Bárbara e La Kombi 1972: embarcando na paixão pela Corujinha

Dois anos e alguns reais depois, empresária realiza sonho: viaja e vende roupas em sua Kombi 1972

Por Laurie Andrade13/12/17 às 16h31

“Estava em uma feira em Belo Horizonte e vi um grupo de pessoas do interior de Minas Gerais vendendo artesanato numa Kombi. Naquele momento sabia que era isso que eu queria fazer: rodar o Brasil comercializando as minhas roupas”, conta Bárbara Loya Selvatt, que é designer de moda e proprietária de uma Kombi 1972 Corujinha.

Bárbara Loya em sua Kombi 1972 Corujinha - La Kombi
Foto: divulgação

Não bastava ter uma loja itinerante, tinha que ser uma loja na Corujinha. “Sempre gostei de carros antigos, especialmente dos [modelos da] Volkswagen. Mas a Kombi é especial, passa uma ideia de liberdade, de não precisar de um porto, de um lugar fixo”, explica Bárbara. O carro e seu histórico hippie também influenciaram o nome de sua marca, La Kombi, e o estilo das roupas que ela desenha.

PARA ALÉM DO NEGÓCIO Apesar de ser utilizada para fins comerciais, a Velha Senhora de Bárbara vai além da frieza dos números. A Kombi foi um presente do então namorado, o dentista Thales Rodrigues. Hoje são casados. A mudança para a casa nova, inclusive, foi feita pela Corujinha. “Ela é a história da minha marca. Mas, em relação ao meu relacionamento, simboliza harmonia e entrega. O Thales escolheu me incentivar, acreditou em mim e a Kombi virou um projeto em comum”, diz Bárbara.

Kombi 1972 Corujinha verde restaurada pela criadora da marca La Kombi
Foto: divulgação

Fazer com que o modelo estivesse pronto para rodar não foi tão simples. Rodrigues comprou o carro de surpresa, durante a produção da primeira coleção da La Kombi. Um investimento de R$ 5 mil. Depois de dois anos restaurando a Velha Senhora, os gastos já passam dos R$ 30 mil. Um terço desse valor foi destinado à lanternagem e pintura.

“A Kombi estava caindo aos pedaços. O processo de reforma foi doído. A intenção era deixá-la original. Para recuperá-la, com peças autênticas, tivemos que ir atrás… Visitar ferros velhos, comprar uma porta aqui, outra lá, procurar detalhes na internet”, lembra a designer.

Símbolo Volkswagen Kombi 1972 verde
Foto: divulgação

Thales sempre quis reformar um carro antigo. De 2015 pra cá, ele e Bárbara já recuperaram lanternagem e pintura, trocaram o motor por um 1.6 refrigerado a ar e reforçaram a suspensão. A troca do motor custou R$ 800 e se deu por dois motivos: o original, 1.5, estava em más condições e o motorista desejava um pouco mais de “força”. Quem puxa o carro agora é o de uma Brasília 1974.

Para melhorar a dirigibilidade, foram instalados freios a disco na dianteira (como nas Kombis produzidas a partir de 1983) e a caixa de direção foi alterada pela da Kia Besta e agora é pinhão e cremalheira. Ainda faltam alguns ajustes. De acordo com a designer, esse é um projeto que não acaba nunca. “Os próximos passos serão a tapeçaria e a parte de móveis para dar suporte a loja”, completa o dentista.

Dá trabalho, mas compensa

Rodrigues garante: “não me arrependo de um real gasto com a Kombi. Quando não estamos trabalhando com ela, estamos fazendo passeios superagradáveis e nostálgicos. Faria todo investimento de novo, com certeza!”. O casal tem viajado pelo interior de Minas Gerais, Ouro Preto, Lavras Novas, Pitangui, mas o roteiro para uma road trip maior está pronto. Neste final de ano eles vão participar de uma estação de verão em Enseada Azul, Espírito Santo.

Bárbara explica a razão pela qual é apaixonada pelas viagens na corujinha. “O legal da viagem na Kombi é que é ela é daquele tipo que não interessa aonde ou quando vamos chegar. O ir se torna o auge. Não existe pressa e isso nos possibilita a observar o caminho, curtir paradas não programadas durante o percurso, nos distrair e, claro, ter novas experiências”.

Thales Rodrigues dirigindo a Kombi 1972 na estrada
Foto: Bernardo Silva | Leme Imagens

UNANIMIDADE Bárbara conta que já recebeu propostas, mas que jamais venderia o seu xodó. “As pessoas ficam encantadas [ pela Kombi 1972 ], adoram tirar fotos, querem saber sua história. Quando vou aos eventos com ela, a visibilidade é muito maior”, afirma a empresária.

Vale frisar que a Kombi Corujinha vale ouro. Pelo menos é o que indicou estudo realizado pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV EAESP). Fabricada de 1968 a 1975, a Corujinha teve valorização de 135,1% acima da variação da taxa básica de juros (Selic) em 10 anos.

La Kombi 1972 é raiz

Bárbara conta que foi assistir o festival Chapada’s Folk’n Blues, em Minas Gerais, e que a produção a deixou entrar com a Kombi. Durante a madrugada fria, muitas pessoas se aglomeraram perto do veículo, só para vê-lo. Num clima à la Woodstock, a designer e o marido decidiram abrir as portas para que todos se aconchegassem dentro da Velha Senhora e curtissem a música com calor humano. A Kombi é muito amor. <3

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GIF kombi 1972 verde

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