Entenda como funciona a instalação de carregadores em residências, quais são as normas de segurança e os riscos de procedimentos incorretos
O crescimento exponencial na venda de veículos eletrificados no Brasil, que registrou alta de 173% em abril de 2026, trouxe à tona um desafio para muitos proprietários: a instalação de carregadores de carros elétricos e híbridos plug-in. Sem um padrão nacional definitivo, a prática tem gerado dúvidas, riscos reais de incêndio e até mesmo disputas judiciais com direito a ‘impeachment’ de síndico.
Nesta matéria, você confere o que é necessário para fazer a instalação, incluindo quais são as exigências de segurança, os perigos das gambiarras e as diferenças entre os tipos de residências e modelos de carregadores.
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De acordo com Arthur Carrão, CEO da Recharge Brasil, empresa de engenharia e eletromobilidade, a principal exigência para a instalação de um dispositivo de carregamento veicular é uma infraestrutura elétrica adequada e segura. O primeiro passo é realizar uma avaliação técnica da instalação existente, verificando a capacidade do padrão de entrada, o quadro elétrico, o aterramento e a disponibilidade de carga elétrica para suportar o carregador.
Por norma, também é necessário haver um circuito dedicado exclusivamente para a recarga do veículo, com proteções específicas como disjuntor, Interruptor Diferencial Residual (IDR) e Dispositivo de Proteção contra Surtos (DPS) corretamente dimensionados.
Para Carrão:
Mais importante do que simplesmente ‘ter uma tomada disponível’ é garantir que a instalação esteja preparada para operar continuamente, seguindo todas as normas vigentes. É importante destacar que a mobilidade elétrica deixou de ser algo ‘experimental’. Hoje existe uma base normativa sólida e alinhada com padrões internacionais.”

Segundo Márcio Severine, Conselheiro e Diretor de Infraestrutura da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), depois da verificação das instalações elétricas, a próxima etapa é a escolha do modelo de equipamento mais adequado e que atenda às expectativas do proprietário do veículo eletrificado. Depois disso, o diretor destaca que é importante contratar um técnico qualificado para elaborar o projeto elétrico e a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART).
A ART é um documento oficial importante que vincula um engenheiro eletricista registrado à autoria de um projeto, formalizando sua responsabilidade legal sobre a instalação e garantindo que as normas técnicas foram seguidas.
Como mencionado anteriormente, se você quiser instalar um dispositivo para recarregar seu carro na sua residência, seja ela uma casa ou um apartamento, é necessário um estudo prévio e um projeto baseado nessa avaliação, em que estarão indicadas as alterações necessárias. Márcio Severine afirma que essas adaptações podem incluir substituição de cabos e componentes do sistema, instalação de pontos para desligamento de emergência, troca de conduítes e instalação de quadros de distribuição.
Arthur Carrão, da Recharge Brasil, também pontua que existe uma diferença na disposição das redes elétricas de casas e prédios.
Atenção: é preciso ter cuidado redobrado nos edifícios, pois a avaliação da infraestrutura pelo profissional habilitado deve ser global, evitando que sejam feitos projetos individualizados sem um estudo da carga total, especialmente se mais de um carregamento será feito ao mesmo tempo.
Com inúmeros casos de incêndios de carros eletrificados, sendo que muitos envolvem o processo de carregamento, muitos proprietários desses veículos estão receosos. O problema é que muitos donos ainda não entenderam que recarregar um carro movido à bateria não é a mesma coisa que ligar um eletrodoméstico comum na tomada.
Arthur Carrão, da Recharge Brasil, destaca que a segurança da recarga depende diretamente da qualidade da engenharia e da execução da instalação. Para ele, “a instalação de um carregador veicular deixou de ser apenas um serviço elétrico convencional. Hoje ela envolve engenharia, gestão de energia, conectividade e segurança operacional”.
O executivo afirma que atualmente já existe no Brasil um número crescente de engenheiros, eletricistas e integradores especializados em mobilidade elétrica, além de fabricantes e empresas que oferecem treinamentos específicos para instalação e comissionamento de carregadores. No entanto, ainda há uma carência de padronização e qualificação em parte do mercado. Por isso, Carrão aconselha que consumidores e condomínios busquem empresas com experiência comprovada, responsabilidade técnica e conhecimento específico em infraestrutura de recarga.

Além disso, antes de iniciar qualquer instalação, é fundamental que o Auto de Vistoria (AVCB) da edificação seja verificado. O responsável técnico deve avaliar se será necessário fazer adaptações no projeto de segurança contra incêndio e pânico do prédio.
Segundo o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais (CBMMG), caso seja necessário regularizar a edificação, o responsável técnico precisa averiguar as condições de segurança da edificação onde o Sistema de Alimentação de Veículos Elétricos (Save) será inserido. Ainda será preciso adotar as medidas necessárias para mitigar riscos relacionados ao carregamento desses tipo de veículo. É indispensável que a instalação do Save seja acompanhada por um profissional habilitado.
