Recall do airbag: já teve uma vítima no Brasil

Maior recall do mundo substitui airbags que ferem ou matam. Mas ainda rodam dois milhões de carros com eles no Brasil

Por Boris Feldman06/04/19 às 10h03

Perícia feita num Honda Civic 2002 que se acidentou no ano passado, no Estado do Arizona (EUA), comprovou que a morte do motorista foi provocada por estilhaços do airbag que se inflou num acidente de estrada.

Já foram 24 óbitos registrados no mundo e mais de 200 feridos por estilhaços que atingem o passageiro a quase 300 km/h. Uma das vítimas foi no Brasil: um policial num Honda Civic 2007, no estado da Bahia.

Fatos sobre este recall do airbag:

  1. É o maior do mundo, com mais de 100 milhões de carros envolvidos, a maioria produzida entre 2001e 2015;
  2. Levou à falência a japonesa Takata, maior fabricante mundial de airbags;
  3. Apesar da gravidade do problema, menos da metade dos carros incluídos no recall foi levada às concessionárias para o reparo gratuito;
  4. Várias marcas foram envolvidas no recall, entre japonesas, europeias e norte-americanas;
  5. Vários modelos brasileiros foram equipados com este airbag, até porque a Takata tinha fábrica aqui;
  6. Só no Brasil foram envolvidos 3,5 milhões de carros da Toyota, Honda, Subaru, Mitsubishi, Nissan, Fiat, Renault, Mercedes-Benz, Audi, BMW, Ferrari, GM, Ferrari e outras.
  7. Também no Brasil o dono do carro não se preocupa com o recall. Isso significa que cerca de dois milhões de carros com air bags que ferem ou matam continuam circulando por aí;
  8. As campanhas de recall custaram a começar pois os airbags demoraram a apresentar o problema e pela complexidade de se organizar as campanhas em todo o mundo, componentes de substituição, custos envolvidos, localização dos carros, etc.
Recall da airbag levou a Takata a falência

A maioria dos acidentes com airbags ocorre com carros da Honda e Toyota. Por isso, as duas empresas decidiram realizar uma campanha no Brasil para encontrar estes modelos fabricados desde 2001. As duas marcas estão fazendo muito mais do que manda a lei, publicando anúncios em jornais e outdoors, recorrendo aos Detrans para localizar seus proprietários e solicitando a colaboração das concessionárias.

O que provoca o problema do airbag? O deflagrador da bolsa inflável é acionado por um gás. A Takata resolveu usar o nitrato de amônio, que é instável e varia de acordo com a temperatura e umidade, tornando sua explosão muito mais violenta. Então, ao ser acionado, ele rompe o tubo disparador em fragmentos de metal arremessados para o interior do carro.

Ou seja, o equipamento, projetado para proteger os ocupantes do automóvel, tem comportamento contrário e está ferindo e matando quando a bolsa é inflada, no momento de um acidente. Ou, em casos mais raros, até espontaneamente.

Dicas:

  1. Confira pelo numero do chassis se seu carro está incluído na campanha de recall. Ligue no 0800 (SAC) ou para a concessionária de uma das 13 marcas envolvidas no Brasil;
  2. Ao comprar um carro usado, confira se está incluído no recall e, neste caso, se foi levado para a troca do airbag na oficina da concessionária;
  3. Se descobrir que seu carro deve ser levado para o recall, cuidado com algumas concessionárias que alegam estar vencido o prazo do recall: ele não tem prazo e vale por toda a vida do carro.
  4. Nenhuma oficina de concessionária pode alegar que a troca deve ser realizada onde o carro foi comprado: qualquer uma no Brasil faz o reparo gratuito.
  5. Se algum dos airbags de seu automóvel estiver incluído na lista do recall, desligue-o caso a concessionária peça um prazo para substituí-lo. O do motorista exige um técnico da oficina para interromper o circuito. No do passageiro, a maioria dos automóveis tem um comando para desligá-lo.

Depois de estourado, o airbag pode ser recuperado? Boris fala disso neste vídeo. Confira!

Fotos Shutterstock

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