Riscos de dirigir à noite vão além da baixa visibilidade

Percepção do motorista cai 50% ao anoitecer, riscos são ainda maiores se o condutor tiver alguma patologia ocular, como a miopia ou astigmatismo

Por Laurie Andrade 25/05/18 às 17h00

É comum que os condutores optem por viajar pela manhã ao invés de pegar a estrada à noite. O que muitos não sabem, no entanto, é que essa decisão deveria ser unanimidade. De acordo com o diretor da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego, Dirceu Alves, com o anoitecer, a percepção do motorista cai 50% e, dependendo da patologia ocular pré-existente, a dificuldade é ainda maior. Dimensionar espaços, distâncias e velocidades também fica mais difícil.

As condições das estradas brasileiras não ajudam. Muitos trechos não são iluminados e falta sinalização. Com as reações oculares mais lentas, a situação se torna propensa para acidentes. “O pedestre atravessando a via é um exemplo do que chamamos vulto – só é possível ver o contorno – da pessoa no período da noite”, acrescenta o médico.

O ofuscamento da visão é um fator complicador. Leva-se aproximadamente quatro segundos para voltar a visão à normalidade depois de cruzar um foco de luz. Nesse pequeno período, caso o carro esteja a 100 km/h, o motorista já cruzou de 80 a 120 metros. Distância suficiente para uma colisão. A capacidade de adaptação da visão dos condutores com idade superior a 60 anos é ainda mais lenta.

“Quando enfrentamos de frente ou mesmo através dos retrovisores um feixe de luz ocorre uma contratura da pupila com objetivo de reduzir a quantidade de luz que deve chegar à retina. Ao desaparecer subitamente o foco de luz, temos a escuridão e nessas condições a pupila tende a se dilatar com objetivo de permitir maior entrada de luz. A inexistência momentânea da mesma faz com que se passe um curto período para que ocorra a adaptação”, explica Alves.

Noção de espaço, capacidade de reação, dificuldade para focar e sono. Não é só a diminuição da percepção do motorista que coloca as pessoas em risco quando viajam no período da noite.

Segundo o médico, o organismo humano produz, na ausência de luz, um hormônio chamado melatonina. Esse neuro-hormônio induz o corpo humano ao sono e tem sua produção máxima por volta de 2h e 3h horas da madrugada. O sono foi responsável, em 2017, por 3.796 acidentes nas rodovias federais do Brasil, com 3.629 feridos e 371 mortes.

De 19h às 06h, 31 mil 188 acidentes foram registrados pela Polícia Rodoviária Federal em 2017. Nesse mesmo período, duas mil 809 pessoas perderam a vida nas estradas.

Veja, abaixo, números de acidentes ligados às más condições das estradas federais brasileiras e restrições de visibilidade em 2017:

Problema Número de acidentes Feridos Mortos
Restrição de Visibilidade 880 898 97
Defeito na Via 1.416 1.307 91
Pista Escorregadia 4.237 3.672 153
Sinalização da via insuficiente ou inadequada 411 391 20

Os dados foram disponibilizados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Caso esteja se sentindo cansado enquanto dirige ou se – enquanto passageiro – perceber a percepção do motorista afetada, faça ou peça que o condutor que dê uma pausa. Os benefícios são muitos: fazer uma caminhada em volta do carro a cada duas horas melhora a oxigenação da musculatura e do cérebro. Assim o condutor volta a dirigir com mais disposição e menos dores. A liberação de endorfina, que ocorre durante a caminhada e os alongamentos, é analgésica e também melhora o processo respiratório fazendo com que o motorista fique mais ativo.

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