O que esperar dos novos Sandero e Logan para PCD

Os mais comentados lançamentos de hatch e sedã compacto até o momento estão mexendo com o mercado automotivo brasileiro – e também com o mercado para PcD

Por Alessandro Fernandes 05/09/19 às 17h58

Apesar da melhora da economia e das condições de crédito com o menor nível de juros da história, os segmentos de maior volume no mercado automotivo brasileiro continuam sendo de hatches e sedans compactos. Por isso ainda são os mais importantes para as fabricantes, tanto que o volume de lançamentos e reestilizações deste ano e do próximo é o maior já visto.

Praticamente todas as fabricantes estão mexendo em suas linhas, e os mais recentes foram os novos Sandero e Logan, da Renault. Apesar de não ser uma nova plataforma, as mudanças visuais e mecânicas parecem ter sido acertadas, pois agradaram a maior parte da crítica, além de terem mirado o maior ponto negativo destes modelos, a transmissão.

Com a substituição do câmbio automatizado pelo CVT, migraram para o que mais agrada uma boa parcela dos consumidores que buscam câmbio assistido. E entre estes consumidores, tem ganhado a cada dia mais importância as pessoas com deficiência, ou PcD.

O que esperar do Logan e do Sandero com CVT

Com a adoção do câmbio CVT e acréscimo de dois airbags laterais em todas as versões, aliado aos retoques visuais, o Sandero e o Logan prometem bater de frente com modelos mais tradicionais em algumas faixas de preço.

O Sandero terá todas as versões abaixo do valor limite de isenção de ICMS, de R$ 70 mil. Até mesmo a cobiçada versão esportiva R.S. com motor 2.0 de 150 cv foi lançada abaixo do limite, e ,apesar de contar com câmbio manual, também pode ser adquirida com isenção de impostos por pessoa com deficiência, desde que a deficiência não exija a utilização de câmbio assistido. Ao todo, são seis versões com isenção de IPI e ICMS.

Mas o novo modelo Stepway, porém, que agora está separado do Sandero, terá apenas uma versão abaixo dos R$ 70 mil, a Zen 1.6 com câmbio manual. Portanto, se você é deficiente, gosta de carro com roupagem aventureira e precisa de câmbio automático, não encontrará na Renault um hatch compacto para comprar com as duas isenções.

A boa notícia é que todas as versões com câmbio CVT do Sandero virão mais altas e com os apliques de plástico nas caixas de roda e base das portas, bem parecido com o Stepway.

Já o Logan terá cinco versões abaixo dos R$ 70 mil, duas delas, a Zen e a Intense, com opção de câmbio CVT, já vêm também com os apliques de plástico e maior altura do solo. Ficará de fora apenas a nova versão topo de linha, chamada Iconic, esta somente com câmbio CVT.

O motor que irá trabalhar junto ao câmbio CVT, porém, não evoluiu, é o mesmo 1.6 que rende 118 cv com etanol e 115 cv com gasolina. Mas bem que poderia ter evoluído pelo menos para eliminar o tanquinho de partida a frio. Porém esta notícia não é totalmente ruim, já que este é o mesmo conjunto mecânico que equipa os SUVs Duster e Captur, dá conta do recado neles e proporcionará bastante fôlego aos 1.140 kg do Sandero e 1.160 kg do Logan.

Sandero PcD

sandero intense cvt foto alessandro fernandes divulgacao

A versão mais em conta do Sandero com câmbio CVT, a Zen, que tem preço inicial em R$ 62.990 (R$ 49.254,30 com isenção de IPI e ICMS), deverá concorrer com Chevrolet Onix LT, Citroën C3 Attraction, Toyota Etios Hatch X Plus, Fiat Argo Precision e VW Polo MSI.

O Sandero Zen vem com controles de estabilidade e tração, assistente de partida em rampa, mídia de 7” com Android Auto e Apple CarPlay, alarme, sensor de estacionamento traseiro e rodas de aço de 16”, alguns destes itens não estão presentes em muitos concorrentes. Porém não oferece piloto automático nem farol de neblina, o que alguns oferecem. Ainda assim, passa a figurar no “top 3” em custo-benefício nesta faixa de preços.

Seu público alvo principal será de casais ou famílias pequenas que buscam um carro urbano para o dia a dia com bom espaço interno e o conforto do câmbio CVT.

Já a versão Intense CVT, que começa em R$ 65.490 (R$ 51.187,66 com isenções), acrescenta piloto automático, limitador de velocidade, câmera de ré, farol de neblina, retrovisores e vidros traseiros elétricos, roda de liga de 16 polegadas, banco traseiro bipartido e ar condicionado automático. Nesta faixa de preço concorrerá com Ford Ka Hatch Titanium, Chevrolet Onix LTZ, Hyundai HB20 Premium, Citroën C3 Urban Trail, Peugeot 208 Griffe, Fiat Argo HGT, Toyota Yaris Hatch XL e VW Polo Sense. E com os itens que acrescenta passa à frente da maioria destes modelos.

