Stock Car 2026: briga pelo título, grid e patrocínio

Stock Car 2026: a briga pelo título, as mudanças no grid e o novo mapa dos patrocinadores da principal categoria do automobilismo nacional

STOCK CAR 2026
Na Stock Car 2026, não falta emoção, até mesmo nos bastidores (Foto: Divulgação)
Por Conteúdo de marca
CONTEÚDO PATROCINADO
Publicado em 13/08/2026 às 16h00

Felipe Fraga chega à reta decisiva da Stock Car 2026 como líder isolado do campeonato. O piloto da Eurofarma RC venceu a corrida principal de Santa Cruz do Sul no dia 9 de agosto e ampliou a vantagem que já era de 164 pontos sobre Felipe Massa e Sergio Sette Câmara. Faltam cinco etapas até a Super Final de Interlagos, em 13 de dezembro, e o regulamento ainda guarda dois mecanismos capazes de reembaralhar tudo.

O interesse pelo automobilismo também aparece no entretenimento digital. Plataformas de qualidade que reúnem cassino e apostas esportivas costumam oferecer jogos com temática de carros e velocidade e, quando possuem uma seção de sportsbook, mercados dedicados ao automobilismo. Entre os usuários brasileiros, também cresce a procura por cassinos online com pagamento via Pix disponível, principalmente pela praticidade na movimentação de valores.

A temporada, porém, não se resume à tabela. Duas equipes deixaram o grid antes da metade do ano, o motor V8 aspirado voltou depois de cinco temporadas e a categoria trocou de patrocinador máster no meio do campeonato. Quem financia a Stock Car em 2026 não é quem financiava em 2025.

Quem lidera a Stock Car 2026 e qual é a vantagem real

Fraga somava 619 pontos antes da sétima etapa, contra 455 de Massa e 455 de Sette Câmara, empatados na vice-liderança e separados apenas pelo critério de desempate. Gabriel Casagrande vinha em quarto com 439, Rafael Suzuki em quinto com 420 e Gaetano di Mauro em sexto com 410.

O atual campeão dominou o fim de semana gaúcho. Marcou a pole com 1min18s220 no Q3, superando Arthur Leist por apenas 0s085, e venceu a corrida principal com 1s813 de vantagem sobre Thiago Camilo, da Mercado Livre Racing. Di Mauro fechou o pódio com o segundo Mitsubishi da Eurofarma. Felipe Baptista, vencedor da sprint no sábado, abandonou a prova de domingo. A tabela oficial atualizada não havia sido divulgada até o fechamento deste texto, mas o resultado alarga a diferença construída ao longo do ano.

Entre as equipes, a Eurofarma RC lidera com folga, com 1.029 pontos contra 730 da Team RC e 723 da Lubrax TMG. Entre as montadoras, a Mitsubishi soma 1.393 pontos, à frente de Chevrolet com 1.288 e Toyota com 1.115.

Por que 164 pontos não significam campeonato decidido

Dois fatores impedem que a vantagem seja lida como sentença. O primeiro é o descarte dos dois piores resultados da temporada, que comprime a tabela na contagem final e favorece quem cresce no segundo semestre. Felipe Baptista, sétimo com 398 pontos aos 23 anos, é o nome que mais se beneficia dessa regra depois de duas vitórias em Cuiabá e no Velocitta.

O segundo é a distribuição das vitórias. Nas doze primeiras corridas do ano, sete pilotos diferentes venceram. Di Mauro, Fraga, Guilherme Salas, Nelson Piquet Jr. e Baptista somaram dois triunfos cada; Enzo Elias e Léo Reis venceram uma vez. Fraga não é o piloto com mais vitórias da temporada. Ele lidera por regularidade, e regularidade é exatamente o que uma prova de resistência de três horas e uma corrida de prêmio único podem quebrar.

Ainda assim, um dado pesa a favor dele: em seis etapas disputadas, apenas um piloto ocupou a liderança do campeonato.

