Perda total: o que acontece com os veículos sinistrados?

Após o sinistro, o veículo passa à propriedade da seguradora, que avalia se há condições ou não de recuperação; depois, ele é vendido em um leilão

Por Alexandre Carneiro 14/12/18 às 15h37

Você sabe o que acontece com os veículos que sofrem perda total? Ao contrário do que muita gente pensa, nem todos eles são retirados de circulação: alguns podem ser recuperados e retornar às ruas. O que determina o destino do bem sinistrado é a extensão dos danos.

Antes de mais nada, é preciso destacar que carros que sofrem perda total passam a ser propriedade da companhia de seguros. Após a regularização da documentação, o veículo é encaminhado para leilão. A partir daí, poderá ser arrematado por pessoas físicas ou jurídicas. E voltar a circular ou não, dependendo de suas condições e das intensões do comprador.

Veículos que sofrem perda total passam à propriedade da seguradora, que avalia se há condições ou não de recuperação
Veículos que sofrem perda total passam à propriedade da seguradora, que avalia se há condições ou não de recuperação

Normalmente, a perda total é decretada quando o custo para reparar o veículo ultrapassa 75% de seu valor. Todavia, podem existir exceções. José Varanda, professor e coordenador da Escola Nacional de Seguros, esclarece que, dependendo dos termos acordados entre o beneficiário e a seguradora, por meio da apólice, esse percentual pode ser menor, mas nunca maior.

Furto, roubo, colisão, alagamento e incêndio: as diferentes causas da perda total

Outro fator determinante é o tipo de ocorrência. É que a indenização pode ser paga tanto em casos de roubo e furto quanto em situações de incêndio, alagamento ou colisão. Se um veículo tomado em um assalto, por exemplo, não for encontrado, a perda total é decretada. O mesmo ocorre se o bem for recuperado, mas tiver sofrido danos que atinjam o percentual de 75%.

Caso o veículo seja localizado após o pagamento da indenização, nada muda para o beneficiário. Porém, a seguradora poderá obter algum lucro ao vendê-lo em um leilão. Tanto nessas situações quanto no caso de sinistros de acidentes, a reutilização é definida pela possibilidade de aproveitamento integral do automóvel ou de partes dele, diz Varanda. Em casos de incêndio, entretanto, raramente os componentes podem ser reaproveitados.

Quando o veículo que sofreu perda total foi muito danificado ou não tem condições de ser recuperado, as seguradoras devem procurar o Detran para dar baixa definitiva no registro. São as próprias companhias do ramo que fazem a avaliação do bem, por meio de um laudo chamado PMG (pequena, média ou grande monta).

É o que explica Claudia Mestres, coordenadora da Leilão AUTOonline, plataforma profissional para gerenciamento de salvados da Solera. “Veículos que sofrem danos de pequena e média monta podem ser reparados e voltar a circular. Mas os que sofrem avarias de grande montra servem só para retirada de peças”, sintetiza.

Perda total não retira, necessariamente, o veículo de circulação

Mestres pondera que danos estruturais são necessariamente classificados como de grande monta pelo laudo PMG. Em tais casos, os veículos sofrem perda total e recebem baixa na documentação sumariamente. Isso ocorre, inclusive, se o custo de um hipotético conserto não atingir o teto de 75% do próprio valor. Trata-se de uma questão se segurança, já que esse tipo de avaria compromete a dirigibilidade e a proteção aos ocupantes.

Por outro lado, é possível que veículos com danos de média monta, que não chegam a atingir a estrutura, sofram perda total porque o custo do conserto atinge o percentual de 75%.  Mestres destaca que, muitas vezes, esse procedimento não é financeiramente viável para a seguradora, que precisa utilizar componentes originais para substituir os danificados. Todavia, do ponto de vista técnico, a recuperação é possível. Assim, o arrematante do bem no leilão pode repará-lo com peças mais baratas, que não são originais. E ainda revendê-lo com lucro.

Vale lembrar que componentes paralelos não são necessariamente piores que os de fábrica: existem fornecedores bons e ruins. Nesse caso, o comprador na ponta final deve ficar atento ao histórico do veículo. É recomendável ter conhecimento dos serviços executados e de todas as questões que envolvem a perda total.

Foto Shutterstock | Reprodução

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