Primeiro híbrido da marca francesa no Brasil tem coração de Volvo, produção coreana e se passa por um carro de luxo
A Renault foi a primeira marca a responder ao sucesso do Ford EcoSport, que inaugurou o segmento de SUVs compactos no Brasil. Ela ensaiou uma continuação disso em 2016, quando trouxe o médio Koleos para o Salão do Automóvel, mas desistiu.
Só agora em 2026 que a Renault finalmente lançou o Koleos no Brasil, em uma nova geração e como o primeiro híbrido da marca no país. Ele chega em versão única, a Esprit Alpine, com preço tabelado em R$ 289.990.
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O Koleos possui uma tradição de ser o maior SUV da marca, porém ele nunca foi 100% Renault. As duas primeiras gerações eram baseadas no Nissan X-Trail, enquanto a atual é derivada do Geely Monjaro. O modelo que quase foi vendido aqui em 2016 usava o mesmo motor 2.5 do Nissan Altima inclusive.
Uma constante é a produção na Coréia do Sul, onde é feita pela Renault Korea — antiga Samsung Motors. O Koleos atual não é mais vendido na Europa, o foco são mercados como o Oriente Médio, América Latina e o continente africano.




O Renault Koleos deve ser um dos carros com a origem mais miscigenada que temos no mercado. Ele é de uma marca francesa, derivado de um modelo chinês, produzido na Coréia do Sul e tem mecânica de Volvo.
O SUV é feito sobre a plataforma modular compacta desenvolvida pela Volvo para o XC40 e compartilhada com várias marcas do grupo Geely. O motor 1.5 turbo de quatro cilindros também é de uma família desenvolvida pela marca sueca.
Mas ele não é o protagonista na hora de dirigir, já que o Koleos é um híbrido pleno. O 1.5 turbo trabalha em conjunto com dois motores elétricos, um para tração e outro que atua como gerador.

A potência combinada desse conjunto é de 245 cv, o torque máximo divulgado é o de 32,6 kgfm fornecido pelo motor elétrico. Esse sistema é regido por um câmbio DHT de três marchas e traciona apenas as rodas dianteiras.
O desempenho é satisfatório, é equivalente ao de um SUV similar com motor 1.6 turbo apenas a combustão. A aceleração de zero a 100 km/h fica em 8,3 segundos.
Quem gosta de colar no banco em arrancadas estará mais bem servido pelo novo Volkswagen Tiguan ou pelo Jeep Commander Blackhawk, se quiser híbrido existe o GWM Haval H6 PHEV 35. A esportividade sugerida pelo emblema da Alpine fica apenas no visual.
O acerto da suspensão é típico da Renault e lembra o adotado pelo Boreal. O SUV roda com conforto e absorve bem as irregularidades, mas tem uma boa dose de firmeza para dar segurança nas curvas. É um refinamento que ainda faz falta nos carros chineses.
O conforto dentro do Koleos é ampliado pelo bom isolamento acústico. Ele conta com ajuda do sistema de cancelamento de ruído ativo fornecido pelo sistema de som Bose com 10 alto-falantes.

O fato de ser um híbrido pleno torna o Renault Koleos atrativo para quem deseja ter os baixos custos de rodagem de um eletrificado e não pode ter um carregador em casa. Nessa faixa de preço é mais comum encontrar os híbridos plug-in, que são mais eficientes quando a bateria é recarregada na tomada.
Porém na prática nossa experiência não foi bem assim. Rodando no modo Eco e pisando leve conseguimos médias de 11,5 km/l na cidade. Em uso rodoviário ela melhorou para 12 km/l. Os dados oficiais do Inmetro apontam 13,1 km/l na cidade e 12,1 km/l na rodovia.
Como comparação, o Toyota RAV4 é homologado com médias de 15,3 km/l na cidade e 14,1 km/l na estrada. Os números que conseguimos com o Koleos seriam bons para um SUV desse porte apenas a combustão, a eletrificação faz esperar uma economia maior.






O Koleos e hoje o maior carro vendido pela Renault em sua gama global. Ele mede 4,77 m de comprimento, 1,88 m de largura, 2,82 m de entre-eixos e 1,68 m de altura.
Mesmo sendo derivado de um SUV da Geely, o desenho do Koleos possui personalidade própria alinhada com a identidade visual da Renault. Na lateral possui vincos marcados na coluna C e a grade dianteira se mistura com o para-choque.
O carro que testamos possui pintura cinza fosca, uma das quatro opções de cor e a única com esse acabamento acetinado. Ela faz um contraste interessante com os detalhes em azul brilhante da versão Esprit Alpine.
Uma característica de carros chineses que está presente no Renault Koleos é a prioridade no espaço interno. Cinco ocupantes cabem com folga na cabine e sem passar aperto no banco traseiro.
Mas o porta-malas foi prejudicado por isso, são apenas 431 litros. Fica atrás do irmão menor Boreal, que pode levar até 522 litros.




