Petrobras também lança o controverso etanol aditivado

Importante apenas na gasolina, a Shell e - agora - também a Petrobras tentam engordar seu faturamento com a desnecessária aditivação do etanol

Por Boris Feldman 17/08/19 às 09h00

Não elogio mais a Petrobras: foi só comentar que nossa gasolina, verdadeiro lixo no passado, está se tornando uma das melhores do mundo, para a poderosa estatal do petróleo copiar a Shell e lançar o etanol aditivado nos postos da BR Distribuidora.

A Shell era a única a oferecê-lo, pois não há necessidade de se aditivar o etanol: seu teor de carbono é inferior a 30%, enquanto o da gasolina é superior a 80%. Por isso é chamado de combustível “limpo”: não suja o motor e nem o meio ambiente por dois motivos. Primeiro, por emitir menos C02 que o combustível fóssil. Segundo, porque o dióxido de carbono emitido é absorvido pela cana-de-açúcar no campo.

Então, para que o etanol aditivado?

O principal motivo é aumentar o faturamento das distribuidoras e dos postos às custas de convencer o motorista de sua necessidade.

Por que só a Shell o disponibilizava nos postos? Pura jogada de marketing. Como a aditivação é importante no caso da gasolina e ninguém explica ser desnecessária no etanol, os marqueteiros da Shell e – agora – também os da Petrobras arregaçaram as mangas e decidiram “criar dificuldade para vender facilidade”.

Porque a real necessidade de se aditivar a gasolina? Porque seu elevado teor de carbono provoca depósitos carboníferos nas cabeças de pistões e câmaras.  Com as elevadíssimas temperaturas da combustão, estes depósitos se incandescem e viram pequenas brasas. Como prejudicam a combustão? Ou porque a provocam antes mesmo da faísca na vela, ou ocorrem simultaneamente, criando uma nova frente de chama.

Essa combustão é irregular, provoca a tal “batida de pino” (que nada mais é que um choque de ondas) e prejudica a eficiência do motor, reduzindo potência, aumentando o nível de emissões e que pode até danificar os pistões.

Como a aditivação é desnecessária no etanol, havia um consenso entre as distribuidoras de combustíveis de se usar aditivos apenas na gasolina. E apenas duas delas decidiram o contrário: primeiro a Shell e, agora, a Petrobras, que, também de olho em engordar seu faturamento, acaba de lançar o etanol do tipo Grid, mesma denominação de sua gasolina aditivada.

Dourando a pílula

Algum problema em abastecer com o etanol aditivado? Nenhum, exceto para o bolso do motorista, que vai, literalmente, jogar dinheiro no lixo. Poderia teoricamente ter alguma vantagem com os argumentos dos marqueteiros.

É óbvio que a Petrobras “doura a pílula” e alega a presença de um “redutor de atrito” para atenuar o desgaste entre peças que se atritam como pistões, anéis e cilindros, apesar desta redução de atrito ser função do óleo lubrificante, não do combustível.

A BR Distribuidora diz também que os aditivos (dispersantes e detergentes) “contribuem para a limpeza do sistema de alimentação de combustível e retirada de impurezas pela combustão”. Plenamente correto no caso da gasolina, porém de necessidade duvidosa no etanol por seu baixo teor de carbono.

A distribuidora afirma contar também com um “inibidor de corrosão para auxiliar na redução do efeito corrosivo do etanol nas partes metálicas do motor”. O etanol pode realmente provocar uma espécie de “gosma” em alguns locais como o filtro de combustível. Mas, como ele é substituído regularmente, não se torna um problema. Tanto que jamais foi motivo de reclamações por parte dos usuários.

Não deixa de ser curioso que só agora, 16 anos depois de lançado o carro flex, a BR Distribuidora tenha percebido a necessidade de aperfeiçoar o etanol e evitar tantos prejuízos causados ao motor.

Resumo da ópera?

A Shell já confundia o motorista valendo-se da necessidade de se aditivar a gasolina para “vender o mesmo peixe” no etanol. A Petrobras entra na mesma onda e lança o desnecessário etanol aditivado, chamado Petrobras Grid.

Vale a pena utilizá-lo? Sim, para os donos de postos e distribuidoras de combustíveis, mas corrosivo no bolso do motorista.

etanol aditivado é desnecssário

Foto Shutterstock

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15 Comentários
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    Emílio Guerriero 31 de agosto de 2019

    Olá Boris a sua opinião não me convenceu pois eu tenho certeza que o álcool combustível é corrosivo seco e não lubrifica as partes altas do motor e nesse caso o aditivada deve cumprir em teoria está função, me corrigiam se eu estiver errado,mas pessoas realmente entendidas no assunto leigos e curiosos não por favor.

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    André Luiz Brasil 31 de agosto de 2019

    Só agora porque só agora descobriram o aditivo apropriado para água que é corrosiva principalmente ao cano de escapamento / silencioso onde a água pára e acumula.
    Não se trata de aditivo pro CO2 e sim H2O.
    Prova disso é a necessidade de aditivar a água do radiador e não somente pela temperatura.
    Obrigado. André Brasil.

