Projeto combina refrigeração líquida com ventoinha de alta capacidade e dutos de ar para melhorar a aerodinâmica e reduzir peso nos esportivos da marca
A Porsche registrou uma patente que propõe o resgate parcial de uma de suas marcas registradas: os motores refrigerados a ar, abandonados definitivamente em 1998 com o fim da geração 993 do modelo 911. O novo projeto de engenharia, no entanto, não é um retrocesso, mas uma solução híbrida. A fabricante alemã desenvolveu um sistema que combina a refrigeração líquida convencional com um fluxo de ar forçado de altíssima capacidade, visando otimizar a aerodinâmica e reduzir o peso de seus esportivos.
Pela documentação apresentada, o motor boxer de seis cilindros continua dependendo de galerias de líquido de arrefecimento. A inovação reside no encapsulamento do conjunto mecânico dentro de uma grande estrutura que canaliza o ar. Uma ventoinha superdimensionada puxa o fluxo externo, forçando-o não apenas sobre o bloco e o cárter — que voltam a exibir as clássicas aletas de dissipação térmica —, mas também sobre o sistema de escapamento e os turbocompressores.
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A principal vantagem da tecnologia é permitir a redução drástica das dimensões dos radiadores frontais. Em alguns cenários, a Porsche cogita utilizar apenas um radiador compacto na parte traseira do veículo. Isso diminui o arrasto aerodinâmico frontal, reduz o volume de líquido circulante no carro e alivia o esforço contínuo da bomba d’água, o que se traduz em maior eficiência energética.
O ganho aerodinâmico, contudo, cobra seu preço na complexidade mecânica. Para gerenciar o volume massivo de ar — estimado em 5.800 pés cúbicos por minuto, mais que o dobro da capacidade gerada pelas ventoinhas dos antigos 911 —, o sistema exige controle preciso. A patente descreve que a hélice contará com sua própria embreagem e até uma pequena transmissão com múltiplas marchas para ajustar a velocidade de rotação à demanda térmica do motor.
Projetada para aplicação em veículos de motor central ou traseiro, como as linhas 718 e 911, a solução ainda não tem data confirmada para chegar às linhas de montagem. O registro, porém, evidencia o esforço da engenharia de Stuttgart em contornar as exigências ambientais modernas sem descaracterizar a arquitetura que consagrou a marca.




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