Pseudo-esportivos: apaixonados não abrem mão da fantasia

Os nomes das versões agressivas até sugerem velocidade, competição, aceleração e arrancadas fenomenais... Mas a diferença é mesmo só na carroceria!

Por BORIS FELDMAN31/05/18 às 11h20

Brasileiro adora um automóvel fantasiado. Paga milhares de reais a mais para levar um pseudo off-road, um carro normal mas decorado como um jipe com pinta de enfrentar com elegância o fora de estrada. Na verdade, só tem aquele famigerado estepe dependurado na tampa traseira, a suspensão um pouco mais altinha, pneus de uso misto (nem sempre) e … nada além. Ai de quem tentar uma aventura mais radical com esses jipinhos de mentira: vai mal na terra e nem pensar num trecho enlameado. Adora também os pseudo-esportivos: são os mesmos automóveis decorados como se estivessem prontos para uma competição.

Existem vários deles no nosso mercado. Até os nomes das versões sugerem velocidade, competição, aceleração, arrancadas fenomenais. Veja o exemplo do Hyundai Hb20 R Spec Limited, que sugere “Racing Specifications”, em inglês “especificações de corrida”. A diferença dele para os outros Hb20, no entanto, só se dá na grade com decoração especial, para-choques idem, ponteira do escapamento cromada, rodas do tipo esportivo e até pinças do freio, acreditem, pintadas de vermelho como num Porsche ou Ferrari. Desempenho mesmo que é bom, nada: provável até que ele tenha performance inferior em função do peso adicional dos plásticos e outros elementos decorativos.

Como explicar as versões esportivas e aventureiras que nada mais oferecem do que uma "cara mais agressiva"? Os pseudo-esportivos são queridos pelos apaixonados... por fantasia!
Foto Hyundai | Divulgação

Mas, a Hyundai não é a única quando o assunto são os pseudo-esportivos: se você quiser desfilar com pinta de Ayrton Senna, pode procurar uma unidade usada do Punto Sporting da Fiat, o Fox Pepper da Volkswagen ou Renault Sandero GT LINE. Todos com exatamente a mesma mecânica mas decorados esportivamente. As fábricas estão certíssimas: por quê não investir nesta fantasia se uma parte do distinto público consumidor está a fim de despender alguns milhares de reais nesta “enganação”?

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

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