Carros elétricos caem no gosto dos assaltantes no Rio e viram até funk

Novo símbolo de status dos criminosos rende até música e eleva registros de ocorrências; seguradoras já preveem alta em apólices por causa do risco maior

Creditos Fabio Motta Prefeitura do Rio scaled
A Operação Torniquete intensificou o patrulhamento em áreas críticas como São Gonçalo e Itaboraí (Foto: Prefeitura do Rio de Janeiro | Divulgação)
Por Tom Schuenk
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 28/04/2026 às 19h00

A criminalidade no estado do Rio de Janeiro elegeu um novo alvo nas ruas: os veículos elétricos e híbridos. Segundo dados do Sindicato das Seguradoras do Rio de Janeiro e do Espírito Santo (SindSeg-RJ), divulgados por O Globo, os roubos e furtos desses modelos saltaram 144% no primeiro trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

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O índice de ocorrências envolvendo a categoria acende o alerta tanto das autoridades de segurança pública quanto do mercado financeiro, que já projeta um encarecimento imediato das apólices. Enquanto isso, a preferência de traficantes por carros eletrificados já se torna tema de canções de funk, que registram a existência desse novo alvo da criminalidade.

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Logística do crime e o “gato” elétrico

Investigações da Polícia Civil fluminense apontam que a preferência por modelos elétricos, que frequentemente custam mais de R$ 200 mil, vai além do desmanche ou da clonagem. Os automóveis tornaram-se símbolos de ostentação para chefões do tráfico em eventos e bailes dentro de áreas dominadas por facções armadas.

O grande atrativo logístico para os criminosos, contudo, é o custo zero de abastecimento. Valendo-se das ligações clandestinas já existentes nas comunidades, as quadrilhas utilizam os famosos “gatos” de energia para recarregar as baterias. Isso elimina a necessidade de frequentar postos de combustíveis convencionais, reduzindo drasticamente a exposição a abordagens policiais nas rodovias e avenidas.

A escalada veloz dos crimes gera reflexos diretos no setor de seguros. Com o salto nas estatísticas, o SindSeg-RJ alerta para uma pressão inevitável no custo de proteção patrimonial. O cenário aponta para uma elevação geral nos preços dos seguros da linha de eletrificados. Em áreas com histórico crítico de violência, como São Gonçalo e Itaboraí, existe a possibilidade real de recusa de risco por parte das seguradoras, deixando proprietários sem amparo.

Crescimento da frota e repressão

A frota do estado do Rio de Janeiro conta hoje com cerca de 33.590 unidades eletrificadas. Embora representem apenas 0,4% do total de veículos em circulação, a concentração elevada desses carros em zonas urbanas específicas facilita a ação tática das quadrilhas.

Para tentar conter o avanço criminoso e desarticular a cadeia logística do roubo, a Polícia Civil aposta na Operação Torniquete. A força-tarefa, que foca na asfixia financeira dos grupos criminosos, já acumula mais de 900 prisões, além da recuperação contínua de bens e veículos de luxo roubados.

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