De Vemaguet a Parati: as 10 peruas mais icônicas do Brasil

Há uma semana, saiu de linha a Fiat Weekend, última station wagon nacional; listão é homenagem do AutoPapo aos modelos históricos desse segmento

Por Alexandre Carneiro 02/02/20 às 10h00

O encerramento da produção da Fiat Weekend (ex-Palio), há uma semana, extinguiu o segmento de peruas no Brasil. O veículo era o último de seu gênero vendido no país por uma marca generalista: agora, quem quiser uma station wagon tem que recorrer ao mercado de usados ou desembolsar algumas centenas de milhares de reais por um produto premium. Para muitos consumidores, trata-se de uma notícia triste. Afinal, diferentes gerações cresceram nos bancos traseiros não só do modelo ítalo-mineiro, mas de similares como Volkswagen Parati, Ford Belina ou Chevrolet Caravan.

Se você está entre os entusiastas das peruas, provavelmente vai gostar deste listão: enumeramos os 10 veículos mais icônicos desse segmento no país. Na relação, entraram unicamente produtos nacionais. Como foi preciso escolher apenas uma dezena de modelos, é claro que outros tantos tiveram que ficar de fora. Porém, se você é fã de algum deles, preste sua homenagem lembrando-o nos comentários. E, fora de linha ou não, save the wagons!

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De Vemaguet a Parati: as 10 peruas mais icônicas do Brasil

1. DKW Universal/Vemaguet

dkw vemaguet

A Vemaguet entrou para a lista por um motivo lógico: foi o primeiro automóvel fabricado no Brasil. Sim, o produto pioneiro da indústria nacional é uma perua! Lançada em 1956, nadou de braçada no segmento durante mais de uma década, superando em vendas, por larga margem, a Simca Jangada, que apesar de ser maior e mais cara, era a concorrente mais próxima.

Inicialmente, ela foi chamada de DKW Universal. O nome definitivo, Vemaguet, alusivo à Vemag, veio em 1961. Em 1966, a Volkswagen adquiriu as operações da marca concorrente no país, e um ano depois, encerrou a produção de todos os produtos, inclusive da icônica peruinha. Do início ao fim, a pioneira manteve-se fiel ao motor 1.0 de três cilindros e dois tempos.

2. Volkswagen Variant

Herdeira, de certo modo, dos compradores da Vemaguet, a Variant foi lançada em 1968. Talvez isso a tenha ajudado a dominar o mercado de peruas no Brasil. Em razão da arquitetura da Volkswagen com motor 1600 a ar posicionado na traseira, tinha curiosos dois porta-malas: um na dianteira, embaixo do capô, e outro na parte posterior, em cima do próprio propulsor.

A primeira geração durou quase uma década, até ser aposentada pela sucessora Variant II em 1977. Porém, o modelo mais novo não conseguiu repetir o sucesso do original e acabou perdendo a liderança da categoria para a Ford Belina. Por isso, teve um fim precoce e saiu de linha já em 1980. A Volkswagen só voltou a ter uma perua em 1982, quando concluiu o desenvolvimento da Parati.

3. Ford Belina

A Ford tem uma longa história no Brasil, mas, espantosamente, só fabricou duas station wagons no país: a Belina e a Royale. A perua Maverick era feita de modo independente pela concessionária Souza Ramos, enquanto Escort SW, Mondeo SW e Taurus SW eram importadas. Se, por um lado, a marca deu poucas tacadas no segmento, por outro ela acabou sendo extremante certeira justamente com seu primeiro produto do gênero.

Lançada em 1970, a Belina foi rapidamente aceita pelo mercado e sempre vendeu bem. Derivada do Corcel, herdava dele o motor 1.3 e a tração dianteira (algo ainda incomum para a época).  Já com a cilindrada aumentada para 1.4, chegou à segunda geração em 1977. No ano seguinte, chegou  o propulsor 1.6. Saiu de linha somente em 1991, já com mecânica Volkswagen 1.8 e associada ao Del Rey, mas sem modificações estruturais.

