Em busca de um usado? Seja um comprador esperto

Vendedores picaretas adoram passar clientes para trás. Seja malandrão e não caia nessa

Por AutoPapo09/08/17 às 09h35

Não podem faltar cuidados para quem está pensando em adquirir um veículo usado ou seminovo. É preciso atenção a vários detalhes para não ser vítima de picaretas, golpistas e revendedoras mal intencionadas. Por isso, fique ligado nas armadilhas desse caminho e saiba como escapar delas.

Hodômetro adulterado – Um desses artifícios é o truque do hodômetro adulterado, que serve para aumentar o valor do veículo. O contador de quilômetros, analógico ou digital, pode ser criminosamente modificado para exibir um número mais atraente aos olhos do comprador. Para não cair nessa, desconfie se o automóvel – que apresenta características de veículos mais rodados – tiver quilometragem muito baixa. Lembre-se de olhar o manual do proprietário para conferir se as revisões conferem com a quilometragem do hodômetro. Etiqueta de troca de óleo denuncia a quilometragem verdadeira.

Em veículos mais modernos também é possível analisar a central eletrônica em uma oficina ou empresa especializada. O dispositivo registra diversas informações do veículo, inclusive a quilometragem original que desmente o ” hodômetro mentiroso”.

O colaborador do AutoPapo, consultor e perito judicial Sérgio Melo sugere que se examine volante, pedais e manopla do câmbio para detectar sinais de uso. Esses itens se desgastam com o tempo e podem contradizer aquele número baixo no quadro de instrumentos. Como referência, a quilometragem média anual de um carro no Brasil fica entre 12 e 15 mil km.

Pneus – Podem enganar se não forem examinados cuidadosamente. Picaretas têm várias formas de engambelar o freguês. 1 – Equipar o carro com pneus remoldados que são perigososos embora certificados pelo Inmetro. No processo de remoldagem podem ser utilizadas carcaças projetadas para veículos diferentes e, no Brasil, não se exige que estas características sejam mantidas na banda lateral. 2 – Outro perigo é ter pneus que já “expiraram”: seu prazo de validade é de seis a sete anos e a data de fabricação – que está registrada na banda lateral – tem que ser conferida, qualquer que seja o estado do pneu. 3 – Pneus “frisados”: o sulco na banda de rodagem já estava no final mas o borracheiro, com um ferro quente, o aprofunda. Um perigo. 4 – Outro truque é calçar as rodas com pneus importados de marca desconhecida e qualidade duvidosa, mas extremamente baratos, os chamados “xing-ling”.

Termômetros – A cor na extremidade do escapamento revela muito sobre o estado do motor. Se estiver preta, é sinal de consumo excessivo de combustível, pois a mistura ar/combustível está rica. Quando esbranquiçada, acusa consumo elevado de óleo lubrificante. O carro solta fumaça branca tão logo o motor é ligado. Pneus dianteiros com desgaste irregular apontam problemas na suspensão. E o preço do reparo pode ser alto. Velas de ignição sujas de óleo indicam que o motor tem vida curta. Lembre-se também de puxar a vareta do óleo do motor para verificar infiltração de água. Sinal de que o motor está precisando de retífica.

Garantia – Todo carro comprado de pessoa jurídica – revenda autorizada ou não – tem garantia legal de 90 dias prevista pelo Código de Defesa do Consumidor. Então, não caia na lábia do vendedor de que a garantia do motor/transmissão é de 90 dias. Ou seja, serão 90 dias da loja acrescidos de outros 90 dias do código. Peça por escrito. Quando se adquire de pessoa física não há garantia.

Recall – É importante lembrar de contatar a fabricante para verificar se aquela unidade que está sendo adquirida passou todos os recalls convocados pela montadora. Basta ligar para o 0800 e fornecer os dados do veículo, como chassi, por exemplo. Menos da metade das convocações de recall são atendidas.

