Acusado de priorizar o golfe à frente da China, CEO da Honda resiste no cargo

Executivos aposentados pressionaram pela saída de Toshihiro Mibe após o rombo bilionário com elétricos, mas o conselho o manteve no cargo

toshihiro hibe
Honda enfrenta questionamentos internos após prejuízos ligados à eletrificação e mudanças em seus planos para a América do Norte (Foto: Honda | Divulgação)
Por Júlia Haddad
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 15/06/2026 às 15h00

O presidente e CEO da Honda, Toshihiro Mibe, recusou pedidos para deixar o cargo após críticas à estratégia de eletrificação da montadora. A pressão veio poucas semanas depois de a fabricante cancelar três projetos de elétricos destinados à América do Norte e contabilizar cerca de R$ 79 bilhões (US$ 15,7 bilhões) em despesas e perdas ligadas à aposta no segmento.

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Segundo a Reuters, um grupo de executivos aposentados da Honda passou a se reunir no fim de 2025 para discutir os rumos da companhia. Ao longo de meses, eles responsabilizaram Mibe pelos erros custosos na transição elétrica e pela pouca atenção ao mercado chinês.

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A dois participantes ouvidos pela agência, os críticos afirmaram que o executivo parecia mais voltado aos patrocínios de golfe da marca do que ao negócio. Reclamaram ainda que Mibe não frequenta o genba, termo japonês para o local real onde o trabalho acontece, como fábricas e concessionárias.

Em abril, o ex-presidente Nobuhiko Kawamoto, de 90 anos, foi à sede da Honda pedir pessoalmente a renúncia de Mibe. O CEO disse que isso não aconteceria.

Apesar da insatisfação da velha guarda, Mibe manteve o respaldo do comitê de nomeação do conselho, formado com mais conselheiros independentes em meio a um esforço de melhora da governança no Japão, que busca reduzir a influência de executivos aposentados. No comando desde 2021, ele aceitou um corte temporário de 30% no salário, por três meses, após a Honda registrar o primeiro prejuízo anual em 70 anos.

A montadora também reformula a estratégia de eletrificação. Em maio, revelou o desenvolvimento de uma plataforma capaz de receber tanto sistemas elétricos quanto híbridos. A empresa avalia que o mercado norte-americano de elétricos pode mudar muito após o fim do atual mandato presidencial dos EUA, em janeiro de 2029. Na nova rota, a Honda pretende lançar 15 híbridos até 2029, dois deles já antecipados: o Honda Hybrid Sedan Prototype e o Acura Hybrid SUV Prototype.

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1 Comentário
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Rodolfo 15 de junho de 2026

Será que a Honda está enxergando um risco futuro que ninguém está dando corda?

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