Jipeiros pedem e governo pode liberar “rodões” em utilitários diesel

Jipe clubes solicitaram um projeto de lei que concedesse a autorização; texto tramita em caráter conclusivo na Câmara dos Deputados

Por Laurie Andrade16/05/19 às 12h21
Com Agência Câmara

Um pedido dos jipe clubes brasileiros deu origem ao Projeto de Lei 1636/19, que tramita em caráter conclusivo na Câmara dos Deputados e pretende alterar o Código de Trânsito Brasileiro (Lei 9.503/97) para permitir que veículos utilitários movidos a diesel, dotados de tração integral, possam utilizar conjuntos de rodas e pneus off-road com diâmetro até 50% maior.

Autor da proposta, o deputado Julio Cesar Ribeiro (PRB-DF) argumenta que a mudança no CTB impediria que alterações promovidas pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran), por meio de resolução, acabem limitando o potencial dos veículos modelo jipe.

“Dadas as características de uso dos jipes, há que se considerar a possibilidade de alteração do diâmetro externo do conjunto formado por rodas e pneus off-road. Essa alteração garante que o veículo atinja o desempenho esperado nas situações extremas a que foram propostos”, defende o parlamentar.

PL que tramita em caráter conclusivo na Câmara quer autorizar a substituição de conjuntos de rodas e pneus off-road com diâmetro até 50% maior.

Segundo as associações de veículos off-road, os chamados jipe clubes, às vezes é preciso ditar regra específica, pertinente a uma ou poucas categorias veiculares, como ocorreu com o airbag, equipamento que foi excluído da lista de itens obrigatórios dos jipes pela característica de uso fora de estrada: o uso em terrenos acidentados poderia resultar no acionamento acidental do dispositivo.

As medidas, não obrigatoriedade do airbag e permissão para aumento de até 50% do diâmetro dos pneus off road, são questionadas por especialistas por colocarem em risco a segurança de passageiros e terceiros.

O perigo de alterar o diâmetro dos pneus off-road e desligar o airbag

O assessor técnico da Fiat Chrysler Automóveis (FCA), Ricardo Dilser, explica que os carros off-road, como o Jeep Wrangler, têm tecnologias capazes de fazer leituras de velocidade das rodas, do escorregamento e da inclinação da carroceria. Esse dados são interpretados pelo carro, que entende que o modelo está em um terreno acidentado.

De acordo com o especialista, os airbags são premissas de segurança. “Os Jeeps não terão os dispositivos acionados desnecessariamente nem mesmo durante uma trilha. Agora, se for preciso, mesmo no percurso off-road, o equipamento vai deflagrar, como tem que ser. A FCA não indica que os motoristas desliguem o dispositivo fora de estrada” argumenta Ricardo Dilser.

O coordenador técnico do Centro de Experimentação e Segurança Viária, Alessandro Rúbio, complementa: “todas as fabricantes avaliam os carros em situações extremas, como uma trilha, e os programam devidamente para que os airbags se deflagrem apenas em situações necessárias”.

No caso da alteração do diâmetro dos conjuntos de rodas e pneus off-road, os riscos mecânicos são a marcha ficar mais longa, o carro perder a força, fazer mais barulho e ter a sua aerodinâmica comprometida. A parte eletrônica sofre ainda mais.

“Se o condutor aumentar em 50% o diâmetro dos pneus off-road, o carro tem possibilidade de nem rodar. Isso porque a velocidade das rodas é controlada pelos softwares e as novas dimensões não serão lidas pelos programas. Confuso, o carro terá os sistemas de segurança comprometidos”, explica o assessor técnico.

PL que tramita em caráter conclusivo na Câmara quer autorizar a substituição de conjuntos de rodas e pneus off-road com diâmetro até 50% maior.

Dilser comentou que nos Estados Unidos já existem softwares capazes de fazer a reprogramação do veículo, mas não se sabe, ainda, se os parâmetros de segurança são mantidos.

Atualmente, a legislação estabelece critérios para fazer tal tipo de mudança. Segundo o Artigo 8º do CTB, fica proibido “o aumento ou diminuição do diâmetro externo do conjunto pneu/roda”. Desse modo, é possível instalar uma roda maior, por exemplo, desde que ela seja montada em um pneu de perfil mais baixo, de modo que o diâmetro dos dois componentes juntos não seja alterado.

A conclusão é de que a proposta pode beneficiar aqueles que utilizam os carros off-road de modo recreativo ou para competição, mas coloca em risco muitas pessoas. Uma solução para esse problema poderia ser abrir a exceção apenas para automóveis que não circulam por ruas e rodovias.

