Para-brisa trincado! Mas não foi pedrada?

Não achou nenhum vestígio de impacto no para-brisa? A trinca pode ter sido causada por choque térmico. Boris explica melhor

Por BORIS FELDMAN09/06/18 às 11h00

Quando o carro aparece com o para-brisa trincado, o motorista imediatamente vai atrás da marca de uma pedra que possa tê-lo atingido. Mas não encontra nenhum indício ou vestígio de alguma coisa que tenha provocado o estrago. E, muitas vezes, uma pequena marquinha ou trinca pode ter surgido bem pequena, mas, enquanto o carro vai rodando, ela vai se expandindo e as vezes a trinquinha vira uma trincona de fora a fora no vidro.

para-brisa trincado

Mas, se não tem vestígio de nada que o possa ter atingido, como explicar a trinca? Não é tão complicado assim: o carro pode ter ficado estacionado sob um sol intenso durante horas e horas a fio. Quando o motorista volta, o calor no interior está insuportável e ele liga imediatamente o ar-condicionado. Muitos nem se lembram de abrir todos os vidros para aliviar o calor interno, o que demora apenas alguns segundos. Não somente ligam o ar-condicionado no máximo, como deixam parte do fluxo orientado para cima do painel, virado exatamente para o para-brisa.

Ora, o vidro que estava superaquecido por estar horas sob o sol recebe de repente um fluxo de ar muito frio e não suporta esta súbita variação térmica. A trinca é inevitável.

Ao sair com um carro que esteja extremamente aquecido no interior, abrem-se as janelas enquanto se roda com ele durante alguns minutos para um resfriamento natural do habitáculo. Depois, ao fechar as janelas e ligar o ar-condicionado, lembrar-se de não dirigir nenhuma de suas ventarolas diretamente para o para-brisa, evitando assim o choque térmico. Existem várias posições de regulagem que permitem dirigir o ar só para o interior do carro.

No caso de se substituir um para-brisa trincado, cuidado com uma eventual oferta extremamente barata: é porque no passado ele era temperado e se partia em milhares de pequenos pedaços quando se quebrava. Hoje, não existe mais este risco, pois, por lei, ele deve ser do tipo laminado. Mas, tem loja que ignora a exigência legal e ainda oferece alguns daqueles antigos que ficaram obsoletos no estoque, por um preço bem camarada. E deixando o motorista sem nenhuma visibilidade quando quebram.

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

1 Comentário

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  • Riquelme 9 de junho de 2018

    Bom dia Boris! Comprei uma Duster 0km ano passado e com 5000km baixou bastante o óleo, levei na concessionária e completaram o nível do óleo, lacraram a vareta e pediram para eu rodar mais 3000km e retornar para averiguar. Retornei à concessionária e o problema persistiu, então a montadora solicitou o envio do motor para a fábrica para efetuar o devido reparo.
    Mediante a situação, solicitei na concessionária um laudo técnico informando qual o problema apresentado e qual seria o procedimento para corrigir, mas para minha surpresa me informaram que a montadora não poderia fornecer qualquer parecer referente, alegando que tratava de questões internas que impediam. Então te pergunto, não tenho direito de saber qual o problema apresentado e qual o reparo? Sinceramente, fiquei decepcionado e insatisfeito com a Renault. Agradeço pela atenção.

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