Recado ao presidente Bolsonaro

Algumas sugestões para que o novo governo realize o que os últimos ficaram devendo para os motoristas brasileiros

Por Boris Feldman 30/12/18 às 10h30

Presidente: já que o senhor demonstrou firme disposição em operar uma reviravolta e eliminar velhos bolores na administração pública, o brasileiro aguarda (e torce) ansioso por suas medidas relativas ao setor automobilístico.

Inspeção Veicular – Estabelecida há 20 anos pelo código de trânsito, é fundamental para evitar a circulação de carros caindo aos pedaços, que ameaçam a segurança, poluem e – quebrados no meio da rua – provocam congestionamentos. O presidente eleito elogiou o fim da vistoria no Rio de Janeiro. E fez bem, pois, mal implantada, só tomava tempo e dinheiro do motorista. Mas deve cobrar de sua equipe um plano para que ela seja estabelecida de forma eficaz, como nos países do Primeiro Mundo.

Presidente eleito deve cobrar de sua equipe um plano para que a inspeção veicular seja estabelecida de forma eficaz


Contran/Denatran – O motorista brasileiro não aguenta mais tantos caprichos, idas e vindas, decisões tolas, atabalhoadas e óbvia submissão a interesses econômicos. Cansou de perder tempo e dinheiro com estojinho de primeiros socorros, extintor de incêndio,  brasões do estado e município na placa Mercosul e outras tantas.

Mas não vê no órgão máximo de trânsito competência nem autoridade para registrar no documento que o carro não foi levado para recall. Ou regulamentar cadeirinhas infantis em vans escolares e táxis. Ou moralizar essa ridícula e ineficiente formação de motoristas, definida pelo próprio presidente da entidade das escolas como “o professor finge que ensina, o aluno finge que aprende”…

Maracutaia do DPVAT – O que mais espera o Ministério da Fazenda para extinguir este mal-explicado monopólio, único no mundo, do seguro obrigatório? O brasileiro já foi roubado em bilhões de reais, a Polícia Federal já investigou e relacionou as quadrilhas que assaltaram os cofres da malfadada Seguradora Líder. Até hoje ninguém foi preso nem devolveu um centavo ao contribuinte.

Segurança Veicular – O governo só faz de conta que se preocupa com ela. Não temos leis atualizadas nem entidades homologadas para realizar testes de impacto. O Inmetro é um descalabro e vive escorregando ao certificar componentes de reposição, correndo solta a picaretagem no mercado.

A proteção aos ocupantes dos nossos carros é analisada por uma entidade uruguaia (Latin NCAP), que não segue nossa legislação, mas seus próprios critérios. A obrigatoriedade de alguns dos nossos equipamentos de segurança é determinada pela legislação argentina, mais atualizada que a brasileira, mas principal mercado importador de nossos automóveis. Passamos portanto a vergonha de nos curvarmos às determinações de uruguaios e argentinos.

Combustíveis – Por que a ANP desistiu da obrigatoriedade da gasolina aditivada? Até quando o monopólio da Petrobrás no refino da gasolina e importação do GNV? Os postos serão indefinidamente proibidos de implantar o self-service, como em qualquer país do Primeiro Mundo? Por que o diesel, proibido para automóveis, foi permitido para SUV´s de luxo?

Educação – País que não educa o cidadão para o trânsito desde a infância jamais verá respeitada as faixas de pedestres. Não ficará livre do lixo jogado pelas janelas dos automóveis nem dos acidentes provocados pela imprudência e desrespeito à legislação.

Fiscalização – Verdade seja dita: adiantou o exagerado rigor da Lei Seca para reduzir o número de mortos em acidentes de trânsito? Ou teríamos melhores resultados com uma fiscalização mais eficiente nas ruas?

Legislação – Nem Kafka imaginaria um sistema tão surrealista em que infrações de trânsito não são – aparentemente –  cometidas pelo motorista, mas pelo próprio automóvel. Tanto que, ao ser vendido, as infrações pendentes são transferidas para o novo proprietário. Outro surrealismo: pontos negativos no prontuário podem cassar a licença do motorista. Mas até infrações administrativas, como atraso na transferência de propriedade por problemas burocráticos, também podem tirar o motorista do volante.

Política pública – O Brasil imagina que a mal-ajambrada mistura de 27% de álcool à gasolina é suficiente para tornar o derivado da cana nossa alternativa energética no futuro? Por que o governo ainda não estimulou o desenvolvimento de veículos elétricos movidos por álcool? Quem acha impossível, convém saber que carros com esta tecnologia já rodam experimentalmente… mas em outros países.

Estamos de dedos cruzados, presidente!