Para virar lei, o texto que diz sobre os pneus off-road precisa ser analisado e aprovado pelas comissões de Viação e Transportes; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Em entrevista, fundador do Jeep Clube do Brasil conta a história do icônico Willys:

Fotos Shutterstock | Divulgação

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13 Comentários
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    Marcion Majczak 22 de maio de 2019

    Penso que se a alteração for efetivada em oficinas legalmente constituídas e com responsabilidade pelas alterações devidamente apontadas, não há porque proibir. Basta ver o que acontece em outros países. O legislador do Brasil quer sempre “ser mais rígido que o rei…”. Não falta legislação mais dura, o que falta é fiscalização e definição de responsabilidades legais pelas alterações.

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    Fabricio 17 de maio de 2019

    Renegade e Compass é marca Jeep. Acredito que não é destes modelos que está se referindo o projeto. Acho que nao deveria limitar a diesel e 4×4 integral. Riscos, faz como um colega ja mencionou aqui pega as estatísticas de acidente nos ultimos anos.

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    Eduardo 17 de maio de 2019

    Participo do grupo de jipeiros que dão apoio a Defesa Civil (NUDEC) e essa alteração na lei, dará condições para que essa ajuda seja efetiva. Outra lei que deveria ser flexibilizada, é a adaptação padronizada dos faróis xenon, para veículos que não vieram com os mesmos de fábrica.

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    Fernando 17 de maio de 2019

    Lauri Andrade, por que consultaram um especialista da FCA se o Jeep Wrangler é Gasolina e o projeto de lei está falando de Diesel?

    • AutoPapo
      AutoPapo 17 de maio de 2019

      Olá, Fernando.

      A FCA produz no Brasil utilitários movidos a diesel também, como o Compass, o Renegade e a picape Toro.

      Abraço

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    Henrique Zimmermann 17 de maio de 2019

    O problema maior são as pessoas que só pensam em si mesmas e colocam pneus gigantes apenas por estética, comprometendo a segurança de todos os demais que estão no trânsito.

    Fazer uma análise técnica séria para verificar quanto se perde em segurança com essas adaptações malucas ninguém quer, porque certamente ficará comprovado que esses veículos são um risco de acidentes com probabilidade de morte. Principalmente se considerarmos que 99% das adaptações são feitas no improviso, em oficinas de fundo de quintal.

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    Léo Magalhães 17 de maio de 2019

    Não é só quem usa veículos fora de estrada para “fins recreativos” que precisam e portanto se beneficiarão com a flexibilização da lei. Na maioria das estradas de terra, por este país a fora, o desafio de deslocamento é grande e, na maioria das vezes, requer melhorias nos veículos de sítios e fazendas, em pelo menos 2 itens fundamentais: pneus e altura do veículo. Aliás, conforme a medida do pneu, nem dá pra alterar um sem alterar o outro também. Isso precisa ser contemplado pela mudança na lei.

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    Emilio Damiati 16 de maio de 2019

    Quando, nós jeepeiros, alteramos a suspensão de nossas viaturas, e colocamos pneus maiores, também andamos mais de vagar, é só fazer um levantamento pelos policiais rodoviarios, quantos acidentes os jeepeiros provocaram nos ultimos 20 anos,tombamos nas trilhas, mas na dodovia, muito raro

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    José Monteiro S. Jr 16 de maio de 2019

    Só Diesel? E os elétricos que serão maioria em 20 ou 30 anos, nossos carros a Alcool deveriam receber todo tipo de incentivos e nao serem discriminados, o Diesel sera banido em 15 anos em vários países. Vamos rever alguns parâmetros.

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    Alexandre 16 de maio de 2019

    No Brasil não pode nada. A reportagem fala de “Jipes”, e somente a diesel. Não podemos fazer alterações em nossos veículos, sejam eles “jipes”, caminhonetes entre outros. Nos EUA você troca motor, relação, freios, rodas e tudo mais. Aqui é esse retrocesso absurdo!

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    BRUNO LUz 16 de maio de 2019

    E os carros 4×4 com versões à diesel e gasolina? Quer dizer que só 1 versão vai poder rodar com pneu maior?

    Tão fumando crack? Bebendo chá de zabumba?

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    Bruno Luz 16 de maio de 2019

    Aumenta o pneu, troca o conjunto de relação(coroa e peão) e reprograma a ECU(Com o Bully Dog, Procal…). Coloca suspensão apropriada, faz upgrade dos freios. Pronto, com o Wrangler se consegue fazer tudo isso sem comprometer a segurança e estabilidade.

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    Laerte Gueller Junior 16 de maio de 2019

    os Jeep Wrangler nos EUA recebem pneus enormes e rodam legalmente. O alongamento de relação de marchas torna o carro mais lento, portanto menos perigoso… Ok. O velocímetro pode marcar errado, mas são passíveis de aferição. Os freios ficam menos eficientes, porém há de se avaliar se compromete a segurança. Os jipes troller em quase sua total maioria, usam pneus de 33″ acima e não causam problemas com isso… São mais de 20 anos de história só deste modelo.

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