É possível zerar as mortes no trânsito das cidades?

Mais de 1.000 cidades em diversos países conseguiram eliminar as mortes no trânsito. No Brasil, Salvador é exemplo

Por Boris Feldman 25/01/20 às 09h00

É difícil, mas não impossível eliminar as vítimas fatais no trânsito urbano. Prova disso é que a Dekra, empresa alemã de inspeção veicular com presença internacional (inclusive no Brasil), instituiu na Europa o prêmio Vision Zero atribuído anualmente a uma cidade que tenha atingido esse objetivo.

Este ano, quem o recebeu foi a pequena cidade alemã de Lüdenscheid (74 mil habitantes) com a extraordinária conquista de zero mortes no trânsito em sete anos consecutivos, de 2012 a 2018.

Em outros países, mais de 1.000 cidades já atingiram o objetivo do Vision Zero em pelo menos um ano, desde 2009. “O que comprova ser possível eliminar mortes no trânsito e que os esforços para isso devem continuar, pois qualquer fatalidade do gênero é inaceitável”, disse  Stefan Kölbl, CEO da Dekra.

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Desafio mundial

A empresa alemã relata que a segurança das pessoas no trânsito continua sendo um dos maiores desafios que a nossa sociedade enfrenta. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, cerca de 1,25 milhão de pessoas morrem em acidentes no trânsito todos os anos.

Desde 2008, a Dekra vem publicando o Relatório Anual de Segurança Rodoviária que integra nosso compromisso com a segurança  veicular, iniciada há mais de 90 anos. Os relatórios estão disponíveis em formato PDF para download e como catálogo on-line (clique aqui). 

E no Brasil?

A ONU lançou um desafio em 2010: reduzir em 50% as mortes no trânsito no decênio 2011-2020. Exceção entre cidades brasileiras, Salvador atingiu a meta antes do prazo.

A Transalvador – autarquia municipal encarregada de gerir o trânsito na cidade – adotou um pacote de medidas para reduzir o tráfego e o número de acidentes em determinadas vias.

O desafio da ONU no Brasil deu origem ao Projeto Vida no Trânsito (PVT), lançado pelo Ministério da Saúde e que tem parceria com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas, aquela do Mais Médicos…), um braço da ONU e da Organização Mundial de Saúde (OMS).

A iniciativa conta com apoio da Bloomberg Philantropies e denominada Road Safety in Ten Countries (Segurança Rodoviária em Dez Países). Os dez países focados – Brasil, Rússia, China, Turquia, Egito, Vietnã, Camboja, Índia, Quênia e México – respondem por cerca de 600 mil mortes, ou 62% de todos os óbitos no trânsito por ano no mundo.

O projeto foi implantado em 2011 nas cidades de Belo Horizonte (MG), Campo Grande (MS), Curitiba (PR), Palmas (TO) e Teresina (PI). Em 2013 foi expandido para Salvador, demais capitais e municípios com mais de um milhão de habitantes.

Na capital baiana, o número de acidentes de trânsito com mortes foi reduzido de 239 em 2013 para 116 em 2017 e a meta da Transalvador é zerar o número de óbitos no trânsito.

transito salvador shutterstock
Trânsito em Salvador (Foto Shutterstock)

Fórum

E foi em Salvador que aconteceu, em 28 de novembro de 2019, o II Forum Vida no Trânsito, que possibilitou ao Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), revelar as ações práticas que desenvolve e contribuem para a segurança viária e destacar as ações que serão desenvolvidas em 2020. Francisco Garonce, do ONSV, apresentou o Programa EDUCA.

“É através dele que vamos conseguir mudar não só o comportamento, mas principalmente a atitude das pessoas , o que só se faz através de processos educativos, em que os indivíduos não deixam de cumprir a lei para não serem punidos, mas porque internalizam o entendimento de que a atitude segura no trânsito existe para proteger o indivíduo, a sociedade e a convivência harmônica”, disse Garonce.

Garonce explica ainda que o ONSV dará assessoramento aos municípios que estiverem efetivamente interessados em participar do Programa Vida no Trânsito e que não participam por desconhecimento.

“E trabalhando junto ao Ministério da Saúde para fazer com que as regras sejam esclarecidas e colocadas de forma tal que os municípios participem, porque o que se investe em educação, ações de engenharia e de fiscalização na área de trânsito se reverte em uma economia muito maior, principalmente nas despesas relacionadas a internações e a tratamentos decorrentes dos eventos de trânsito”, conclui.

[Veja também] Estatísticas de vítimas fatais no trânsito brasileiro são incorretas

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3 Comentários
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    IVAN VASCONCELLOS 28 de janeiro de 2020

    Tá bom… Essa cidade alemã tem a metade da população de Copacabana no Rio de Janeiro. Garanto que com pouco esforço seria possível zerar as mortes no transito naquele bairro da cidade.
    Sinceramente, não dá pra comparar laranjas com abacaxis! Isso é falácia!
    Quanto a Salvador, que é onde resido, o que se fez foi encher as ruas de “quebra molas” e restrições de trafego, as avenidas com centenas de pardais e ao mesmo tempo reduzir as velocidades máximas a valores em alguns casos até ridículos.
    Assim é fácil. Limite-se as velocidades a 10 Km/h que não haverão mais mortes, mas vai paralisar o trânsito. Veja que o Alexandre, no comentário anterior, lembrou muito bem das rodovias alemães e há de se levar também em conta a educação do motorista lá naquelas paragens.
    O que precisa ser feito aqui é educar o motorista, (não significa multar para educar pois isso é argumento de prefeito para aumentar a arrecadação) melhorar as condições das ruas, avenidas e estradas com projetos voltados à segurança; como melhoria dos traçados, da qualidade do piso (coisa alias que em Salvador não existe) e da sinalização.

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    Thiago 25 de janeiro de 2020

    Tem investir mais educação, principalmente cidadania, tinha que acabar, o prazo de um ano para a pessoa que consiga tirar sua primeira habilitação, por que, 50 minutos, não aprende nada, tinha, que ter, prazo indeterminado para a pessoa conseguir, tirar sua cnh, até 2005, era indeterminado para consegui,r tirar sua cnh, ter mais campanhas educativa no transito, uma coisa que, me assusta, quando estar chovendo forte na rodovia, o pessoal, anda mais, ontem, eu estava indo para a cidade de Pouso Alegre, o pessoal pisava fundo com chuva,forte, quando, passava, jogava um jato de água, forte, a policia rodoviária federal, alerta, quando começar, chover, diminui-a, velocidade, é o contrario, anda mais ainda, a policia rodoviária federal, avisa, quando começar à chuva, diminui-a velocidade para 60 km, não tem como trafegar, esse velocidade a 60 km, com chuva forte, se eu trafegar essa velocidade à 60 km, em dia de chuva forte, na Rodovia Fernão Dias, joga o carro, fora da pista.

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    Alexandre Bessa dos Santos 25 de janeiro de 2020

    Quem ganhou foi uma cidade da Alemanha, que possui Autobahns. Acho q tem locais q realmente tem q andar no máximo a 30 e tem locai q dá para andar quase a vontade, é questão de educação e punição severa para quem é mal educado e não cumpre as leis.

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