Usar smartwatch enquanto dirige dá multa? Veja o que diz a legislação
Embora não haja menção clara aos relógios inteligentes, o Código de Trânsito prevê punições para a forma com que o motorista interage com dispositivos
Publicado em 13/08/2026 às 15h00
A popularização dos relógios inteligentes (smartwatches) trouxe praticidade ao dia a dia, permitindo checar notificações, atender chamadas e ler mensagens diretamente no pulso. No entanto, quando essa tecnologia é utilizada durante a condução de um veículo, surge uma dúvida frequente entre os motoristas: usar smartwatch ao volante pode gerar multa?
A resposta para esse questoinamento não é tão simples e exige atenção aos detalhes da lei. O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) não cita nominalmente os relógios inteligentes, mas prevê punições rigorosas para comportamentos que comprometam a atenção do condutor ou envolvam o manuseio de aparelhos eletrônicos.
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O que o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) diz sobre o Smartwatch?
A legislação de trânsito brasileira foi elaborada antes da consolidação dos smartwatches e, por isso, não possui um artigo específico para esse tipo de dispositivo. A referência legal mais próxima é o Artigo 252 do CTB, que regulamenta o uso de telefones celulares e fones de ouvido ao dirigir. O texto estabelece infração gravíssima (sete pontos e R$ 293,47) para o motorista que segura ou manuseia o celular enquanto conduz o veículo.
Na ausência de uma menção direta ao relógio inteligente, a autuação depende da avaliação do agente de trânsito sobre a conduta do motorista. Se a fiscalização flagrar o condutor digitando na tela do relógio, lendo textos ou gesticulando para atender chamadas de modo a perder o domínio do veículo, o comportamento poderá ser enquadrado como falta de atenção ou manuseio indevido de equipamentos.
O risco da distração, além da penalidade financeira
Mais do que o impacto no bolso com uma eventual multa, o perigo de interagir com um smartwatch no trânsito é a perda de foco. Olhar para o pulso pode parecer um gesto inofensivo e rápido, mas um desvio de atenção de apenas dois segundos a 60 km/h faz o veículo percorrer mais de 30 metros sem que o motorista tenha total controle sobre o que ocorre à sua frente.
Além disso, ao contrário do celular, que costuma ficar guardado no bolso ou preso ao painel, o smartwatch fica em contato direto com a pele e vibra a cada mensagem, e-mail ou alerta de aplicativo. Esse estímulo tátil constante induz o motorista a olhar para o braço de forma involuntária e repetitiva. Para neutralizar esse risco, a recomendação dos especialistas é ativar o modo “Não Perturbe” ou silenciar os alertas do relógio e do smartphone antes de iniciar qualquer trajeto.
Smartwatch vs. Celular no suporte: qual a regra?
Existe uma diferença prática e jurídica importante entre os dispositivos:
- Celular no suporte: É permitido para navegação por GPS, desde que o aparelho esteja fixado no painel ou para-brisa e que o destino seja configurado antes de o veículo entrar em movimento. O motorista não pode segurar ou tocar na tela durante o trajeto.
- Smartwatch: Não possui regulamentação que autorize seu uso para navegação visual no pulso enquanto se dirige, pois a leitura exige virar o braço e focar em uma tela reduzida, combinando distração visual e manual.
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