Multas de trânsito podem encarecer o seguro do seu carro; entenda como
Acúmulo de infrações é analisado pelas seguradoras e pode ser “penalizado“; confira quais condutas são tratadas como fator de risco
Publicado em 04/07/2026 às 15h00
Atualizado em 04/07/2026 às 15h24
O preço do seguro de carro é influenciado por vários fatores. Características como gênero, idade, endereço, rotina e até estado civil do contratante podem fazer a apólice ficar mais cara ou mais barata. Assim como o valor do bem, o tipo de carro, se tem garagem ou não, quais coberturas e serviços serão contratados também influenciam no valor. Mas, o que muitos motoristas não sabem e não levam em conta no dia a dia é que as multas de trânsito também podem encarecer a sua apólice.
Para além do prejuízo financeiro imediato e da perda de pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH), cometer infrações de trânsito também pode gerar mais despesas e dor de cabeça na hora de contratar ou renovar o seguro. Isso porque o acúmulo de condutas infratoras funciona como um indexador de risco para as seguradoras.
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Como as infrações de trânsito podem aumentar o valor do seguro auto
As empresas consideram que os motoristas que têm multas recentes ou acidentes de carro em seu histórico de direção são mais propensos a registrar um sinistro, por isso, normalmente os prêmios cobrados são mais altos.
Isso acontece porque a precificação de um seguro veicular baseia-se em análises estatísticas de probabilidade. As seguradoras avaliam o comportamento do condutor para prever o risco de sinistros, como colisões e acidentes, cenário em que elas terão que entrar em ação e arcar, de forma integral ou parcial, com os prejuízos.
Motoristas que desrespeitam as regras do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e acumulam multas indicam uma condução menos responsável. Para a seguradora, esse perfil representa um risco elevado de gerar prejuízos futuros, o que resulta no encarecimento direto do valor do seguro do carro.
O impacto pode aparecer em diferentes pontos do relacionamento com a seguradora, como:
- Aumento do prêmio na renovação
- Perda ou redução do bônus (dependendo da política e histórico)
- Mudança de categoria de risco ou perfil do condutor
- Exigência de franquia maior em algumas modalidades
- Recusa de proposta em casos de perfil considerado de alto risco
- Maior rigor na regulação do sinistro quando há indícios de agravamento de risco
Muitas seguradoras trabalham com modelos de precificação que consideram o histórico do condutor, sinistros anteriores e características do veículo. Infrações de trânsito podem entrar nessa análise de forma direta ou indireta, conforme a forma como a seguradora coleta dados e conforme o que é declarado no questionário de risco.
Multas isoladas não vão impactar no valor do seguro, mas um padrão de comportamento sim
Uma multa isolada, especialmente se não for grave, tende a impactar de forma muito reduzida. Já um padrão repetido de infrações pode sinalizar risco elevado e afetar diretamente o cálculo do serviço.
Na prática, as seguradoras tendem a olhar para:
- Recorrência de multas em curto período
- Multas mais graves, com alto excesso de velocidade
- Histórico de sinistros e circunstâncias de acidentes anteriores
- Perfil declarado (uso do veículo, quilometragem, finalidade, trajeto)
- Condutor principal e condutores eventuais
Por isso, muitas vezes o motorista só percebe o efeito no momento da renovação, quando o prêmio sobe sem explicação aparente. O aumento pode estar associado não a um evento isolado, mas ao conjunto de dados que a seguradora avaliou.
Principais infrações que elevam o preço do seguro
Determinadas condutas ao volante possuem pesos diferentes no CTB e causam impactos variados na percepção de risco das empresas. Conheça as quatro infrações mais comuns que pesam no orçamento:
- Excesso de velocidade
A prática de ultrapassar os limites de velocidade permitidos lidera as estatísticas. A gravidade e as penalidades variam conforme o percentual excedido:
- Até 20% acima do limite: Infração média. Adiciona 4 pontos na CNH e tem multa no valor de R$ 130,16.
- Entre 20% e 50% acima do limite: Infração grave. Adiciona 5 pontos na CNH e tem multa de R$ 195,23.
- Acima de 50% do limite: Infração gravíssima. Adiciona 7 pontos na CNH e gera uma multa multiplicada por três, totalizando R$ 880,41, além da suspensão imediata do direito de dirigir.
Na lógica do mercado segurador, a multa de velocidade pode indicar: hábito de condução mais arriscado, maior exposição a eventos, possível perfil de direção agressiva, maior chance de colisão e indenizações elevadas.
- Dirigir sob efeito de álcool
A combinação de bebida e direção é tratada com tolerância zero. Conduzir sob a influência de álcool ou de substâncias psicoativas gera punições severas no CTB, como detenção, multas elevadas e a perda do direito de dirigir. No mapeamento das seguradoras, esse condutor é classificado como “perigoso”, provocando um aumento muito significativo na cotação do seguro.
- Avançar o sinal vermelho
Ignorar a sinalização semafórica demonstra um comportamento de alto risco. Estatisticamente, a chance de um sinistro grave acontecer é muito maior entre motoristas que possuem esse hábito. Essa imprudência sinaliza para a seguradora a falta de direção defensiva, elevando o custo da apólice.
- Uso de celular ao volante
Manusear ou falar ao celular enquanto conduz tornou-se uma das principais causas de acidentes de trânsito no país. Embora comum, a prática é uma infração gravíssima, punida com multa de R$ 293,47 e 7 pontos na CNH. O uso do aparelho dispersa a atenção e eleva consideravelmente o tempo de reação do motorista diante de imprevistos. Esse comportamento é um fator determinante para que as seguradoras incluam o motorista em uma faixa tarifária mais cara.
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