As cinco etapas que faltam e as mudanças no calendário

O calendário do segundo semestre foi remendado em 31 de julho por causa de obras em dois autódromos, e as datas foram mantidas apenas com troca de sede.

A oitava etapa acontece em Curvelo (MG), nos dias 5 e 6 de setembro. A prova estava marcada para o Autódromo Internacional de Chapecó, mas o volume de chuvas em Santa Catarina atrasou a finalização das obras do circuito, e a Vicar transferiu o evento para o Circuito dos Cristais. Curvelo passa a receber duas etapas no mesmo ano pela primeira vez.

Em 27 de setembro, Brasília recebe a primeira corrida de endurance da história da categoria, com três horas de duração e disputa em duplas. O formato estava previsto para Goiânia, mas o Autódromo Ayrton Senna precisou de recapeamento e ficou fora do segundo semestre. A décima etapa foi realocada para Cascavel, em 18 de outubro.

A Corrida do Milhão volta em 15 de novembro, no Velopark, em Nova Santa Rita (RS), e não mais em Brasília como no calendário original. A prova não é disputada desde 2020 e paga R$ 1 milhão ao vencedor, a maior premiação individual do automobilismo sul-americano. Interlagos fecha o ano com a Super Final em 13 de dezembro.

Para quem briga pelo título, isso significa duas corridas de formato atípico nas cinco restantes. Nenhuma das duas premia quem apenas administra pontos.

As mudanças no grid: duas equipes fora em uma só temporada

A Stock Car começou 2026 com 34 carros e um discurso de renovação. Perdeu duas estruturas pelo caminho.

A primeira foi a SG28 Racing, que anunciara a primeira dupla 100% feminina da história da categoria, formada por Tatiana Calderón e Bruna Tomaselli. As pilotas nunca correram. Na abertura em Curvelo, os carros chegaram sem componentes essenciais, e a unidade de controle eletrônico do carro da colombiana só foi liberada após a classificação. Em Cascavel nenhum piloto da equipe foi à pista, e em abril, antes de Interlagos, a categoria retirou a vaga do time. A Albatroz Racing, do engenheiro Sérgio Troy, assumiu o espaço e contratou Felipe Barrichello Bartz. Calderón e Tomaselli migraram para a NASCAR Brasil.

A segunda saída foi mais barulhenta. Em 1º de julho, a Scuderia Bandeiras deixou o grid com efeito imediato, um dia depois de o STJD do Automobilismo manter por unanimidade as desclassificações de Rubens Barrichello e Nelson Piquet Jr. na etapa de Interlagos, por irregularidade nas pinças de freio. A equipe de Átila Abreu, com Christian Fittipaldi como chefe, alegou insegurança jurídica e descumprimento contratual pela Vicar e pela Audace Tech, citando cobranças de aproximadamente R$ 800 mil referentes às adaptações da nova motorização e R$ 157 mil pelo Truck Lounge de Interlagos. A categoria sustenta que o processo respeitou o direito de defesa e que as punições envolvem segurança.

O impacto esportivo foi imediato. A Bandeiras tinha três pilotos no top-10. Barrichello, Piquet Jr. e Átila Abreu ficaram sem vaga, e a categoria passou a listá-los na classificação oficial sob a designação “Sem Equipe”. Rafael Suzuki foi o único a se recolocar: em 22 de julho assinou com a Full Time e seguiu na disputa, hoje entre os cinco primeiros.

Perder um tetracampeão mundial de Fórmula 1 como companheiro de grid e um ex-piloto de F1 no meio da temporada é um custo de imagem que nenhuma tabela de pontos registra.

Quem paga a conta da Stock Car em 2026

O mapa comercial da categoria mudou mais do que o mapa esportivo, e mudou de setor.

A saída mais significativa foi a dos combustíveis e lubrificantes. A Ipiranga encerrou 17 anos de patrocínio a equipes e pilotos, com Thiago Camilo como principal nome associado à marca. A Mobil saiu depois de 19 anos, deixando também os naming rights da Full Time. A Shell seguiu o mesmo caminho. Três marcas do mesmo setor deixaram a categoria na mesma janela.

