As folgas no motor e a viscosidade do óleo

Com o tempo, pode ser necessário usar um óleo com viscosidade maior

Por BORIS FELDMAN09/03/18 às 17h00

O motor a combustão que equipa centenas de milhões de automóveis pelo mundo já deveria ter ido, há tempos, para o museu. Apesar disso, ele resiste heroicamente, há mais de cem anos, com o mesmo mecanismo de funcionamento e a mesma irracionalidade. Sua eficiência é tão baixa que, da energia de um litro de gasolina colocado no tanque, aproveita-se de 30% a 40% para gerar potência. O resto é desperdiçado na forma de atrito e calor, sem falar nas folgas no motor que vão aparecendo com o tempo.

as folgas no motor e a viscosidade do óleo
(Fabiano Azevedo/AutoPapo)

Além disso, o motor a combustão também exige tempo, paciência e recursos do motorista com procedimentos de manutenção para evitar que uma pane mecânica não o coloque para andar a pé ou arruine seu saldo bancário. Entre esses procedimentos, um dos mais importantes e que tem periodicidade semanal, é o da verificação do nível do óleo do motor. Deve-se completar o lubrificante quando o nível abaixa, e substituí-lo rigorosamente nos prazos indicados.

Como explicar o hábito arcaico de puxar a centenária vareta de óleo nos moderníssimos automóveis de hoje?

O problema é que apesar de toda a moderna tecnologia eletrônica que foi incorporada aos automóveis, seus motores ainda funcionam exatamente como em seus primórdios no fim do século XIX, com pistões subindo e descendo dentro de cilindros. No ponto alto do ciclo, recebem a explosão da mistura de combustível e movimentam um virabrequim no ponto baixo. Exigem, assim, uma película de óleo entre os pistões e cilindros para lubrificá-los. Um pouquinho deste óleo acaba sendo queimado na câmara de combustão, sai pelo escapamento e por isso o nível do óleo vai baixando no cárter.

Nos motores novos, com todos os componentes móveis ajustados, a queima de óleo é mínima e mal chega a um litro a cada 5 mil quilômetros. Quando vão envelhecendo, as folgas no motor aumentam e o nível do cárter vai baixando mais rapidamente, devendo ser completado com frequência cada vez maior. Em certos casos, recomenda-se até o uso de um óleo com viscosidade maior do que a indicada no manual para compensar o desgaste, que seria um óleo mais “grosso”, para compensar o desgaste.

Neste caso, o motor que usa o óleo, por exemplo, 10W30, poderia passar para um  15W40, podendo-se assim reduzir a frequência de se completá-lo no cárter.

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

6 Comentários

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  • Fábio 27 de junho de 2018

    Possuí um gol g3 16V (2001), com pouco mais de 65,000 km rodados. Nunca coloquei outro óleo, senão o Elaion VWS 15w40, recomendado no manual. Vendi com mais de 125,000. Sem nenhum barulho ou consumo de lubrificante. Jamais recomendo isso a ninguém.

    • Fábio 27 de junho de 2018

      Corrigindo: jamais recomendo outro lubrificante que não seja o recomendado pela montadora.

  • Julio da silva santos 7 de maio de 2018

    Muito, mas muito show este site, estou aprendendo cada dia mais, continuem sempre assim…

  • Rodolfo 25 de abril de 2018

    ….. Tenho um Gol GL 1.8AP ano 1990, era do meu pai desde 1996 e eu comprei dele em 2008 com 190.000 km. Hoje ele está com 235.000 km e sempre usamos o óleo indicado no manual do proprietário (20W-50).
    …. Quase caí na armadilha de por o 25W-60… mas felizmente fui ler antes e está comprovado que um óleo mais grosso que o especificado além de aumentar o consumo de combustível devido a maior viscosidade, partes que antes eram lubrificadas não conseguirão ser lubrificadas porque o óleo é mais grosso que a folga do motor, então vai ocorrer o desgaste prematuro.
    …. Por fim, na grande maioria das vezes a causa do consumo de óleo é simples e barata de resolver, como por exemplo:
    – vazamento de óleo (troca de retentor de óleo ou junta defeituosa);
    – retentores de válvulas defeituosos;
    – anéis de segmento defeituosos.
    …. Então a pessoa passa para o paliativo em por óleo mais grosso e o desgaste se agrava e o que seria um problema simples de se resolver como o acima descrito passa a ser um grave problema a médio ou longo prazo exigindo até retífica completa do motor.
    …. Por fim por óleo mais grosso também é um artifício usado para maquear o carro para que se esconda barulhos de problemas graves no motor que exige retífica, então quem compra a bomba quando troca o óleo grosso pelo recomendado no manual do proprietário entra em desespero. Já vi acontecer isso com dois conhecidos, infelizmente. Existem no mercado até produtos específicos para engrossar o óleo e maquear ruídos e consumo de óleo.

  • Thiago Santana 6 de abril de 2018

    Boris, bom dia.
    Tenho um Chevrolet Astra 2005/2006 com um pouco mais de 120 mil km, passei a usar óleo sintético 5W30 pois rodo pouco com ele. Continuo usando esse óleo ou troco por um mais viscoso? Essa troca pode ser prejudicial para o meu motor? Forte abraço, sou fã do seu trabalho.

    • Felipe Boutros 6 de abril de 2018

      Olá, Thiago. Obrigado por prestigiar o AutoPapo. Por favor, envie a sua dúvida em Boris responde.

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