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    Carlos Eduardo 30 de agosto de 2019

    Eu nunca , confiei no etanol aditivado.
    Depois dessa informação então , jamais .

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    Reinaldo 26 de agosto de 2019

    O texto original, o primeiro a ser publicado estava com mais informações. Este de agora está meio “capado” e muito simplificado. No primeiro texto é citado até pontos favoráveis ao ethanol aditivado. Exemplos: “Com o álcool aditivado o efeito de motor mais solto é mais facilmente notado devido à “secura” do álcool.” e “Outro argumento a favor do álcool aditivado é este conter um aditivo chamado FMT (friction modification technology, tecnologia de modificação de atrito), um benefício que leva em conta a mínima lubricidade do álcool na comparação com a gasolina e que contribui indiscutivelmente para compensar a menor lubricidade do álcool na questão do atrito entre pistão e seus anéis e o cilindro.”

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    Fernando B. 23 de agosto de 2019

    Como eu sempre digo pelos fóruns. Para quem prefere abastecer com álcool (assim como eu), coloque um tanque de gasolina aditivada a cada 10 tanques de álcool. Eu abasteci uma única vez com álcool aditivado… e rendeu MENOS que o álcool comum, mesmo fazendo exatamente o mesmo caminho.

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    Junior 21 de agosto de 2019

    Se você diz … “porém de necessidade duvidosa no etanol”…, significa que não tem a comprovação de que é um gasto desnecessário, e por isso não deveria acusar as empresas de estarem enganando o cliente. Outro ponto é que há uma diferença de consumo quando usa-se o aditivado, só é preciso fazer a troca certa, com um único tanque não será perceptível a diferença, precisa-se de no mínimo três. E ainda deveria mostrar motores abertos que usaram somente combustível comum e os com aditivado, pra ver o quanto o uso do aditivo preserva as partes internas.

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    Marcelo 19 de agosto de 2019

    Comprei recentemente um carro flex. No 1o tanque, pus etanol comum. No 2o, pus etanol aditivado. E qual a surpresa: o aditivado rendeu MENOS que o comum!

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    Mister Gasosa 19 de agosto de 2019

    99% do povo que usa etanol usa este tipo de combustível porque ele é mais barato que a gasolina dependendo da entre safra. Caso o etanol fique mais caro que a gasolina eles vão usar a gasolina, ou seja, eles não ligam pro meio ambiente.

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    João José 19 de agosto de 2019

    Sugiro que retire o termo “estatal” do texto! Perceba que isto ocorreu na BR Distribuidora já privatizada, portanto não mais como uma das empresa subsidiária do grupo Petrobras!

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    Telmo tegon 19 de agosto de 2019

    Acho que a BR esta tentando justificar o maior valor aplicado no etanol. Pois as vendas da BR em etanol são muito baixa perante as outras bandeiras

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    Armando Tanaka 18 de agosto de 2019

    Etanol aditivado faz sim diferença em termos de redução de atrito, por mais que o maior responsável pela lubrificação dos pistões & cilindro seja pelo óleo do motor, quando se utiliza gasolina há mais um elemento que o lubrifica, porém o etanol+água tende a “desengraxar” o cilindro fazendo-o trabalhar mais seco. Quando abastecia com etanol, fiz um teste de 3 tanques com etanol comum e 3 tanques com etanol aditivado ambos da Shell e verifiquei que em termos de consumo não houve mudança considerável, mas o motor rodou mais macio com uma curva de torque mais suave com o etanol aditivado. Sugerir que as empresas só fazem isto para ganhar mais sem algum benefício ao consumidor, só o Sr. Boris provando o fato.

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      Adilson Xavier dos Santos 19 de agosto de 2019

      Eu percebo claramente a diferença dos dois combustíveis, e tem um posto Ipiranga que tem álcool aditivado( Washington Luiz). Agora o único posto Shell que tem um álcool bom é o da marginal Pinheiros, porém, já percebi que roubam na bomba e o outro que fica na estrada de Itapecerica eu, depois de abastecer lá, percebi uma grande diferença, parece que usei álcool normal, acho que comprei gato por lebre, e agora? Quem pode verificar essas minhas informações? Estou muito puto da vida com isso, até quando teremos pessoas desonestas nesse país e ficarão impunes?

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    Paulo Lima 18 de agosto de 2019

    Oi Boris! Explica para mim por que o alcool tem 30% de carbono e a gasolina 80%. Estequiometricamente isso não é possivel!!!!

    • Boris Feldman
      Boris Feldman 19 de agosto de 2019

      Olá, Paulo

      O teor de carbono é uma característica própria de cada elemento da natureza. Relação estequiométrica é a proporção entre ar e combustível mais adequada para o funcionamento do motor.

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    Carlos Minkap 17 de agosto de 2019

    Se o Boris falou tá falado.

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