O grilo da caixa de marchas não é defeito

Os barulhinhos metálicos que podem surgir são normais

Por BORIS FELDMAN14/03/18 às 17h00

Alguns barulhinhos do automóvel desafiam a engenharia automobilística há tempos. O grilo da caixa de marchas é um desses ruídos. O mais frequente deles é um barulho metálico que surge quando o câmbio está desengatado, ou seja, quando o carro está em ponto morto. Basta pisar na embreagem, mesmo sem engatar uma marcha, que ele desaparece. Quando se tira o pé da embreagem, o barulhinho aparece de novo.

o grilo da caixa de marchas

Você vai à concessionária e a oficina tenta te convencer que aquilo não é nada – e não é nada mesmo. A explicação é que, em algumas caixas de marchas, existem peças livres que giram e batem umas contra as outras quando ela está em ponto morto. Com a embreagem pressionada, elas se separam e o barulho desaparece. Nem todos os carros apresentam este ruído, pois o projeto do câmbio varia de um para o outro.

Então, não é defeito? Não. A caixa sempre vai fazer esse barulhinho e nada mais, não há nenhum inconveniente mecânico, nenhum desgaste. Apesar disso, já houve fábrica que “instruiu” a concessionária a revestir a caixa de marchas com uma manta especial para abafar uma parte do grilo. É um paliativo que reduzia um pouco o incômodo, mas não resolvia nada.

Outro barulho incômodo é de alguns câmbios automatizados de dupla embreagem, como o DSG dos carros do grupo Volkswagen, como o Passat e o Golf. Quando o carro está andando devagar e sobre um piso irregular, como um calçamento de pedra, surge um ruído metálico que incomoda, e o motorista chega a imaginar que há algum componente solto, quase caindo.

Entretanto, esse barulho é considerado normal, pois os câmbios de dupla embreagem são muito complexos, a ponto de se poder considerar que tratam-se de duas caixas de marchas acopladas em uma só. Por isso existem algumas situações em que componentes muito próximos e rodando livremente podem bater uns contra outros e provocar o “barulhinho” que tanto incomoda. Neste caso, não há embreagem a ser pressionada para verificar se esta é realmente a origem do ruído, como no primeiro caso. Porém, também não há risco de problemas mecânicos.

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

0 Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se identificar algo que viole os termos de uso, denuncie.
Deixe um comentário