4. Chevrolet Caravan

chevrolet opala caravan

A Caravan foi a primeira perua nacional da Chevrolet e também a de maior aceitação mercadológica. Chegou ao mercado em 1976, nada menos que oito anos depois do Opala, do qual é derivada. Os dois modelos conquistaram uma legião de fãs e são, hoje, disputados por colecionadores de carros antigos.

Durante quase uma década, a perua foi a única de grande porte vendida no país. Ela atravessou a década de 80 sofrendo sucessivas modernizações, mas sempre permaneceu essencialmente a mesma, inclusive na mecânica, capitaneada pelos motores 2.5 de quatro cilindros e 4.1 de seis. Em 1992, uma Caravan ambulância foi o último veículo da linha Opala fabricada no Brasil.

5. Volkswagen Parati

Projetada a partir do Gol, a Parati faz parte de uma das gamas de veículos de maior sucesso da indústria nacional. As vendas começaram em 1982 e não tardaram a superar a concorrência. Inicialmente, o motor era o 1.5 do Passat, logo substituído por uma unidade 1.6. Posteriormente, seria oferecido também um 1.8.

A evolução da Parati seguiu com mudanças superficiais até 1996, quando foi apresentada a segunda geração. Maior e mais arredondada, novamente seguindo os passos do irmão Gol, a perua ganhou opção de motor 2.0. No ano seguinte, finalmente veio a carroceria de quatro portas e, em 1998, a fogosa versão GTI 16V. O modelo ainda passou por duas reestilizações que, apesar de não se configurarem como novos projetos, foram chamadas de G3 e G4 pela Volkswagen. A fabricação foi encerrada em 2012.

6. Volkswagen Santana Quantum

vw santana quantum

Espécie de irmã maior da Parati, a Quantum estreou no Brasil em 1985, cerca de um ano depois do Santana, do qual derivava. Até hoje, foi a única perua nacional da Volkswagen fora do segmento de compactas.

No princípio, era equipada com motor 1.8, mas passou a ter opção de um 2.0 em 1988. Santana e Quantum foram extensamente reestilizados para a última década do século XX. A perua começou a ser comercializada em 1992 e, a partir de então, recebeu apenas pequenas intervenções. Após sobreviver por mais um decênio, ela foi descontinuada em 2002.

7. Chevrolet Omega Suprema

chevrolet suprema

Ao contrário das outras peruas da lista (inclusive da antecessora Caravan), a Suprema nunca teve vendas expressivas. Pelo contrário: a baixa aceitação fez com que ela tivesse carreira curta. Lançada em 1993, saiu de linha já em 1996, dois anos antes do sedã da gama, o Omega. Então, por que a menção? Pelo fato de ter sido a mais sofisticada e luxuosa station wagon na história da indústria automobilística nacional.

Apesar de ter sido fabricada por pouco tempo, a Suprema teve boa variedade de motores. Nos primeiros anos, havia um 2.0 de quatro cilindros e um 3.0 de seis cilindros, substituídos em 1994 por um 2.2 e um 4.1. Hoje, a produção reduzida dá às raras unidades da Suprema que ainda sobrevivem em bom estado o status de neo-colecionáveis.

8. Fiat Palio Weekend

A Fiat já estava inserida na categoria de peruas compactas desde 1980, inicialmente com a Panorama e, mais tarde, com a Elba. Porém, foi só com a Palio Weekend que a marca italiana conseguiu assumir, pela primeira vez, a liderança do segmento, desbancando a Parati. O êxito se deve à variedade de motorizações (1.0, 1.3, 1.4, 1.5, 1.6 e 1.8) e de versões, com destaque para a Adventure, precursora dos automóveis com adereços off-road.

O sucesso foi tanto que a Weekend permaneceu em produção por 23 anos. Nesse período, passou por quatro reestilizações, mas nunca teve uma nova geração propriamente dita, projetada a partir do zero. No fim da carreira, bastante defasada e sem o nome Palio, já não enfrentava mais concorrentes diretas: era a única station wagon ainda vendida no país. A fabricação foi encerrada no último dia 27, mas ainda há algumas unidades zero-quilômetro nos estoques das concessionárias.

