Por que os carros protegem mais os homens? Estudo revela erro histórico da indústria

Pesquisa mostra que risco elevado de ferimentos graves se mantém mesmo em colisões de baixa velocidade devido ao uso de bonecos baseados no corpo masculino

dummy car crash
Sistemas de retenção inteligentes conseguem aliviar a pressão do cinto de segurança no tórax de acordo com o porte físico do passageiro (Foto: Reprodução)
Por Tom Schuenk
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 01/06/2026 às 16h00

Apesar dos avanços tecnológicos que tornaram os automóveis drasticamente mais seguros nas últimas décadas, as mulheres ainda não se beneficiam de forma igualitária dessas inovações. Uma nova pesquisa conduzida pela Universidade de Tecnologia de Graz, na Áustria, revelou que as motoristas e passageiras enfrentam um risco 60% maior de sofrer ferimentos graves em acidentes de trânsito em comparação aos homens.

AutoPapo
NÃO FIQUE DE FORA do que acontece de mais importante no mundo sobre rodas!

VEJA TAMBÉM:

O problema do boneco de teste e a posição de dirigir

O dado que mais chamou a atenção dos especialistas é que a vulnerabilidade feminina se mantém elevada mesmo em colisões de baixa velocidade. Ao analisar registros de acidentes ocorridos na Áustria entre 2012 e 2024, o estudo demonstrou que elas são significativamente mais propensas a sofrer lesões severas no tórax, na coluna e nos membros. Entre todos os grupos demográficos, as mulheres idosas representam a faixa de maior risco.

A raiz dessa disparidade histórica reside no próprio padrão de desenvolvimento da indústria automotiva. Por décadas, os testes de colisão (crash tests) foram calibrados tendo como base o corpo do homem médio. O boneco feminino utilizado pelas montadoras não reflete a biologia real: trata-se apenas de uma versão reduzida do manequim masculino, simulando uma mulher muito baixa e magra. Na prática, 95% das mulheres do mundo real possuem dimensões maiores do que essa referência padronizada.

Além da altura, as diferenças anatômicas — como a estrutura pélvica mais larga, o formato do tórax e a menor massa muscular na região do pescoço — alteram completamente a dinâmica da absorção do impacto. As mulheres também costumam sentar mais próximas ao volante para alcançar os pedais, o que modifica a eficácia programada dos airbags e dos cintos de segurança tradicionais.

Resposta da indústria com cintos inteligentes

Diante desse abismo na segurança viária, as fabricantes começam a desenvolver sistemas de retenção adaptativos. A Volvo, por exemplo, implementou no novo modelo EX60 um cinto de segurança inteligente.

Diferente dos equipamentos tradicionais com tensores de configuração fixa, esse dispositivo monitora em tempo real o tamanho do ocupante, a postura, a posição do banco e a gravidade da colisão. A partir desses dados, a força do cinto é ajustada instantaneamente, garantindo uma proteção mais precisa e igualitária para todos os biotipos físicos no momento do impacto.

Newsletter
Receba diariamente notícias, dicas e conteúdos exclusivos que foram destaque no AutoPapo.

👍  Curtiu? Apoie nosso trabalho seguindo nossas redes sociais e tenha acesso a conteúdos exclusivos. Não esqueça de comentar e compartilhar.

TikTok TikTok YouTube YouTube Facebook Facebook X X Instagram Instagram
Siga no

Ah, e se você é fã dos áudios do Boris, acompanhe o AutoPapo no YouTube Podcasts:

Podcast - Ouviu na Rádio Podcast - Ouviu na Rádio AutoPapo Podcast AutoPapo Podcast
0 Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Comentários com palavrões e ofensas não serão publicados. Se identificar algo que viole os termos de uso, denuncie.
Avatar
Deixe um comentário