Número de mortes no trânsito está menor, mas é preciso fazer mais

Hoje, mais de 60% dos leitos hospitalares do Sistema Único de Saúde (SUS) são ocupados por vítimas de acidentes de trânsito

Por Laurie Andrade19/09/18 às 11h56
Com Agência Brasil

A Organização das Nações Unidas (ONU) previu, em um acordo, que os países se concentrassem em reduzir 50% no número de vítimas de acidentes de trânsito em 10 anos, contados a partir de 2011. Desde então, o número de mortes no trânsito brasileiro está diminuindo. No entanto, um estudo do Ministério da Saúde divulgado nessa terça-feira (18) mostra que os índices ainda precisam melhorar – e muito.

A meta do Brasil, até 2020, é não ultrapassar o número de 19 mil vítimas fatais por ano. Em 2016, último levantamento do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, registrou 37.345 mortes no trânsito.

“Esse número, de 37 mil vidas perdidas em acidentes por ano, é superior à população de muitas cidades brasileiras. Infelizmente, quando boa parte da população pensa em trânsito, o que vem à mente são os congestionamentos e chamada indústria da multa, mas o que temos é uma indústria da dor”, afirma Renato Campestrini, advogado, especialista em trânsito e gerente técnico do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV). Além das mortes no trânsito, 600 mil pessoas ficam com sequelas permanentes todos os anos em decorrência de acidentes envolvendo veículos.

Mais de 60% dos leitos hospitalares do Sistema Único de Saúde (SUS) são ocupados por vítimas de acidente de trânsito. Nos centros cirúrgicos do país, 50% da ocupação também é figurada por vítimas de acidentes rodoviários. Segundo o ONSV, os acidentes no trânsito resultam em custos anuais de R$ 52 bilhões.

O Brasil ocupa o quinto lugar no ranking dos países mais violentos no trânsito. Juntas, as dez nações com mais mortes no trânsito são responsáveis por 62% das 1,2 milhão vidas perdidas por acidentes no mundo. Os acidentes de trânsito resultam em mais de 50 milhões de feridos a cada ano.

O Ministério da Saúde divulgou um levantamento sobre mortes no trânsito. O número de vítimas de acidentes no Brasil diminuiu, mas ainda precisa baixar.

Redução das mortes no trânsito

Considerando todas as cidades do Brasil, o número de mortes no trânsito diminuiu 14,8% em dois anos. Em 2014, ocorreram 43.870 óbitos no trânsito.

Em seis anos, houve redução de 27,4% dos óbitos nas ruas e rodovias das capitais do país. Em 2010, foram registrados 7.952 mortes, contra 5.773 em 2016, o que representa uma diminuição de 2,1 mil vidas perdidas no período.

A diretora do Departamento de Vigilância de Doenças e Agravos não Transmissíveis e Promoção da Saúde do Ministério da Saúde, Maria de Fátima Marinho, avalia que a diminuição das mortes no trânsito mostra que o brasileiro tem mudado, aos poucos, as atitudes, prezando cada vez mais pela segurança.

“Houve um aprimoramento da legislação, aumento na fiscalização e alguns programas estratégicos, como o Vida no Trânsito. No entanto, o número de óbitos e internações ainda preocupa, especialmente os de motociclistas. Precisamos avançar na mobilidade segura para reduzir esses números”, enfatizou Maria de Fátima Marinho.

Campestrini comenta uma das alternativas para diminuir o índice de acidentes com motociclistas: “a moto é, reconhecidamente, um dos veículos que causam o maior número de mortes no trânsito, mas, para tirar a habilitação, o motociclista faz a prova em circuito fechado, em primeira marcha, e apenas com o funcionamento do freio traseiro. Isso precisa ser revisto”.

Uma pesquisa recente do ONSV mostrou que só há eficácia da Lei Seca nos estados que realizam o maior número de blitz de fiscalização. No Brasil, a taxa média nacional de fiscalização é de um em cada 500 veículos da frota total do país, enquanto em países como Portugal e Espanha, essa média é de um a cada cinco veículos da frota. Na França, essa taxa é ainda melhor: um a cada três veículos do país são fiscalizados em blitz.

O Ministério da Saúde divulgou um levantamento sobre mortes no trânsito. O número de vítimas de acidentes no Brasil diminuiu, mas ainda precisa baixar.
Foto Marcello Casal Jr | Agência Brasil

A necessidade de aumentar a fiscalização é notória. “Os estados que têm mais fiscalização, têm menos acidentes relacionados à combinação entre álcool e direção. Quando o motorista tem a sensação de que a fiscalização está presente, acaba sendo mais prudente”, explica Renato Campestrini à Agência Brasil.

Entre as unidades da federação analisadas, Pernambuco, Ceará, Alagoas, Amazonas, Rio de Janeiro, Bahia e Paraíba conseguiram reduzir para menos de 9% o número de motoristas flagrados em operações da Lei Seca. Esses mesmos estados são, pelas estatísticas, os que realizam o maior número de fiscalizações.

Com menos motoristas dirigindo sob o efeito de drogas, menor o índice de mortes no trânsito. A Ingestão de álcool é responsável, segundo o Ministério da Saúde, por 15,6% das mortes no trânsito brasileiro. O causa perde apenas para falta de atenção (30,8% dos óbitos registrados) e velocidade incompatível com a via (21,9%).

Considerando a principal causa de mortes no trânsito, desatenção, é possível afirmar que os condutores podem contribuir para um trânsito mais seguro. Faça a sua parte.

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