Gasolina comum é melhor que aditivada?

O manual do proprietário pode confundir os motoristas quanto à qualidade das gasolinas ofertadas nos postos brasileiros

Por BORIS FELDMAN01/06/18 às 15h00

A fábrica do automóvel, ao elaborar o manual do proprietário, deve informar com que combustível abastecê-lo. Por mais óbvio que seja, esta informação deve estar presente. E, por isso, surge uma controvérsia no caso do mercado brasileiro: será que usar a gasolina comum é melhor que aditivada?

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A gasolina de octanagem normal disponível nos postos pode ser tanto a comum como a aditivada. O governo já adiou a obrigatoriedade de toda ela conter aditivos e, por isso, algumas fábricas (Honda, por exemplo) recomendam abastecer com a comum. E afinal, gasolina comum é melhor que aditivada?

Claro que não. Pelo contrário, deve-se abastecer com a aditivada. Ou com a comum e o próprio motorista comprar um frasco de aditivo para jogar no tanque. Entretanto, só quando a ANP, as distribuidoras de combustíveis e as fábricas de aditivos chegarem a um acordo é que a aditivação da nossa gasolina terá um padrão, ou seja, as mesmas características em qualquer posto de qualquer marca.

Atualmente, cada distribuidora coloca o aditivo que bem entende em sua gasolina e, por isso, não existe um padrão. Pode até existir uma rede de postos que tenha uma aditivação que pode prejudicar (ao invés de beneficiar) o motor. Não há controle nem fiscalização destes aditivos.

Por isso, as fábricas são praticamente forçadas a recomendar o uso da comum: como testar a aditivada se existem dezenas de variações entre as marcas e os postos? Elas sabem a importância do aditivo, que ele evita a formação de depósitos carboníferos que acabam prejudicando a combustão e até – em casos extremos – danificando o motor. Mas, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

Outra recomendação curiosa (da Nissan, por exemplo) é de não usar gasolina com chumbo, que já não existe há muitos anos no Brasil. Neste caso, é porque seus carros podem ser exportados para países que ainda aditivam a gasolina com chumbo tetra-etila. Ou algum cliente pode viajar com o carro para algum deles. O problema principal do chumbo na gasolina é danificar o catalisador, que contem materiais nobres para – numa reação química – eliminar a nocividade dos gases do escapamento.

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

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