Assim, além de ser um bom carro para o dia a dia, poderá ser usado em viagens com mais conforto. Quem comprá-lo poderá ter nele o único carro da família, que oferece mais conforto para quem vai atrás e acessórios que são úteis na estrada, sem contar que leva mais bagagem que todos os concorrentes diretos.

Logan PcD

O mesmo raciocínio vale para o Logan, que na versão Zen CVT parte de R$ 67.190 (R$ 49.882,57 com as isenções e 4% de bônus) e na versão Intense CVT parte dos R$ 69.690 (R$ 51.738,59 com isenções e 4% de bônus), tem os mesmos itens de série do Sandero nas duas versões, com a vantagem do porta malas de 510 litros.

logan zen cvt traseira foto alessandro fernandes divulgacao

Na primeira versão vai encarar Ford Ka Sedan SE Plus, VW Virtus 1.6 MSI, Nissan Versa SV e Chevrolet Prisma LT. A segunda vai pegar Chevrolet Cobalt LTZ, Caoa Chery Arrizo 5, Fiat Cronos  Drive, Toyota Yaris Sedan XL e VW Virtus Sense, entre outros. E assim como o Sandero, terá no câmbio e na segurança os principais diferenciais sobre a concorrência.

O Logan não é campeão de litragem de porta malas nem de entre-eixos na categoria, mas não faz feio e ganha da maioria. Assim, servirá para famílias um pouco maiores se deslocarem no dia a dia na versão Zen, e encarar uma estrada com um bom conforto e mais bagagens na versão Intense. E, convenhamos, com a pequena diferença de preço para o Sandero com isenções, vale a pena levar o Logan para ter mais conforto e porta malas.

Pontos negativos

Porém, nem tudo são flores. A Renault mudou o volante, adotando o modelo utilizado no mercado europeu, mas manteve somente as teclas do piloto automático sobre o volante, mantendo o comando satélite, aquela alavanca presa à coluna de direção para controlar telefone e mídia. Não é tão prático quanto ter os comandos à vista e girando junto com o volante.

A direção continua sendo hidráulica, em tempos em que até subcompactos tem direção elétrica. E o acabamento, continua… de compacto, com profusão de plásticos rígidos.

Mas em defesa da Renault, há maior variedade de materiais do que muitos concorrentes, com black piano no painel e puxadores das portas, tecido nos apoios de braço das portas e padronagens diversas nos bancos. A ergonomia também não melhorou muito, o comando do piloto automático nas versões Intense, por exemplo, fica abaixo do ar-condicionado, difícil acessar.

Evolução

Sem dúvida, as alterações feitas foram uma evolução em relação aos seus antecessores. As mudanças visuais, apesar de discretas, deixaram os modelos mais modernos e a elevação da suspensão os faz encarar melhor as ruas esburacadas do nosso país. Os plásticos na base da carroceria apesar de não agradar alguns, protege a lataria em pequenas esbarrões.

Quanto à mudança do câmbio, mandaram bem ao trocar o automatizado, que além de se provar menos eficiente e barato do que se esperava, ainda incomoda muita gente com os trancos ao mudar de marcha. E o CVT já é consagrado como o mais confortável e livre de trancos, apesar de não empolgar.

A grande vantagem que os modelos da Renault trarão para as pessoas com deficiência é aliar as boas características de espaço interno e porta malas dos seus compactos ao câmbio CVT e a mais segurança. Poder comprar os maiores porta malas e entre-eixos com o melhor tipo de câmbio do mercado será tentador. Apesar de ter que aguentar a direção mais pesada.

Os maiores benefícios destas mudanças serão sentidos também na concorrência. Ao abolir o câmbio automatizado, e sendo a terceira a oferecer mais airbags em compactos desde a versão de entrada – após VW e Ford – pode estar surgindo um novo patamar de segurança e conforto aos veículos de entrada no mercado automotivo brasileiro.

Em breve a maioria dos carros compactos será equipada com câmbio CVT, livre de quaisquer engasgos ou trancos, e terá no mínimo quatro airbags. Melhor do que padronizar com mídia, teto biton, roda de liga, e outras tantas firulas descartáveis que tanta gente ainda valoriza… E aí, quem ganha é o consumidor, que encontrará cada vez mais produtos alinhados com o que se encontra nos países desenvolvidos.

Fotos Alessandro Fernandes | Divulgação

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