Avaliação: Peugeot 208

O 208 conseguiu cair de qautro para apenas duas estrelas para a proteção dos ocupantes, bombando na segurança

Por Sérgio Melo15/06/16 às 18h13

O Peugeot 208 1.2 Allure é um veículo redondo. O adjetivo não diz respeito apenas às linhas suaves, mas principalmente ao equilíbrio geral do conjunto. O motor dialoga bem com a transmissão, que, por sua vez, se entende com a suspensão e reflete no conforto de motorista e passageiros. Porém, a retirada dos reforços estruturais da proteção lateral das versões mais simples do modelo levou o veículo a perder estrelas no teste do Latin NCAP.

Veja também nossa avaliação em vídeo:

O destaque do hatch é o novo motor 1.2 com três cilindros e 80cv de potência, vendido – e comprovado – como um dos veículos mais econômicos do país, que só fica atrás dos híbridos. O consumo, quando abastecido com gasolina, chega a 15,1 km/l na cidade e 16,9 km/l na estrada, segundo dados da montadora. O Prius, por sua vez, rende 18,9 km/l na cidade e 17 km/l na estrada com gasolina no tanque.

Uma boa definição para os motores de três cilindros é que menos é mais. Menos cilindros significa menor atrito interno, menor quantidade de peças e menor peso do conjunto. O resultado é a maior economia de combustível e fabricação mais barata. O único efeito colateral é um pouco mais de vibração e ruídos em baixas rotações, mas nada que comprometa.

Peugeot 208
(Peugeot/Divulgação)

No teste, o desempenho não foi tão econômico quanto o declarado pelo fabricante. Com gasolina o 208 fez médias de 10,3 km/l na cidade e 15,4 na estrada a 110 km/h. Em trechos mais lentos a 80 km/h, chegou a passar dos 20 por litro. O desempenho é muito adequado ao peso do veículo. Há, inclusive, ligeira sobra de força em médias rotações. Por volta das 3.000 rpm não lembra em nada um 1.0, pois respira tão bem que às vezes parece um 1.6. Claro que se fosse injeção direta e turbo seria ainda melhor.

Por dentro, destaca-se o bom gosto, com linhas modernas e bom acabamento, mas excesso de plástico e superfícies duras. Nos bancos da frente muito conforto, mas atrás, no máximo dois adultos e uma criança pequena, com comedido espaço para os joelhos de quem tiver mais que 1,80.

Diferente da maioria dos concorrentes o volante é pequeno e localizado em posição mais baixa. Normalmente se vê os instrumentos por dentro do aro, no 208 isso acontece por cima. O porta-malas com capacidade para 285 litros é pequeno, mas está na mesma faixa que os concorrentes.

Além do bom desempenho do motor, o câmbio de cinco marchas com relações curtas deixa o hatch esperto. Mas os engates não são precisos. Às vezes ao selecionar a primeira ou a ré você pensa que o engrenamento foi feito, mas ao soltar a embreagem vem aquela sonora e vergonhosa arranhada, mostrando que não estavam completamente encaixadas.

Nas curvas é como um carrinho de autorama. Pequeno e com a suspensão firme, (sem ser dura), parece colado ao chão. Outra conveniência do tamanho é a facilidade na hora de estacionar. Tanto nas apertadas garagens quanto nas vias públicas ele cabe em qualqe vaga.

No conteúdo, a lista do que falta é maior que a do que tem. Diferentemente das versões mais completas, a Allure não tem controle de estabilidade, auxiliar de partida em rampas, acendimento automático dos faróis, câmera de ré e nem GPS… Os maiores destaques presentes são o ar condicionado digital bizone sem difusores para os passageiros traseiros, direção elétrica, “bluetooth”, sistema de espelhamento do celular que só funciona com alguns modelos de telefone, e multimídia com tela de 7” dotada de uma única tomada USB, que para piorar fica em uma reentrância do console sem iluminação, tornando difícil a utilização à noite.

Bomba no crash test

Se o motor agrada, a segurança não. O 208 conseguiu apenas duas estrelas para a proteção do ocupante adulto, mostrando fraco desempenho no impacto lateral, e três estrelas para a proteção do ocupante infantil. Na avaliação anterior havia obtido quatro estrelas quanto à proteção de adultos e a mesma classificação para proteção infantil.

O teste de impacto realizado pelo Latin NCAP aprovou a versão mais básica de segurança do 208, fabricado no Brasil, em impacto frontal em 2014. Na época, conforme os protocolos do Latin NCAP, os veículos eram testados apenas no impacto frontal.

O modelo conseguiu em 2014 quatro estrelas na proteção do ocupante adulto e três estrelas para o ocupante infantil. O Latin NCAP testou agora, pelos novos protocolos, a proteção oferecida no impacto lateral por um dos modelos mais vendidos na região.

A configuração do teste de impacto frontal é a mesma que a de 2014. O veículo não conta com airbags laterais. Os reforços das portas foram removidos dos reforços estruturais para a proteção lateral, explicando a alta penetração e a proteção da pelve, em comparação com a versão europeia do modelo. Este é o resultado da pobre proteção da cabeça e do peito. Para María Fernanda Rodríguez, Presidente do Latin NCAP é decepcionante a estratégia da Peugeot vendendo um modelo fabricado localmente sem a proteção lateral, obrigatória desde 1995 na Europa.

O QUE É

Hatch compacto 4 portas.

ONDE É FEITO

Brasil, Porto Real – RJ.

QUANTO CUSTA

Ele não é barato! A versão básica “Active Manual 1.2” parte de R$ 48.990,00, a “Allure” sai por 54.835 e, a mais completa com pegada esportiva “GT 1.6 THP”, nada menos que 79.480. As vendas não são expressivas, um modesto 8º lugar entre os mais emplacados hatchs compactos.

COM QUEM CONCORRE

Os concorrentes mais vendidos custam, a partir de: Onix – R$ 39.190, HB20 – 40.545 e Fox – 45.590.

DESEMPENHO

A velocidade máxima 177 km/h e aceleração de 0 a 100 km/h em 12,8.

SEGURANÇA

Na segurança, quatro airbags e cintos de três pontos para todos… Para um veículo premium isso é pouco.

0 Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se identificar algo que viole os termos de uso, denuncie.
Deixe um comentário