Depois de concluído o procedimento, você pode solicitar uma vistoria do Corpo de Bombeiros. O órgão pode verificar a validade do AVCB e ainda solicitar a apresentação do documento de responsabilidade técnica (ART) emitido por profissional competente atestando que a instalação dos pontos de carregamento seguiu as disposições das normas técnicas vigentes.
Segundo Márcio Severine, diretor de infraestrutura da ABVE, as exigências técnicas para uma instalação segura dos carregadores portáteis e Wallbox são as mesmas, bem como as proteções do sistema de recarga. As principais diferenças envolvendo os dois equipamentos são a corrente elétrica e potência, que são maiores no caso de um Wallbox.
O carregador portátil normalmente é conectado em tomadas convencionais e possui potência reduzida. Ele pode funcionar como solução emergencial ou ocasional, mas exige atenção redobrada quanto à qualidade da tomada e da instalação elétrica. Se você acha que pode usar esse tipo de dispositivo diariamente em uma tomada comum de (220V/20A), está cometendo um erro que pode ser grave.

Isso porque o equipamento portátil, de forma geral, trabalha com uma corrente superior de 30A, além de que uma tomada residencial não tem a resistência mecânica necessária para suportar 8 ou 12 horas diárias de operação e não dispõe dos dispositivos de proteção exigidos por lei. Em outras palavras, esse tipo de carregador requer a adequação das instalações elétricas para garantir o funcionamento sem riscos.
Enquanto isso o wall box é um equipamento fixo, desenvolvido especificamente para recarga veicular. Ele oferece maior potência, mais segurança, comunicação inteligente com o veículo, proteções adicionais e uma experiência mais eficiente. Na prática, o wall box é a solução recomendada para uso diário e recorrente.
O Brasil já possui padrões técnicos que regulamentam a instalação de carregadores e estão em constante processo de evolução. Exemplo disso são as Normas Brasileiras Regulamentadoras (NBR), diretrizes criadas e certificadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Mais especificamente, merecem destaque a NBR 17019, que trata da infraestrutura elétrica para alimentação de veículos elétricos, a tradicional NBR 5410, que rege instalações elétricas de baixa tensão, e a NBR IEC 61851-1, que trata de sistemas de recarga condutiva para veículos elétricos.
Entidades como o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) têm orientações próprias publicadas. O Confea estabeleceu a edição 2025 da nota técnica provisória batizada de “Diretrizes para instalação de pontos de recarga de veículos elétricos em edificações”. O documento prevê a obrigatoriedade de sistemas de detecção de incêndio, planos de gerenciamento de riscos, protocolos de inspeção e manutenção periódica.
Adicionalmente, cada estado pode definir instruções técnicas, através do Corpo de Bombeiros, para aumentar a segurança das instalações contra eventuais incêndios. Essas normas definem critérios de segurança, proteção elétrica, aterramento, dimensionamento de cabos, dispositivos de proteção e até requisitos para uso em condomínios e áreas públicas.
O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, por exemplo, está na fase final de elaboração de uma norma própria para conciliar a segurança das edificações e das pessoas com o avanço das inovações do mercado. Até que esse texto seja publicado, não são exigidas medidas adicionais de segurança no estado. A norma é uma nova edição da Instrução Técnica nº 30 – Instalações e Equipamentos Elétricos voltada para edificações ou espaços destinados ao uso coletivo que aplicam o Sistema de Alimentação de Veículos Elétricos (Save).
No início deste ano, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), assinou a Lei no. 18.403, a chamada lei do Direito à Recarga, que assegura o direito de carregamento para veículos elétricos nos condomínios comerciais e residenciais do estado de São Paulo.
No estado, essa lei funciona associada às regras específicas previstas na Instrução Técnica nº 41 do Corpo de Bombeiros de São Paulo e na Portaria Nº 003/970/2026 publicada em março, que dispõe mais especificamente sobre o Save em edificações residenciais.
O texto esclarece os requisitos técnicos e de segurança, bem como sobre a responsabilização pela instalação:
A instalação de um carregador de carro elétrico deve receber atenção e precisa ser feita de forma correta, pois os riscos de um serviço mal feito ou irregular são sérios. Gambiarras podem causar superaquecimento, derretimento de cabos e conectores, curtos-circuitos, danos ao veículo, choques elétricos e até incêndios.

O Corpo de Bombeiros Minas Gerais destaca que o perigo não está somente no carregador colocado de forma incorreta, mas também na sua infraestrutura associada. Isso inclui:
Tudo isso eleva significativamente o risco de falhas elétricas, sobrecarga de condutores, barramentos e prumadas, mau contato, atuação inadequada das proteções e dificuldade de desligamento em emergência.
De acordo com o CBMMG, vários procedimentos de instalações feitos de formas diferentes em uma mesma rede podem ser um problema:
“A multiplicação de soluções individuais e descentralizadas dificulta a fiscalização, a manutenção e o gerenciamento da carga, podendo comprometer a segurança da edificação, aumentar a probabilidade de incêndio e expor usuários, condomínios e responsáveis técnicos a riscos patrimoniais, operacionais e legais.”
