h em cerca de 12,5 segundos, desempenho semelhante ao de diversos compactos nacionais equipados com motores de menor cilindrada.

HYUNDAI VELOSTER 2011 VERMELHO MOVIMENTO TRASEIRA
Demora para ganhar velocidade era o oposto do que seu nome sugeria (Foto: Hyundai | Divulgação)

Para muitos consumidores, a decepção era inevitável. A expectativa criada pelo visual agressivo não encontrava correspondência no comportamento do carro ao volante. No início de 2013, as vendas já haviam caído significativamente e a polêmica envolvendo a potência anunciada continuava repercutindo. Diante desse cenário, a importadora optou por encerrar a comercialização do modelo no Brasil após a venda das unidades remanescentes em estoque.

Ainda assim, estima-se que cerca de 13 mil unidades tenham sido comercializadas entre o segundo semestre de 2011 e o primeiro semestre de 2013. Um número considerável para um carro de nicho, mas muito abaixo do potencial que o projeto parecia ter quando foi apresentado ao mercado.

Veloster turbo nunca chegou ao Brasil

O mais curioso é que o Veloster possuía qualidades evidentes. O design era marcante, diferente de tudo o que existia na época, e em outros mercados chegou a receber versões turbo com cerca de 180 cv, configuração que provavelmente teria encontrado melhor sintonia com a imagem esportiva que o modelo transmitia.

HYUNDAI VELOSTER 2011 MOTOR
Motor 1.6 de 128 cv era o mesmo utilizado no HB20, mas insuficiente para as expectativas dos donos do Veloster (Foto: Hyundai | Divulgação)

No fim das contas, o Veloster acabou se tornando um exemplo clássico de como expectativas mal administradas podem comprometer um produto promissor. O carro chamou atenção pelo visual, despertou enorme interesse inicial e tinha potencial para construir uma trajetória mais sólida. Entretanto, a controvérsia envolvendo a potência divulgada e o desempenho abaixo do esperado acabou desgastando sua imagem junto ao consumidor brasileiro e marcando sua passagem pelo mercado nacional.

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1 Comentário
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Rodrigo 15 de setembro de 2026

Além de “Lentoster” citado na matéria, ainda tinha “Moloster”, “Slowloster” e outros que nem lembro mais… Diziam tudo o que a imprensa e os compradores pensavam à época…