Penduricalhos – No afã de fechar logo o negócio não esqueça de verificar se estepe, macaco, chave de roda estão lá. Parece bobagem, mas não custam barato. Lembre-se da chave reserva e do manual do proprietário.

Eletrônica – Ela revolucionou o automóvel, mas permite gambiarras. Vendedores desonestos costumam desativar a luz espia do airbag no painel nos carros que tiveram colisão frontal. Nesses casos, o airbag funcionou e não foi reposto. O mesmo acontece quando há danos no ABS. Para dissimular a falta do airbag e funcionamento precário do ABS, os velhacos simplesmente apagam a luz no painel. Ou então fazem a maracutaia de acender a luz do ABS ou do airbag por alguns instantes com a transferência da corrente de um para outro. Quem compra o carro acha que está tudo certo, mas quando precisar, nem um nem outro.

Test-drive – Fique atento aos truques do vendedor que pode ligar o som do carro para esconder ruídos vindos dos sistemas de direção/suspensão, escapamento solto, ronco da caixa de marchas, barulho nos rolamentos de roda, ruídos internos provenientes de painel, bancos, portas, entre outros. Fique atento também ao percurso. Para evitar forçar o motor, que pode estar fraco, o test-drive costuma ser em locais planos onde não é possível testar nem a embreagem. Quando submetida a esforço, pode trepidar.

Anúncios – Outro perigo são os anúncios na internet, nos quais usados são, às vezes, oferecidos em condições surpreendentes. Por isso, jamais feche negócio sem examinar o veículo pessoalmente. Não é difícil perceber se o dono anterior cuidava do carro, se as manutenções eram realizadas de acordo com o manual da fabricante e se a carroceira não sofreu danos consideráveis em acidente grave.

Todavia, existem casos em que a esperteza do comprador tem que ser maior. Um bom exemplo é o carro anunciado por um preço muito baixo, bem inferior à média do mercado e de tabelas como a Fipe. Duas coisas podem justificar a “camaradagem” do vendedor:

A primeira é que o carro sofreu um acidente grave, teve “perda total”, foi arrematado em leilão por uma oficina picareta, passou por reparos que dão apenas para o gasto e foi colocado à venda por uma loja ainda mais desonesta. Nestes casos, as seguradoras têm um esquema fechado de comunicação, sabem que o carro sofreu PT e se recusam a segurá-lo novamente. A segunda possibilidade é a de que o modelo anunciado não é o da foto que aparece no site. Por isso, nada de depositar sinal ou qualquer quantia antes de dar uma olhada – e uma volta – no automóvel.

Roubado – Também não custa nada se certificar de que o carro não é roubado, leiloado, está penhorado ou sofreu baixa pelo Detran. Para isso, basta consultar o órgão de trânsito, aliada a uma pesquisa pela reputação da revendedora na internet. Existe ainda a possibilidade de receber multas cometidas pelo dono anterior. Consulte o órgão de trânsito para saber se há multas.

Agora, digamos que o leitor escapou de todas essas frias e está perante um verdadeiro exemplar de bom negócio. Encontrou um carango de segunda mão que é genuíno, nunca foi roubado ou batido, e ainda por cima conta com apenas 20 mil quilômetros rodados. Aí, há um último obstáculo, que é o “mito da quilometragem baixa”.

O termo fica a cargo do perito em vistoria veicular da Procemax, Matheus de Almeida, que explica que mais importante do que a distância percorrida são as horas de funcionamento do veículo. Ou seja, o tipo de uso que se faz é determinante. Um carro que é usado principalmente na estrada terá uma quilometragem mais alta, mas um desgaste muito menor do que um veículo que roda a maior parte do tempo na cidade.

Então, não fique deslumbrado se der de cara com uma quilometragem baixa, porque isso não é tudo. Mais uma vez, verifique o histórico do veículo e confira se ele recebeu as devidas revisões e trocas de óleo. E então, finalmente, pode fechar o negócio e dormir tranquilo.

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