Além da estrutura da residência, as chamas podem atingir o veículo elétrico, que, diferente dos modelos a combustão, tem outros fatores de risco. Em especial, as baterias de lítio, que apresentam desafios específicos:
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Tenha por perto um extintor Tipo L
A norma ISO 3941:2026 introduziu oficialmente a
Classe L para extintores de incéndio, destinada
especificamente a incèndios envolvendo baterias a de iao-litio
Muito complicado isso…
Sugiro comprar um gerador-a-DIESEL pra recarregar a bateria do carro.
Dá até pra levar ele no porta-malas quando pegar estrada…
🤣🤣🤣
No país do jeitinho fica preocupante ter certeza de que cada proprietário de um carro elétrico esteja fazendo a coisa certa como manda o figurino. Se você é vizinho de um desses tenha certeza de que seu seguro residencial e veicular cubra danos causados por terceiros. Agora, se você é dono de um elétrico e é adepto do jeitinho faça seguro contra terceiros pois para si não vai valer nada em caso de incêndio.
Será que os brasileiros estão tendo toda essa preocupação com instalação elétrica antes de comprar um carro elétrico? Só acho vantajoso ter um carro elétrico para que tem painel solar em casa, fora isso não vejo muita vantagem. Vou esperar no mínimo mais uns 5 anos antes de pensar em ter carro elétrico, para ver como será a durabilidade da bateria desses elétricos, isso se não virarem sucatas num prazo de 10 anos.
Todo mundo fala das vantagens dos elétricos, mas esquece de citar os pontos negativos e possiveis problemas. Essa matéria cita os desafios e não estima gastos para preparar sua residencia para fazer a recarga de seu veiculo, pra quem mora numa casa até é mais fácil, agora quem mora em condominio e ou mesmo pequenos prédios, pricipalmente os mais antigos. As vezes o custo fica inviavel para fazer as adequações. Porque se for pra contar com eletropostos, você está fu****, porque tem se poucos e com o aumento quantidade de carros elétricos a tendência é piorar. Viajar se for pro interior desiste de usar um elétrico se a vigem for a mais de 200 km de distancia. Vc terá dificuldades para carrregar seu carro.
Não podemos esquecer dos problemas de desgaste de bateria, um carro a combustão com 150 mil km rodados e 10 anos de uso tem sua autonomia muito similar a quando era zero KM (só não é pq aumentaram o etanol na gasolina), já um eletrico com certeza já perdeu eficiencia da bateria, na melhor das hipoteses uns 10% (compare com um celular que vai ficando velho, cada vez a bateria dura menos, e os carros eletricos usam o mesmo tipo de bateria ). Some isso a estas baterias ficarem no assoalho do carro, quem nunca levou uma pancada no assoalho do carro devido aos nossos burracos, num eletrico pode se perder a bateria, já pensou o custo disso? e o risco de incêndio ? como foi dito na reportagem é muito mais dificil de apagar o fogo.
Enfim no nosso país devia se incentiver o carro Flex e melhorar o preço do Etanol.
Se não me falha a memória, o disjuntor da entrada da minha casa (comum de pobre) tem entre 50 e 60A. Se a tomada pra recarga do carro precisa fornecer 30A, será que não dá problema se ligar vários consumidores elétricos na casa? Acho que precisa ter muito cuidado com isso.
Se alguém for tomar banho, já fica no limite o sistema eletrico, nada de usar a Ayr Frier também senão dá ruim.
Ou seja, tem que investir uma boa grana pra preparar a própria casa para recarregar o veículo de forma adequada e segura. Não dá pra fazer puxadinhos nem gambiarras. E se o indivíduo morar em uma casa alugada ou mesmo num condomínio, os planos do carro elétrico já ficam mais distantes.
Recentemente instalei ponto de recarga na minha casa, já existem caixas de proteção montadas à venda na internet, com disjuntor, IDR, DPS, pedi para puxar um fio dedicado direto do poste de entrada de energia, para meu carregador portátil está até super dimensionado, mas já fiz pensando em um futuro carregador mais forte.
Já existem carregadores portáteis com a mesma potência de alguns wallbox, que carregam em 32A.
Mas todo cuidado é pouco, se pessoas leigas começarem a conectar o carregador portátil em tomadas comuns sem saber como está a instalação elétrica, vamos ver vários casos de incêndios.
Sinceramente eu tenho muito receio ainda dos carros elétricos. A Sensação é que se anda em cima de uma bomba preste a explodir. Esta coisa da bateria estar localizada bem no assoalho é bem complicado, nosso país não tem estrada adequadas, bem conservadas, algo que atinja a bateria pode ser letal, não da tempo nem de sair do carro, tirar uma família inteira, principalmente crianças. Vou de Creta 2.0 mesmo, não confio em carro elétrico, principalmente Xinguiling. E se pensar bem, quantos mais migrarem para o elétrico, mais barato vai ficando o combustível.
Falou tudo!
Tem que ter um EPI de bombeiro para dirigir carro elétrico, além disso deve ter um machado para quebrar o vidro caso fique preso dentro do carro na hora do incêndio.
Boris! Vc já fez pesquisa sobre:: quando tiver 30% da população brasileira com carro elétrico, se as empresas de energia elétrica vão conseguir cobrir mais essa demanda?