O vazio foi preenchido por outros dois perfis de anunciante. Em junho, o BRB abriu mão dos naming rights e o Bradesco assumiu o patrocínio máster para 2026 e 2027, rebatizando a competição como Bradesco Stock Car Pro Series. O contrato se estende a Bradesco TCR Brasil, Bradesco TCR South America e Bradesco Fórmula 4 Brasil, e estreou na etapa noturna de Cuiabá, em 19 e 20 de junho. O banco já apoiava pilotos como Léo Reis, Rafael Reis e Heitor Dall’Agnol desde 2025.

O segundo perfil é o do varejo digital. O Mercado Livre não comprou uma cota, comprou uma equipe: criou a Mercado Livre Racing, com operação técnica da A.Mattheis e Hélio Castroneves, Thiago Camilo e Cesar Ramos ao volante. Mais relevante do ponto de vista comercial, a empresa revende cotas de exposição nos carros, nos macacões e na comunicação do time através do Mercado Ads, o próprio braço publicitário. O patrocinador virou intermediário de patrocínio.

A terceira mudança é de distribuição, e talvez seja a mais determinante para o valor de qualquer cota vendida daqui em diante. Em fevereiro, o Grupo Globo não renovou o acordo de transmissão firmado 26 anos antes, e a SporTV deixou de exibir a categoria na TV por assinatura. A Band ficou com a exclusividade. A etapa de Santa Cruz do Sul foi transmitida de graça pelo canal Esporte na Band no YouTube, pelo aplicativo Bandplay e pelo Band.com.br, com público estimado pela organização em 10 mil pessoas no autódromo.

Uma categoria que perde a TV paga e ganha o YouTube muda o que está vendendo. Deixa de vender alcance certificado por audiência de TV e passa a vender engajamento digital mensurável, que é um produto diferente, com outro comprador e outro preço.

E as bets? O que os números realmente mostram

Existe uma leitura corrente de que as casas de apostas se tornaram o principal setor investidor do esporte brasileiro, motorsport incluído. Os dados de 2026 não sustentam isso.

No futebol, que é onde o setor concentrou o investimento, houve recuo. O Brasileirão de 2026 começou com 12 dos 20 clubes da Série A exibindo casas de apostas no espaço máster, contra 18 na temporada anterior, uma queda de um terço. Vasco, Grêmio, Internacional, Coritiba, Bahia e Santos romperam contratos sem substituto imediato. Na Série B, a Superbet não renovou os naming rights da competição.

A causa é regulatória, não esportiva. A taxa de outorga de R$ 30 milhões e a tributação sobre o GGR, que sobe de 12% para 15% de forma escalonada até 2028, comprimiram margens e forçaram revisão de orçamentos. O fim do custo regulatório zero atingiu diretamente o caixa dos clubes.

Na Stock Car, a evidência aponta na direção oposta à do senso comum: a categoria trocou patrocinador estatal por banco privado e ganhou um marketplace como dono de equipe. O setor de apostas segue presente no ecossistema esportivo brasileiro e continua comprando mídia em transmissão, mas chamá-lo de primeiro investidor do automobilismo nacional em 2026 é uma afirmação que os contratos públicos não confirmam.

O que decide o título até 13 de dezembro

Três variáveis. O descarte dos dois piores resultados, que reduz a vantagem contábil de Fraga na conta final. A corrida de endurance de Brasília em 27 de setembro, formato inédito na história da categoria e portanto sem histórico que sirva de referência para ninguém. E a Corrida do Milhão do Velopark em 15 de novembro, onde R$ 1 milhão em jogo tende a produzir pilotagem que não se vê em corrida de campeonato normal.

Massa e Sette Câmara precisam de mais do que regularidade para reverter 164 pontos em cinco etapas. Precisam que Fraga abandone pelo menos uma vez. Baptista, com duas vitórias e o melhor aproveitamento recente do grid, é o nome mais perigoso da tabela abaixo do pódio.

Você aposta na regularidade de Fraga ou em uma virada nas duas provas de formato especial?

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