Pegar no tranco não é mais uma boa ideia

Prática comum no passado pode danificar o catalisador e causar um "belo prejuízo" para o dono do automóvel

Por BORIS FELDMAN29/05/18 às 14h30

Fã do AutoPapo quer saber como se faz para o carro “pegar no tranco”. Esta ação vem sendo condenada recentemente, mas ele alega que se cansou de vê-la no passado.

Respondendo, se o motor de arranque ou a bateria não estão dando conta de virar o motor, uma solução é pedir uns três ou quatro “musculosos” para empurrar o carro. Ou deixá-lo descer ladeira abaixo, com a embreagem no fundo e a caixa engrenada em primeira ou segunda. Quando o automóvel atinge uma razoável velocidade, entre 5 a 10 km/h, tira-se o pé da embreagem. Como a marcha está engatada, a rotação das rodas vai movimentar o motor, substituindo o motor de arranque. Mas saiba, a prática coloca o seu carro em risco.

Atenção! Este “quebra-galho” não funciona no carro com câmbio automático.

Por que evitar de fazer o motor pegar no tranco?

Dar aquele empurrãozinho quando o carro está sem bateria não causa prejuízo. Mas se o problema for mecânico ou elétrico, pegar no tranco não é uma boa ideia.
Foto Shutterstock | Reprodução

Se o problema foi a bateria que arriou enquanto o carro estava parado, porque os faróis foram esquecidos ligados, ou um defeito no motor de arranque, não há problema em fazer pegar no tranco.

Entretanto, se o motorista deu na partida, o arranque virou, virou, até acabar a bateria e o motor não pegou, a situação é outra. Pois, neste caso, se o motor se recusou a funcionar é porque havia algum problema mecânico ou elétrico impedindo seu funcionamento. Uma bobina queimada, vela suja, fio desconectado, injeção fora do ponto, etc. Neste caso, não se deve jamais tentar fazê-lo pegar no tranco, pois o problema não foi sanado e o motor provavelmente não vai pegar.

Mas, como ele está sendo movimentado pelas rodas, vai entrar o combustível (gasolina ou etanol) nos cilindros que não será queimado, pois o motor não pegou. Este combustível que entrou pela admissão vai sair em estado líquido pelo escapamento, atingir o catalisador e danificá-lo irremediavelmente, sem possibilidade de reparo. Pois o catalisador é um equipamento com materiais nobres em seu interior, que provocam uma reação química para reduzir a nocividade dos gases do escapamento. Se, em vez dos gases, o catalisador receber combustível não queimado em estado líquido, estes materiais nobres se danificam e… era-se uma vez o catalisador!

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

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