Renault Captur Intense 2.0

Alma de romeno, carinha de francês

Por Sérgio Melo12/06/17 às 10h29

Embora plataforma, motor, transmissão, sistema de entretenimento e outros mais sejam herdados do Duster – projeto originalmente concebido pela Dacia, subsidiária romena da Renault – o visual do Captur bebe da fonte francesa. Os detalhes laterais em preto que parecem elevar sua “barriga”, como um gato arqueado pronto para o ataque, junto aos generosos vincos arredondados da carroceria proporcionam ares de juventude e vigor. O nome do crossover tem tudo a ver com o país da marca fabricante; se bem que, com tantos elementos do irmão romeno, se tivesse sido batizado como New Duster também seria adequado.

A primeira coisa que se nota ao assumir o volante é a posição elevada de dirigir  – e isso não é resultado apenas de assentos mais altos. Desde o elevado vão livre em relação ao solo (com pronunciados ângulos de entrada e saída nas extremidades da carroceria), passando pelo assoalho igualmente elevado e chegando ao teto “nas alturas”, tudo contribui para isso. Dá para ver por cima da capota de quase todos os outros carros e se alguém não estiver com o teto bem lavado você saberá.

Renault Captur Intense 2.0

Mas não se empolgue com a altura. Sem tração 4×4, esqueça o off-road ou caminhos muito difíceis, se bem que em nossa aventura diária de buracos e quebra-molas ele seja muito melhor que os modelos convencionais. Outro inconveniente está no banco traseiro. O assoalho muito alto impõe uma posição elevada para os pés e, consequentemente, toda a perna, fazendo com que as coxas fiquem sem apoio no assento, que, aliás, é muito curto. Ainda fruto da plataforma obsoleta, embora muito confortável para os ocupantes dianteiros, o espaço para quem vai atrás é reduzido. Os joelhos dos mais altos chegam a ficar apertados contra os encostos dianteiros – pior até do que se tem em SUVs com entre-eixos bem menor. O porta-malas com 437 litros é um dos maiores entre os concorrentes.

VEJA A FICHA TÉCNICA, OS EQUIPAMENTOS E TUDO SOBRE O RENAULT CAPTUR

O motor merece elogios. A versão testada 2.0 tem ótimo fôlego, proporcionando agilidade na cidade e boas ultrapassagens na estrada. Já a transmissão automática deixa a desejar. Enquanto os concorrentes vão de CVT ou soluções com até nove marchas, o Captur permanece no passado, com apenas quatro velocidades e sem borboletas no volante. Mudanças sequenciais só na alavanca. O sistema é bastante rápido, mas nas reduções de segunda para primeira em subidas dá trancos muito acima do esperado.

Renault Captur Intense 2.0

A suspensão tem curso longo e absorve bem as irregularidades do terreno sem abrir mão de boa estabilidade em uso familiar apesar da maior altura da carroceria. Os comandos são bem posicionados, com exceção dos botões de acionamento do controlador de velocidade e modo econômico. Só pode ser por implicância terem sido instalados sob a alavanca do freio de estacionamento, uma vez que seria fácil a mudança para outro local. Da forma adotada é necessário tirar completamente os olhos da estrada e realizar complicada manobra com os dedos ao redor da alavanca para o acionamento. A direção eletro-hidráulica ajustável apenas em altura é leve nas manobras e firme na estrada, mas fica devendo em suavidade. Em acionamento vigoroso ao esterçar em baixas velocidades ou parado, há uma estranha vibração capaz de tremer o carro inteiro.

O conteúdo agrada, com destaque para câmera de ré, sensor de estacionamento traseiro, sensores de chuva e crepuscular, controlador e limitador de velocidade automático, ar-condicionado (com uma só zona e sem saída para os passageiros traseiros), sistema multimídia com tela sensível ao toque, Bluetooth e GPS e chave presencial no formato de cartão. Um detalhe interessante é o sistema inteligente de gerenciamento do alternador, que prioriza o carregamento da bateria quando se reduz ou freia evitando roubar potência nos momentos de aceleração.

Renault Captur Intense 2.0

Quanto à segurança, o Captur traz controles eletrônicos de estabilidade e tração, auxiliar de partida em rampas, quatro airbags dianteiros, fixação para cadeirinha Isofix e cintos de três pontos para todos. Quanto ao comportamento em colisões, o Latin NCAP colocou a segurança do crossover a prova em seus testes de impacto. O resultado: quatro estrelas, em cinco possíveis, para a proteção dos adultos e três estrelas para a segurança das crianças. O resultado era muito aguardado, pois o Latin NCAP tornou o padrão de testes de impacto mais rigoroso, passando a adotar também o impacto lateral.

ASSISTA AQUI AO VÍDEO DO CRASH TEST DO RENAULT CAPTUR

VERSÃO TESTADA
Intense 2.0 com transmissão automática.

O QUE É
Utilitário esportivo compacto, tração 4×2, espaço para cinco ocupantes.

ONDE É FEITO
Brasil, Paraná, São José dos Pinhais.

DINÂMICA
Agradável posição de dirigir elevada, com volante leve e preciso, retomadas e acelerações vigorosas, e bastante firmeza nas curvas. Embora o bom vão livre em relação ao solo e elevados ângulos de entrada, saída e vão central, que lhe conferem facilidade nas estradas de terra, sem tração 4X4 ele não tem real aptidão para o Off Road.

ACABAMENTO
Visual agradável e moderno, com montagem bem feita predominantemente em plástico duro.

PREÇO
Parte de R$ 88.490.

COM QUEM CONCORRE
Os principais concorrentes são Jeep Renegade Limited (R$ 97.990), Honda HR-V EXL (R$ 101.400) e Nissan Kicks SV Limited (R$ 84.900).

COMPARE O CAPTUR COM KICKS E RENEGADE

Renault Captur Intense 2.0

DESEMPENHO
2.0 flex de 148 cv de potência, velocidade máxima de 179 km/h e aceleração de 0 a 100 km/h em 11,1 segundos.

CONSUMO
O consumo oficial do Captur ainda não foi oficialmente divulgado pelo plano de etiquetagem de consumo veicular do Conpet. Em nosso teste apresentou números similares ao do Duster, que tem nota A/ C, sendo um dos mais econômicos do segmento e “na média” entre os demais veículos leves.

Renault Captur Intense 2.0
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1 Comentário
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    FABIO 16 de abril de 2019

    Boa tarde, gostaria de saber se o captur 1.6 intense tem boa revenda e também se desvaloriza muito seu preço.

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