Mercado brasileiro já licenciou mais de 1 milhão de unidades de janeiro a maio, com elevação de 18% sobre mesmo período de 2025
Análises da Fenabrave sobre os resultados do mês passado apontam otimismo crescente até o fechamento de 2026. Automóveis e comerciais leves que representam 94% do mercado (caminhões, 5% e ônibus, 1%) voltaram a apresentar números surpreendentes. De janeiro a maio foram comercializados quase 1,1 milhão de veículos leves, elevação de 18,2% sobre o mesmo período de 2025.
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De acordo com o presidente da entidade, Arcélio dos Santos Jr., o setor reflete programas de incentivos a exemplo do Carro Sustentável e Move Brasil para caminhões que aguarda uma segunda fase. Por agora agregam-se ainda mais estímulos. “O recente lançamento do Move Brasil – Táxis e Aplicativos, que oferecerá incentivos de R$ 30 bilhões, com taxas de juros reduzidas e carência de 6 meses para início do pagamento de automóveis e comerciais leves de até R$ 150 mil, esperamos um aquecimento maior do mercado nos próximos meses. Isso deve elevar as projeções de vendas para 2026”, comentou.
Outro segmento em alta inclui os híbridos em cenário de transição energética. “Estes atendem consumidores que buscam eficiência e valorizam alcance, praticidade e adaptação mais simples ao uso cotidiano”, avaliou. Também acrescentou que “o mercado de elétricos segue em expansão, e agora vive uma fase de consolidação, no Brasil. A evolução depende não apenas da oferta de veículos, mas também de infraestrutura de recarga, informação ao consumidor e previsibilidade regulatória”. Nos primeiros cinco meses deste ano foram comercializados 69.347 elétricos, enquanto os híbridos somaram 121.110 unidades, resultado 75% maior.
Marcas chinesas representa 90% da venda de elétricos no Brasil, praticamente todos importados, embora pelo menos cinco tenham anunciado produção no Brasil. BYD construiu uma fábrica própria em Camaçari (BA) e antes a GWM adquiriu a unidade da Mercedes-Benz que estava fechada, em Iracemápolis (SP). Novos acordos foram acertados com a Renault, no Paraná; Caoa Chery, em Goiás; HPE Mitsubishi, também em Goiás; JLR, no Estado do Rio de Janeiro. Elétricos chineses da GM são montados no Ceará. Toyota acaba de fechar sua unidade de Indaiatuba (SP), inaugurada em 1998, para concentrar produção em Sorocaba (SP). Alguma outra chinesa se canditará?
OCDE (Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico) acaba de revelar para surpresa de ninguém que entre 2005 e 2024 o governo chinês subsidiou três a oito vezes mais suas empresas do que a média dos 39 países membros. Fácil perceber porque oito milhões de carros elétricos foram vendidos na China em 2025, aproximadamente 60% de todos os modelos desse tipo comercializados globalmente.

A marca italiana nunca sofreu tantas críticas já na apresentação de seu primeiro modelo elétrico, que chegará ao mercado mundial só no início de 2027 por nada menos de 550.000 euros (R$ 3,24 milhões e quase o dobro com impostos brasileiros). Desenhado por Jony Ive, antes responsável pelo iPhone da Apple, o Luce (luz, em italiano) mistura linhas de sedã e SUV cupê com proporções no mínimo estranhas. Rodas dianteiras de 23 pol. e traseiras de 24 pol. de desenho sem nenhuma inspiração, lanternas traseiras de simplicidade franciscana e uma frente que não atrai olhares formam um conjunto “sem sal”, para dizer o mínimo.
Luca di Montezemolo, que presidiu a Ferrari entre 1991 e 2014, hoje com 78 anos, ressalvou não desejar prejudicar a marca, “mas esperava que, pelo menos, removessem o símbolo do cavalo empinado daquele carro”. Foi ainda mais cruel: “Certamente, pelo menos, os chineses não vão copiar.”
Interior espaçoso para cinco ocupantes, no entanto, agrada bastante. Além do volante discreto, a tela multimídia de formato quadrado tem ângulo expressamente voltado ao motorista. Do banco traseiro ninguém vai reclamar, embora a abertura das portas em sentido contrário ao tradicional esteja distante de aceitação incondicional.
Os quatro motores elétricos, um para cada roda, totalizam 1.050 cv e 101 kgfm. Mesmo com massa em ordem de marcha de extraordinários 2.260 kg, acelera de 0 a 100 km/h em 2,5 s, 0 a 200 km/h em 6,8 s e máxima de 310 km/h. Alcance médio declarado superior a 530 km.
Ferrari afirma que toda a produção do Luce já está vendida até o fim de 2027, sem adiantar qualquer número. Truque de marketing que soa mais para atenuar comentários negativos.
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