Vendas de carros crescem no Brasil, mas sem a participação das montadoras ‘tradicionais’
Com alta nos importados e forte presença chinesa, mercado automotivo cresce no Brasil sem impulsionar a produção nacional
Publicado em 13/09/2026 às 13h00
Apesar de agosto último apresentar bons resultados — média diária de vendas 13,1 mil unidades foi a segunda melhor do ano, atrás apenas de maio, com 13,7 mil/dia — Igor Calvet, presidente da Anfavea, destacou o avanço dos importados e a perda de participação dos veículos nacionais.
Ele sinalizou que nos primeiros oito meses deste ano as vendas apontaram um bom crescimento de 18,4%, porém a produção cresceu apenas 8,5%. “Não estamos capturando todo o crescimento do mercado”, acrescentou.
De janeiro a agosto deste ano a comercialização de modelos importados de automóveis e comerciais leves avançou 30,3%, enquanto os de produção nacional somente 17,2%. Calvet informou que dos 148 mil veículos adicionais, apenas 47 mil foram efetivamente produzidos no Brasil.
VEJA TAMBÉM:
- Carros mais vendidos de agosto: BYD e GWM dominam o top 10
- Bateria de carro elétrico ‘vicia’ em cerca de 10% após 100.000 km, conclui estudo com 500 mil veículos
- Morre Claudio Carsughi, ícone do jornalismo automotivo e esportivo, aos 93 anos
Dos restantes 101 mil, a grande maioria da China prontos, parcialmente (SKD) ou totalmente desmontados (CKD) e, portanto, não agregaram conteúdo local importante.

Entre os 10 modelos mais vendidos no mês passado, três já eram chineses, sendo um importado e os outros dois com índices simbólicos de peças brasileiras como pneus e vidros. O executivo não fez projeções sobre até que nível modelos chineses poderão avançar.
Imposto ‘cheio’ em 2027
Um ponto relevante é que, a partir de janeiro próximo, todos os veículos elétricos importados, mesmo CKD e SKD, estarão sujeitos aos 35% de imposto de importação (I.I.) estabelecidos desde a década de 1990. Contudo, ainda há um estoque elevado de modelos elétricos da BYD que chegaram isentos de I.I.
No exterior, incentivo fiscal tem um valor fixo na moeda local e muito inferior ao praticado no Brasil. Além disso, exportações chinesas para a Argentina também deslocaram veículos brasileiros no país vizinho.
Mesmo com avanço importante de carros elétricos e híbridos no mercado nacional de automóveis e comerciais leves (juntos 94%, sobrando 1% para ônibus e 5% para caminhões) sua participação permanece muito baixa nas vendas de janeiro a agosto.
Apesar de percentuais de crescimento elevados enganosos por “capricho” matemático que levam a “comemorações”, confira o panorama:
- Flex: 68,3%;
- Gasolina: 2,7%;
- Etanol: 0,1%;
- Híbridos: 5,9%;
- Híbridos plugáveis: 6,1%;
- Elétricos: 7,6%;
- Diesel: 9,2%.
👍 Curtiu? Apoie nosso trabalho seguindo nossas redes sociais e tenha acesso a conteúdos exclusivos. Não esqueça de comentar e compartilhar.
|
|
|
|
X
|
|
|
Siga no
|
||||
Ah, e se você é fã dos áudios do Boris, acompanhe o AutoPapo no YouTube Podcasts:
Podcast - Ouviu na Rádio
|
AutoPapo Podcast
|
