Por que Novo Argo e não Panda, ou Uno? Vamos te explicar

Novo compacto da Fiat se chamará Argo mais uma vez e especialistas em marketing explicam a decisão da marca italiana

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O novo Argo terá como base o atual Grande Panda europeu, que chegou para estrear uma nova família de produtos no Velho Mundo (Fotos: Fiat | Divulgação)
Por Marcelo Jabulas
Publicado em 04/02/2026 às 09h00

O Fiat Grande Panda se chamará Argo. Está mais que decidido, mesmo que muita gente discorde, até mesmo dentro dos corredores da Stellantis. O CEO da marca para Europa François Olivier foi quem atravessou a surpresa há cerca de duas semanas.

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O spoiler gerou reações, muita gente apostava que o carro poderia se chamar Panda ou até mesmo Uno. Mas ao que tudo indica é Argo e fim de papo. A celeuma se deu em função da proposta ousada do projeto. Na Europa, o Grande Panda marcou a chegada de uma nova família de produtos, com design cubista.

Por aqui a mesma proposta será aplicada e dará vida às futuras gerações de Fastback e Toro (ou Strada), assim como outros dois modelos. Mas para o público europeu Grande Panda é uma continuação de um carro que está em linha há mais de 40 anos. Hoje, o modelo convive com a geração passada, chamada apenas de Panda.

E como o design é uma releitura futurista da geração original, surgiu então uma expectativa em torno do nome, uma vez que a forma difere muito do Argo que conhecemos. Mas escolher um nome é tão difícil?

Por que novo Argo?

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O novo Argo terá leves diferenças do modelo europeu, como a ausência do nome gravado em baixo relevo na lateral

Apesar de a lógica ser simples, há uma delicada equação quando se escolhe o nome de um carro. O batismo pode agregar ou retirar valor. No caso do Argo, a Fiat apostou no seguro e consolidado. Ela não quer fazer um grande esforço para construir o nome Grande Panda, que não significa nada para o público brasileiro, ou um outro nome inédito.  E ela também não quer descer um degrau batizando o carro com um nome de carro popular do passado, que é o caso de Uno, como muitos apostam.

Nos corredores da Fiat, a “atravessada” do francês não agradou os executivos, que tentam desconversar sobre o assunto. No entanto, alguns comentam (sem confirmar) que Argo é um nome consolidado e forte no mercado brasileiro. Um carro que chegou em 2017 para marcar uma profunda mudança na estratégia da Fiat, da mesma forma que Panda, no Velho Mundo. “A mudança de nome poderia implicar em desvalorização do Argo atual, que é um carro que tem um giro muito alto em locadoras. Além disso, é um sucesso de vendas”, balbuciou uma de nossas fontes, sem ratificar, ou não, o spoiler de monsieur Olivier.

Força do nome Argo

E faz todo sentido, o Argo licenciou 102 mil unidades em 2025 e foi o terceiro modelo mais vendido do Brasil, atrás apenas da irmã Strada e do Volkswagen Polo. Desse total, cerca de 70% das vendas se concentraram na modalidade de venda direta. Ou seja, frotistas e locadoras compraram o hatch aos montes e não querem perder dinheiro com uma desvalorização acentuada devido à morte do nome. Se isso acontecer, amanhã eles vão comprar modelos da concorrência com menor índice de desvalorização e a Fiat amargará uma queda gigantesca de volume.

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Lançado em 2017, o Argo chegou para aposentar praticamente toda gama de hatches como Palio, Punto e Bravo

Para entender melhor sobre a importância do batismo de um carro novo, conversamos com dois especialistas em marketing que conhecem a fundo as entranhas da marca italiana instalada em Betim (MG) há 50 anos. Murilo Moreno, consultor da Sequoia Estratégia e Marketing, tem larga experiência na indústria automotiva, o “pai” dos “pôneis malditos” já passou pela Fiat e entende muito bem como é a escolha de um nome para carro novo.

Questionado se manter um nome atual, resgatar um nome clássico, ou apostar em um nome novo, o especialista explica de forma didática. “Quando se planeja um novo carro há dois fatores: o que a marca precisa e o que o mercado espera. Quando o Argo substituiu o Palio, a marca precisou dizer que se tratava de outro carro, que estava em um patamar acima. Naquele momento ela começou a contar uma nova história. Agora ela quer dar continuidade na história sobre um produto forte”, explica.

Moreno também pontua o lado do cliente. “Por outro lado, eu como cliente, tenho uma expectativa que o carro será uma continuação para, talvez, não desvalorizar o carro que está saindo de linha, ou porque a minha ligação com aquele carro é muito forte”, pontua, seguindo a mesma lógica de nossa fonte da Stellantis, uma vez que o cliente é ao mesmo tempo a pessoa física ou uma grande empresa que compra milhares de unidades por ano.

Panda não faz sentido no Brasil

Questionado se o Argo não poderia chamar Panda, Moreno é enfático. “O que é Panda? Panda é um nome forte na Europa, mas não significa nada para o consumidor brasileiro. Seria necessário um esforço muito grande para para construir a mensagem do Panda. E com o Argo, a mensagem está consolidada, não faz sentido”, aponta.

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Primeira geração do Panda é um ícone no mercado europeu, por aqui é o carro que inspirou o Uno nos anos 1980

E por que não Uno? Levamos esta pergunta para Adriano Resende, que foi head de brand da Fiat, hoje é  diretor de marketing e estratégias do Grupo Suport. “Não faz o menor sentido resgatar o nome Uno, que ficou no passado. Em 2009 fazia todo sentido, pois o Uno era um carro que vendia muito e a segunda geração chegou fazendo um grande estrondo. Um dos nomes cotados seria Boxer, mas naquele momento fazia sentido dar continuidade com a história e usar Uno, mas hoje não. Hoje o Argo é esse carro de sucesso, o carro moderno e manter seu nome só reforça a trajetória”, explica Resende que esteve presente tanto no lançamento da segunda geração do Uno como na chegada do Argo.

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Lançada em 2010, a segunda geração do Uno chegou apoiada no sucesso da primeira geração que estava em linha há mais de 25 anos

Ou seja, se a Fiat vai mudar o nome do novo Argo aos 45 do segundo tempo, só saberemos no dia do lançamento, mas a julgar pelo que executivos atuais e especialistas de marketing apontam, é Argo e ponto final.

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1 Comentário
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Santiago 4 de fevereiro de 2026

Não desvalorizar o atual Argo??? Isso não justifica!!!
O que valoriza um carro na revenda é a boa reputação do modelo e a facilidade em se achar peças de reposição, mesmo ele já tendo saído de linha.
Por outro lado lançar um modelo totalmente novo com o nome antigo, pode ofuscar a novidade e de certa maneira acarretar uma não-valorização ao modelo estreante.
Concordo que o nome Panda não emplaque muito por aqui, mas a FIAT tem sabido ser criativa tanto com os seus modelos quanto com os respectivos nomes. Palio e Argo que o digam em suas respectivas épocas.

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