O interior do Renault Koleos parece estar mais para o lado Volvo da história, com um acabamento muito caprichado. O painel possui superfícies emborrachadas e materiais de qualidade, assim como as portas e os bancos.
A versão Esprit Alpine é oferecida apenas com interior preto, que combina o revestimento em couro com camurça. As costuras são em azul, vermelho e branco, em alusão a bandeira da frança.
O Renault Koleos possui três telas, cada uma com 12,3 polegadas. A do painel de instrumentos fica recuada, protegida contra o brilho externo.
A central multimídia segue uma interface e lógica de menu típica de carros chineses. Os controles do ar-condicionado de três zonas estão lá, mas também existem botões redundantes.
A terceira tela fica diante do passageiro e conta com uma polarização para não poder ser vista pelo motorista. Ela pode reproduzir aplicativos de redes sociais e de vídeos, mas apenas com o carro estacionado por exigência legal. O copiloto pode controlar o ar-condicionado também, mas não tem acesso ao espelhamento de smartphone.

O posicionamento do Renault Koleos é delicado em nosso mercado. Sua faixa de preço está próxima a de modelos chineses híbridos plug-in com mais potência e capacidade de rodar mais de 100 km como elétricos, como o GWM Haval H6 PHEV35.
Se for pensar em híbridos plenos, o Toyota RAV4 custa R$ 20 mil a mais e oferece maior economia de combustível. Para quem prioriza o desempenho existe o Volkswagen Tiguan ou o Jeep Commander Blackhawk.
Nesse meio o Koleos se destacou pelo acabamento e conforto a bordo, o acerto de chassi supera qualquer carro de marca chinesa nessa faixa de preço. Ele pode ser um bom upgrade para quem é fiel a marca Renault e quer algo maior que o Boreal.
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Com o preço que a Renault está pedindo nesse carro, só mesmo os modelos chineses atuando durante alguns meses, para essa montadora cair na real.Fico imaginando, se não tivéssemos a concorrência chinesa, quanto o fabricante acharia que poderia cobrar por ele!
Concordo contigo. Sem a concorrência chinesa devria custar mais ainda. Como não tenho interesse em Suv eu só observo de loge, muita grana mesmo. O que eu gostaria de ver é uma matéria comparativa de consumo entre híbridos x “normais” , me parece que consomem mais em estrada quando híbridos.
Seu comentário é bem sensato. Um carro híbrido, pelo simples fato de pesar bem mais que o similar a combustão apenas, deveria consumir bem mais combustível, em longas viagens. Mas, a SUPERIOR EFICIÊNCIA TÉRMICA, conseguida por FABRICANTES CHINESES, quebra essa lógica. É bem verdade, que para obtenção de rendimento térmico tão elevado, o motor tem que funcionar em RPM ESPECÍFICA, a mais econômica que ele possui, de modo que não impulsiona as rodas do veículo diretamente, apenas produz eletricidade
Para meu gosto pessoal (e gosto cada um tem o seu…), o Koleos tem um design elegante, sem os exageros dos outros SUVs chineses. Mas tem um pecado mortal, só antes visto nos carros populares brasileiros: o vão na caixa de rodas é enoooooooorme. Parece que o designer previu para aquele espaço pneus de 22 ou 23 polegadas. Ficou uma distância enorme entre o pneu e a carroceria. Acho que para não dar prejuízo, a Renault terá que “calçar” o carro com pneus de banda bem larga para preencher aquele vazio. Este “atentado” ao design parece o que a Toyota cometeu com aquela “marmita” como descarga do Corolla Cross, que é medonha.
Consumo ruim para um híbrido.
Todos os concorrentes citados são mais negócio, e tem também o Song Plus Premium com desempenho muito melhor.
Para meu gosto pessoal, o Koleos é muito bonito, por ser minimalista. Não é exagerado como o design de muitos chineses atuais. Mas há um erro no design que eu só via nos carros populares brasileiros: as caixas de rodas têm um vão enoooooooorme em relação ao tamanho dos pneus. Reparem, por favor! Este vão só é normal nas pick-ups, afinal, elas têm que rodar em pedregulhos, lama, neve e todo tipo de terreno irregular. Num carro urbano como o Koleos, a impressão que fica é que o designer bolou aquela caixa de rodas para pneus de aro 22, 23 em diante… Mata o visual lateral de um carro tão sóbrio, tão bonito (para meu gosto, porque gosto é igual pescoço, cada um tem um…).