Catalisador: troca aos 40 ou 80 mil km?

A primeira troca (no caso do carro novo) apenas se dá aos 80 mil km; depois a substituição deve ser feita a cada 40 mil km

Por BORIS FELDMAN14/05/18 às 14h24

Catalisador é um componente que fica na descarga do seu carro e que reduz a nocividade dos gases de escapamento, mantendo-a sempre dentre dos limites estabelecidos pela legislação. Até um passado recente (década de 90) nem todos os carros tinham este equipamento, pois os índices de emissões não eram tão rígidos. Os carros com motor de baixa cilindrada raramente eram equipados com ele. Porém, como o governo foi dando mais uma volta no parafuso com frequência, o catalisador acabou virando equipamento de série em todos os modelos. Ele não é um filtro e funciona tendo em seu interior vários metais nobres que, numa reação química com os gases expelidos pelo motor, reduzem significativamente sua nocividade.

Os metais nobres presentes no catalisador (Rodio, Platina e Paládio) eliminam cerca de 95% dos gases tóxicos (CO, HC e NOx), transformando-os em compostos não prejudiciais à saúde como CO2, N2 e H2. Entretanto, seu custo é muito elevado, o que encarece também o próprio catalisador.

Sua durabilidade, quando instalado na linha de montagem é de cerca de 80 mil km. A indústria decidiu, por isso, adotar um catalisador mais barato para a reposição, mas com menor durabilidade, ou seja, com a quilometragem reduzida à metade, ou 40 mil km. Pois o custo muito elevado induzia várias oficinas de escapamento a sugerir que se eliminasse o equipamento, colocando apenas um tubo, um pedaço de cano em seu lugar.

Com a criação do catalisador de reposição, algumas oficinas decidiram se aproveitar espertamente da situação, induzindo o dono do carro novo a substituir o equipamento original baseado na quilometragem da peça de reposição.

O catalisador é um componente que fica na descarga do carro e que reduz a nocividade dos gases de escapamento. Sua primeira troca se dá aos 80 mil km; depois a substituição deve ser feita a cada 40 mil km.
(Fabiano Azevedo/AutoPapo)

Ou seja, mostram um catalisador que tem a durabilidade declarada de apenas 40 mil km e afirmam que o carro que rodou 60 mil km já deveria ter trocado o equipamento. Quando na verdade, a primeira troca (no caso do carro novo) apenas se dá aos 80 mil km. Só daí para frente é que a substituição deve ser feita a cada 40 mil km.

É verdade que o catalisador pode ter problemas e sua durabilidade reduzida. Se tiver recebido gasolina líquida (carro pegando no tranco), por exemplo. Entretanto, quando isso ocorre, por qualquer motivo, existe um sensor que mede os gases no final do catalisador. Se ele tiver perdido eficiência, acende-se uma luz de alerta no painel.

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

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