Foto iStock | Reprodução

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9 Comentários
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    Thiago 28 de janeiro de 2019

    Vamos mito.sai logo dessa .e vamos mudar o Brasil.

    Eu fui roubado por essa industria de trânsito.me deram uma multa .que eu não cometi.e ainda mas foi uma multa suspensiva.no valor de 2.640,00. Mas 21 pontos na CNH.eu dependo do carro para o sustento da minha família.acaba com esse tráfico .por favor

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    Geraldo Fernandes 5 de janeiro de 2019

    CHEGOU À HORA DE :- MENOS MORDOMIAS À POLÍTICOS, MENOS PARTIDOS, MAIS ÉTICA E RESPEITO AOS ELEITORES QUE ELEGEM OS POLÍTICOS PARA MELHORAR O BRASIL, PRINCIPALMENTE, NA SAÚDE,. EDUCAÇÃO É SEGURANÇA E O PRINCIPAL ATUALIZAR O SALÁRIO MÍNIMO NOS MOLDES DE QUANDO ELE FOI CRIADO. QUE SERIAM HOJE EQUIVALENTE A R$ 4.000,00

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    Rita Tavares 5 de janeiro de 2019

    E o monopólio das placas? Somente uma empresa as fabrica, e o preço delas é exorbitante.

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    Ruan Spósito 2 de janeiro de 2019

    Possibilidade de regularização do uso do Xenon obrigatorianente em conjunto com projetor, conjunto que instalado corretamente trás uma melhora absurda na iluminação dando mais segurança para todos os motoristas, inclusive os em sentido contrário.

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      Paulo Sergio 6 de janeiro de 2019

      É certo que melhora bastante a iluminação mas em contrapartida cega o motorista que vem em sentido contrário! Eu sou contra a regularização!

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        Bruno Almeida 17 de abril de 2019

        Então fique com o candeeiro (vulgo halógena)! A proibição só existe porque os legisladores têm uma preguiça do [email protected]$#%o, já que mais fácil proibir do que instituir a obrigatoriedade de instalação do equipamento adequado.
        APRENDA: Xenon desregulado não ilumina nada e ofusca terceiros, porém devidamente regulado, com projetor, a iluminação fica perfeita e NÃO OFUSCA. Mesma coisa com LED: basta ser um produto de qualidade, corretamente regulado.
        Espero que o presidente ponha abaixo essas resoluções esdrúxulas do Contran, que só servem pra extorquir o povo, com multas descabidas!

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    arai 2 de janeiro de 2019

    Que fosse regulamentado, em nome da segurança, uso correto de faróis com lâmpadas de xenon, Ou seja, combinaão de Projetores com Lâmpadas Xenon, pois ao simplesmente trocar (uma) halógena pela xenon, mais ofusca quem vem em sentido contrário do que efetivamente iluminar. Já, instalando projetor+xenon, consegue-se direcionar feixe de luz com mais eficiência, deixando de ofuscar, além de melhor iluminar.

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    Antonio Donizeti Martins 30 de dezembro de 2018

    Já temos 130 anos de República e, ao que parece, não tivemos governantes para pensar o País. Se tivéssemos, não estaríamos no estágio em que estamos. Um governo dirige para cima, outro para baixo, outro para a direita, outro para a esquerda, e assim por diante. Não iremos a lugar algum com governos assim. Precisamos ter rumo. Não podemos voar como borboletas. Torcemos por um ESTADO NOVO.

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    IVAN VASCONCELLOS 30 de dezembro de 2018

    Boris, mais uma vez parabéns pela clareza e pela coragem sempre presentes nos seus textos. Entretanto, permita-me argumentar sobre dois pontos:

    1. Na questão da segurança veicular,não devemos ter vergonha de nos curvarmos aos argentinos e uruguaios pois eles realmente possuem legislações e práticas melhores do que as nossas. O que me causa vergonha mesmo é a incompetência e/ou irresponsabilidade dos nossos governantes ao se curvarem aos desígnios, ou lob, ou sei lá mais o que, da indústria automotiva no Brasil. No Brasil sim, pois nenhuma delas é efetivamente brasileira.

    2. O monopólio da Petrobrás foi criado, lá pelos idos de 1953, justamente porque as grandes, na época americanas e hoje multinacionais, do petróleo não davam a mínima para o Brasil e queriam nos impor seus preços, e lucros, somente importando e vendendo derivados. Depois de tanto tempo, muitos governos que se aproveitaram, estamos na situação que vivemos hoje, mas essa questão é muitíssimo mais complexa do se faz parecer. Tenham certeza que uma canetada errada pode causar um prejuízo incalculável, e irreparável, ao Brasil e ao seu povo.

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