Vale a pena comprar carro importado velho?

Aquele Mercedes de 15 anos pode ter o mesmo preço que um popular de entrada, mas não inclui algumas despesas

Por BORIS FELDMAN23/04/18 às 16h26

Muitas vezes a tentação é grande, pois com os mesmos R$35 mil que você compraria um compacto nacional zero km, seria possível levar para a garagem um carro importado velho, embora sofisticado, mas que já rodou dez ou quinze anos. Um alemão premium como BMW, Mercedes ou Audi. Ou o sueco Volvo, ou da italiana Alfa Romeo.

bmw 320i 2005
Reprodução da internet

Pode conferir nas tabelas de usados: seu preço cai consideravelmente, mais que os nacionais, depois de alguns anos de uso. E o motivo é o alto custo de sua manutenção. Se quebra o parabrisa de um Gol que custa R$ 35 mil, sua substituição não sai por mais que R$ 250 ou R$ 300. Mas, se bate uma pedra e trinca o vidro dianteiro de seu Mercedes-Benz, ele pode custar cerca de R$ 5 mil, ou mais. Não importa se o carro vale R$ 15 mil, o parabrisa tem que vir da Alemanha, pagar frete e imposto nas alturas. Então, o vidro de um carro 2005 custa o mesmo de um modelo 2016.

Ainda que seja muito pessimismo achar que uma pedra vai quebrar o parabrisa, existem muitos componentes de desgaste obrigatório e que devem ser substituídos com alguma frequência: pastilhas de freio, amortecedor, disco de embreagem, velas, filtros, palhetas, o espelho retrovisor que pode ter sido roubado, a roda que pode quebrar numa dessas crateras asfálticas, etc. O dono do carro importado velho pode ser extremamente cuidadoso, mas não consegue evitar estas despesas.

O raciocínio é o mesmo do parabrisa para qualquer destas peças: custo alto na Alemanha mais frete mais impostos mais lucro – e um jogo de amortecedores pode custar R$5 mil. Claro que existe um mercado paralelo, que pode quebrar o galho no caso de um paralamas, maçaneta ou algum outro componente que não compromete a segurança. Mas você colocaria pastilhas de freio chinesas no seu Mercedes?

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

5 Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se identificar algo que viole os termos de uso, denuncie.
  • JOSE MORISCO SILVA 25 de abril de 2018

    Adorei

  • Jonh p s 24 de abril de 2018

    As peças similares e de qualidade existe em todo o mercado. Peças mecanicas são usadas entre as montadoras. Para brisa realmente é uma das mais difíceis. Neste caso compre usado.

  • CELSO RENATO MESQUITA BATISTA 24 de abril de 2018

    O problema não ser chinesa… até porque a China é o parque industrial do mundo e com certeza fornece serviços para a Mercedes tbm. A questão é: pastilha de freio não seria padronizada (de acordo com o modelo, tipo de freio é claro) assim como Velas? provavelmente uma vela para um Mercedes deve ser compatível com modelo nacional equivalente.

  • Leandro Cunha 24 de abril de 2018

    Recentemente, li uma matéria sobre concessionárias de veículos que vendiam peças sem procedência. Então, tenha um bom amigo mecânico, lembre-se sempre de dar um presente de Natal e aniversário pra ele e bola pra frente.

  • Fabricio Duarte 23 de abril de 2018

    Não sei se eram chinesas, mas eu já vi donos de Camaru e Land Rover, tirarem eles zero km e colocarem pastilha de R$200,00.

Deixe um comentário