Peugeot Hoggar: a picape que agonizou por quatro anos no Brasil
Lançada em 2010, a Hoggar foi a aposta da marca do leão para concorrer no segmento de picapes leves, mas fracassou de forma vergonhosa
Publicado em 22/08/2026 às 13h00
Era maio de 2010 quando a Peugeot reuniu jornalistas especializados para apresentar ao mercado brasileiro sua nova picape compacta. O modelo era baseado no Peugeot 207, do qual herdava toda a dianteira mecânica. Na traseira, recebia uma caçamba com capacidade próxima de 1.150 litros e carga útil superior a 700 quilos, dependendo da versão. Assim configurada, a Peugeot Hoggar surgia como uma concorrente capaz de disputar espaço com Fiat Strada e Volkswagen Saveiro, líderes absolutas do segmento.
VEJA TAMBÉM:
- Kombi diesel foi um dos maiores fracassos da VW no Brasil
- Marea é injustiçado, e foi esquecido nas comemorações dos 50 anos da Fiat
- Fiat 50 anos: o Uno revolucionou o seu segmento em 1984
Na teoria, tudo parecia muito promissor. A nova picape oferecia boa capacidade de carga, visual moderno e uma mecânica já conhecida do consumidor brasileiro. Mas a prática mostrou um cenário bem diferente. Os Peugeot já não desfrutavam da melhor reputação no mercado nacional, consequência de uma série de problemas que afetaram diversos modelos da marca ao longo dos anos. Com a Hoggar, a situação ficou ainda mais evidente, porque ela era utilizada justamente na função mais dura possível: trabalho pesado.
Os fracos motores da Peugeot Hoggar
A picape chegou ao mercado equipada com duas opções de motorização. A primeira era o conhecido 1.4 Flex de oito válvulas, capaz de gerar até 82 cv. A segunda era o 1.6 16V, com potência próxima de 113 cv. Eram os mesmos motores utilizados em outros modelos da marca. A diferença é que, na Hoggar, esses conjuntos eram submetidos a um esforço muito maior, especialmente quando o veículo trafegava constantemente carregado próximo do limite de sua capacidade.

Foi justamente aí que começaram os problemas. A versão 1.4, que acabou sendo a mais vendida, ganhou fama pelas ocorrências envolvendo a junta do cabeçote. Em situações de uso mais severo, não eram raros os casos de vazamentos de líquido de arrefecimento e superaquecimento. Para quem dependia da picape para trabalhar, isso significava veículo parado na oficina, prejuízo financeiro e perda de produtividade. Uma situação inaceitável para uma ferramenta de trabalho.
As versões equipadas com o motor 1.6 sofriam menos com esse tipo de defeito, mas apresentavam outra fragilidade. A potência e o torque superiores acabavam transferindo o esforço para a transmissão. Sob uso constante com carga, diversos proprietários relatavam desgaste prematuro de rolamentos internos do câmbio, que começavam a emitir ruídos e exigiam desmontagem e reparo. Novamente, o resultado era o mesmo: a Hoggar parada na oficina enquanto o dinheiro deixava de entrar no caixa de quem dependia dela para trabalhar.
Hoggar era ruim de serviço
Os problemas não terminavam aí. Eram comuns as reclamações envolvendo falhas elétricas, além de desalinhamentos frequentes da tampa traseira da caçamba. Evidentemente, quem utilizava a Hoggar apenas como veículo de passeio talvez não percebesse muitos desses inconvenientes. Já aqueles que colocaram a picape para cumprir a função para a qual ela foi criada, transportar carga diariamente, reclamaram bastante da quantidade de defeitos e da baixa resistência de alguns componentes. Definitivamente, a Hoggar nunca conseguiu construir a reputação de robustez que se espera de um veículo de trabalho.

Os números ajudam a explicar o desfecho dessa história. Em seu primeiro ano cheio de mercado, a Hoggar ultrapassou a marca de cinco mil unidades vendidas. Depois disso, as vendas entraram em queda livre. Em 2014, quando saiu de linha, já comercializava menos de 400 exemplares por ano. Durante toda a sua trajetória, acumulou algo em torno de 20 mil unidades vendidas, um volume que a Fiat Strada alcançava em poucos meses.
A Peugeot Hoggar acabou se tornando um exemplo clássico de um produto que parecia interessante no papel, mas que fracassou quando colocado à prova no mundo real. A ideia era boa. O segmento tinha potencial. O mercado crescia rapidamente. Mas a execução ficou aquém do necessário. Problemas mecânicos, falhas de qualidade e uma reputação cada vez mais desgastada fizeram com que a picape francesa perdesse espaço rapidamente. Poderia ter construído uma trajetória mais longa ao lado de Strada e Saveiro, mas acabou se transformando em mais um projeto que não resistiu às exigências do consumidor brasileiro.
👍 Curtiu? Apoie nosso trabalho seguindo nossas redes sociais e tenha acesso a conteúdos exclusivos. Não esqueça de comentar e compartilhar.
|
|
|
|
X
|
|
|
Siga no
|
||||
Ah, e se você é fã dos áudios do Boris, acompanhe o AutoPapo no YouTube Podcasts:
Podcast - Ouviu na Rádio
|
AutoPapo Podcast
|
Matéria sem dados, por exemplo a da junta tem que ver destas que “falharam” quantas tinham o reservatório laranjada por dentro…
comprei 1.6 no lançamento trabalho com serviços pesados ,16 anos se passaram tive varias saveiros nenhuma passou dos 30 mil sem me dar dor cabeça alem do seguro ser um absurdo, fiat strada se pegar pesado com ela abre o bico, Ainda matenho a hogar o peugot errou e muito na estrategia de venda .
Na época em 2011 comprei 2 zero ..uma 1.4 e outra 1.6a 1.4 depois de 13 anos de trabalhos exaustivamente pesados ..no meu comércio e ja toda sem condições de uso .pois trabalho com sucatas .aposentei ela ..nunca foi em uma oficina a nao ser pra trocar pneu e óleo..a 1.6 esta comigo ate hoje ..insuperável..igual tanque de guerra ..motor rápido ágil…infelizmente no Brasil o que manda e o lobby …sabe aquela pessoa que vira pra vc e fala melhor carro do mundo pra barro e o fusca e todo mundo acreditou…e assim…igual essa reportagem acabou de fazer ..trabalho com ferro velho automotivo strada e saveiro ..sao as que mais quebram a caixa de marcha .todo dia tem um procurando, carroceria apertada ,capacidade de carga pouquíssimo e etc…o que fizeram com a hougar foi um crime de guerra comercial..nao troco a minha por nenhuma strada ou saveiro zero …
Esta fracassou, mas, a 504 diesel foi insuperável, foi descontinuada pelo lobby das antigas montadoras, criando as pick-up com motorização pra caminhão, tipo meleca da Silverado, F-250, etc….
