Motor flex não é dez, mas salvou o álcool

Não é perfeito, mas já ajuda - e muito

Por BORIS FELDMAN06/05/18 às 12h00

O mundo inteiro está atrás de novas fontes de energia, de alternativas ao combustível fóssil. Existem diversas possibilidades de não derivados do petróleo para movimentar veículos, todas mais “limpas”: energia elétrica, solar, combustíveis vegetais (como o álcool e o biodiesel). E também outras tão poluentes ou mais, como o carvão. Propostas não faltam, incluindo o motor flex.

bomba de combustível etanol aditivado motor flex do brasil

No Brasil, a solução “limpa” foi o álcool-motor. O governo federal lançou um programa na década de 70, o “ProÁlcool”. A campanha publicitária dizia “Carro a álcool: um dia você vai ter um”. E todo mundo aderiu, tanto que os automóveis a etanol chegaram a representar mais de 95% da produção da indústria. Carros a gasolina eram convertidos para o álcool.

Mas a falta de planejamento do governo resultou na falta de etanol nas bombas no final dos anos 80. Sem possibilidade de abastecer com gasolina, motoristas formavam filas quilométricas nos postos para abastecer com álcool. E motores a etanol foram convertidos para a gasolina, que sobrava no país. Um melancólico final do ProÁlcool.

E nem se falou mais em carro a etanol até que, em 2003, com a ajuda da eletrônica, surgiu a tecnologia de motor flex que permitia a livre escolha do motorista. Era sua independência energética: poderia abastecer com gasolina ou etanol, em função do preço ou de suas necessidades.

Em termos de eficiência, como se situa o flex em relação aos outros combustíveis? É uma boa solução, mas não é nota dez, pois o motor deve contemplar os dois combustíveis, servir aos dois patrões. Não é a melhor solução para gasolina, nem para o etanol. Porém, uma tecnologia razoável e respeitada em todo o mundo. Ela existe também nos EUA, em menor escala.

Experts no assunto defendem o desenvolvimento de um motor exclusivamente a etanol, como no passado, que seria mais eficiente que o flex. Além de ser um combustível renovável, mais “limpo” por ter baixo índice de emissões de carbono e, finalmente, não ser derivado do petróleo. Mas fica uma dúvida no ar: é confiável ter uma gigantesca frota de carros a álcool e ficar dependente das variações de caixa e do humor dos usineiros?

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

1 Comentário

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  • Marcos Vieira 7 de maio de 2018

    Já estamos pelo humor dos uzineiros, governo, petrobrás a muito tempo, o problema é que qualquer alteração de humor deles, o bolso do contribuinte sofre, já nós, meros mortais, estejamos felizes ou enfurecidos e não adianta nada…

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