9. Toyota Corolla Fielder

toyota corolla fielder 2008

Verdadeiro fenômeno de mercado, o Corolla lidera a categoria de sedãs médios há quase 20 anos. Por isso, não chega a surpreender que a última perua com vendas expressivas fora do segmento de compactas tenha sido derivada dele. Trata-se da Fielder, que foi fabricada no país entre 2004 e 2008, sempre com motor 1.8.

Durante a curta carreira em solo brasileiro, a Fielder fez bonito: vendeu muitíssimo mais que a Fiat Marea Weekend e a Peugeot 307 SW, suas únicas concorrentes diretas. Porém, já prevendo uma queda na demanda por peruas, na geração seguinte a Toyota preferiu nacionalizar apenas o sedã. Vale lembrar que a station wagon sobreviveu no exterior e ainda é comercializada em países da Ásia e da Europa.

10. Renault Mégane Grand Tour

renault megane grandtour 17

Eis aqui outro modelo nunca se destacou pelo número de emplacamentos. Porém, garantiu lugar na lista por ter sido a última perua média fabricada em solo brasileiro. Durante o lançamento, em 2006, a Renault afirmou que ainda havia espaço para modelos desse tipo no mercado. Infelizmente, estava enganada: nem a marca francesa nem qualquer outra multinacional jamais voltariam a anunciar a produção de uma station wagon no país.

Assim como o irmão Mégane, a Grand Tour podia ser adquirida com motores 1.6 ou 2.0. A partir de 2011, apenas a versão de entrada Dynamique, com o propulsor de menor cilindrada, passou a ser disponibilizada. Os preços eram competitivos com os das peruas compactas, mas o crescimento nas vendas não foi o esperado. Assim, em 2012, a Renault interrompeu definitivamente a produção de sua única station wagon nacional.

Fotos de divulgação

22 Comentários
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    Paulo 6 de fevereiro de 2020

    Realmente, a Chevrolet Marajó ficou fora da relação.

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    ADRIANO 3 de fevereiro de 2020

    Sou apaixonado pela Quantum, só minha mulher que não gosta,kkkk

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    Suemar 3 de fevereiro de 2020

    Faltou ai na minha opinião minha esses grandes carros que foram o
    Corsa wagon, a Chevrolet Ipanema, Chevrolet Marajo, tambem a Elba da fiat
    e principalmente a primeira perua 4 portas brasileira, a nossa consagrada Veraneio

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    Suemar 3 de fevereiro de 2020

    Faltou ai na minha opinião minha esses grandes carros que foram o
    Corsa wagon, a Chevrolet Ipanema, Chevrolet Marajo, tambem a Elba da fiat
    a Santana Quantum e principalmente a primeira perua 4 portas brasileira, a nossa consagrada Veraneio

    • Alexandre Carneiro
      Alexandre Carneiro 5 de fevereiro de 2020

      Caro Suemar,
      Como foi preciso escolher apenas 10 peruas, logicamente alguns modelos tiveram que ficar de fora da nossa lista. Marajó, Ipanema e Corsa Wagon não tiveram vendas tão expressivas e, por isso, em vez delas, preferimos citar a Suprema, também da Chevrolet, que apesar de ter tido pouca aceitação, marcou época pelo alto nível de sofisticação. O mesmo vale para a Elba: no lugar dela, preferimos referenciar a Weekend, que foi líder de vendas no segmento. Já a Quantum foi citada: é a 6ª da lista. Quanto à Veraneio, não entrou na relação por não ser, a rigor, uma perua: por suas características de projeto, está mais para utilitário, assim como Blazer, SW4 e outros modelos derivados de picapes.
      Abraço e obrigado por comentar.

