O freio chinês: por que o mercado de carros elétricos parou de crescer no mundo?

Queda abrupta nas vendas atinge em cheio as montadoras asiáticas; entenda como o fim dos incentivos está mudando o rumo da indústria automotiva

Fábrica da BYD em Camaçari (BA) FOTO Divulgação 2
Enquanto a China registra forte retração nas vendas, Europa e exportações sustentam parte do crescimento do setor (Foto: BYD | Divulgação)
Por Júlia Haddad
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 01/06/2026 às 17h00

A forte desaceleração do mercado chinês estagnou as vendas globais de veículos elétricos e híbridos plug-in no início deste ano. Apesar do aumento da demanda na Europa e em mercados emergentes, a retração na China e na América do Norte fez o setor registrar uma leve queda global de 0,2% no período.

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De acordo com dados da consultoria Benchmark Minerals, as vendas de veículos de novas energias (NEVs) na China encolheram 17%, somando 2,8 milhões de unidades. O recuo acompanhou a tendência de baixa do mercado automotivo local como um todo, que caiu 19% e registrou 5,6 milhões de veículos emplacados.

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O freio nas vendas internas está diretamente ligado ao fim de parte dos incentivos governamentais. Desde o início do ano, os compradores de eletrificados passaram a pagar um imposto de aquisição de 5%, além de enfrentarem a redução de subsídios estatais. Somada a isso, a atual incerteza econômica chinesa tem levado os consumidores a adiar a compra de bens de alto valor.

Fora da potência asiática, o cenário se mostrou favorável em algumas regiões. A Europa registrou um crescimento de 26%, alcançando 1,6 milhão de eletrificados comercializados, enquanto os demais mercados globais saltaram 89%, com 840 mil unidades. Em contrapartida, a América do Norte sofreu um tombo de 25%, limitando-se a 450 mil veículos.

O enfraquecimento da demanda interna já corrói os balanços financeiros das gigantes locais. A BYD, que lidera a transição energética, amargou uma queda de 55% no lucro líquido do primeiro trimestre, caindo para 4,1 bilhões de yuan. A Geely seguiu o mesmo caminho e viu seus ganhos recuarem 26% (4,2 bilhões de yuan). O cenário é ainda pior para marcas menores: a Leapmotor triplicou seu prejuízo líquido para 390 milhões de yuan, apesar de ter dobrado o volume de vendas globais.

Para compensar as perdas internas, a saída encontrada foi acelerar as exportações. Apenas em abril, a China despachou mais de 400 mil veículos eletrificados para o exterior. No acumulado do ano, o volume de exportações bateu 1,4 milhão de unidades, mais que o dobro do registrado no mesmo período de 2025.

A turbulência aumenta a pressão sobre as fabricantes de menor porte, mais vulneráveis à escassez de caixa. Analistas do setor avaliam que a atual desaceleração forçará um rápido processo de consolidação na indústria automotiva chinesa, o que deve desencadear uma onda de fusões, aquisições e até a falência de montadoras que não conseguirem sustentar a guerra de preços.

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