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    Júnior 3 de fevereiro de 2020

    Diga se de passagem, a DKV era três cilindros 2 tempos, o motor funcionava com 3 com 2 e ou 1 cilindros, eram independentes, cada um tinha seu sistema, e detalhe o roda livre e ou hoje EcoRoll.

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    Roberto 3 de fevereiro de 2020

    Faltou incluir o Simca Jangada.
    O Jangada era muito bonito para a época.

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    Leoni 3 de fevereiro de 2020

    Faltaram ai nessa lista o corsa wagon, 206, 207, 307 e 407sw, i30cw, spacefox, jetta, passat e golf variant. Vamos melhorar essa lista aí.

    • Alexandre Carneiro
      Alexandre Carneiro 3 de fevereiro de 2020

      Caro Leoni,
      Nossa lista é composta apenas por peruas nacionais: isso é explicado logo no início da matéria. A maioria dos modelos citados por você (307 SW, 407 SW, i30CW, Jetta Variant, Passat Variant e Golf Variant) chegava ao Brasil via importação.
      Abraço!

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      Marcelo 3 de fevereiro de 2020

      E faltou a Brasília e o TL

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      Suemar 3 de fevereiro de 2020

      Isso mesmo falatou mesmo a corsa wegon
      Marcou muito essa perua

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      Suemar 3 de fevereiro de 2020

      Faltou ai na minha opinião minha faltou ai esse grande carro que foi o
      Corsa wagon, a Chevrolet Ipanema, Marajo, tambem a Elba da fiat e principalmente a primeira perua 4 portas brasileira, a nossa consagrada Veraneio

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    vanderuy SCHALSINA AMERICO 3 de fevereiro de 2020

    Muito legal a matéria, literalmente “viajei no tempo” aprendi a dirigir numa Vemaguet e hoje me sinto muito feliz com uma Parati 2.0 . São carros que fizeram e continuam fazendo parte da história de muitas famílias.

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    Márcio 3 de fevereiro de 2020

    Uma pena que esses carros estejam saindo de linha , tenho uma parati 2008 a surf , só tenho a falar dela coisas boas , custo e manutenção muito pouco , carro super forte motor ap coisa de outro mundo .

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    Ernani 2 de fevereiro de 2020

    Tenho uma Corsa Wagon! Top demais!!

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    Elvio Oscar 2 de fevereiro de 2020

    Esqueceram de mencionar a Chevrolet Veraneio, era a top da época.

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    Pierino Schifino 2 de fevereiro de 2020

    Outra memorável perua foi a Marajó, derivada do Chevette, é que deixou saudades.

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    JOSE ROBERTO RIBEIRO SARAIVA 2 de fevereiro de 2020

    E a Suprema?

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    Margareth Lucas Pereira 2 de fevereiro de 2020

    Tenho 2 paratis uma 200 outra 2011 que pena que encerrou.Carro bom forte recistente,econômica.Nunca tive problemas mecânicos e nem elétricos.Mesmo uma vez que esqueci de conferir água e óleo,ficou sem água e sem óleo até ela comessar a falhar e ferver. Mesmo com isto não sofreu danos em parte alguma.isto ocorreu a uns 9 anos .Não foi necessário nenhum reparos.Ela contínua firme até hoje.

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    Adriano da Silva Vianna 2 de fevereiro de 2020

    Esqueceu a Ipanema, q para mim tem muito mais valor, do que a Grandtour, pois o nível de vendas da Ipanema, foi muito maior do que.a SW da Renault, principalmente por seu conforto, preço e manutenção fácil associados. Já a Grande Tour além de ser muito cara, bebia muito, e quanto a custo de manutenção nem se fala, além das peças muitas vezes nem na autorizada se encontrava.

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      Margareth lucad 2 de fevereiro de 2020

      Tive uma Ipanema .porem nao gostei. Muitos problemas com bubinas

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      VANDERUY SCHALSINA AMERICO 3 de fevereiro de 2020

      Bem lembrado a Ipanema é um excelente carro, todas as qualidades do Kadett e muito mais espaço no porta malas

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