De um viaduto de 164 km na China à Rio-Niterói, veja as pontes recordistas de cada categoria e as proezas de engenharia por trás delas
Qual é a maior ponte do mundo? A resposta é mais complicada do que parece, porque tudo depende de como se mede: comprimento total, trecho sobre a água, vão livre entre torres ou volume de concreto. A confusão é tão grande que o Guinness World Records precisou criar categorias separadas para apaziguar disputas entre recordistas.
Para organizar essa coleção de superlativos, reunimos cinco pontes campeãs, uma de cada tipo, com suas proezas, dificuldades técnicas e números extremos. Elas vão das megaobras chinesas que cortam o mar à campeã brasileira sobre a Baía de Guanabara.

O posto de maior ponte do planeta, em qualquer categoria, é da Danyang-Kunshan Grand Bridge, um viaduto de 164,8 km que faz parte da ferrovia de alta velocidade entre Pequim e Xangai. Inaugurada em 2011, ela detém o título do Guinness e, curiosamente, não pode ser atravessada de carro: serve apenas a trens. Tão extensa que um único trecho seu, com 114 km, seria por si só a segunda maior ponte do mundo.
O grande desafio foi o solo mole do delta do rio Yangtzé, que obrigou a erguer a estrutura sobre milhares de pilares em vez de assentá-la no chão. Construída em quatro anos por cerca de 10 mil trabalhadores, ao custo de US$ 8,5 bilhões, foi projetada para resistir a terremotos de magnitude 8 na escala Richter, a tufões e até ao impacto de veículos. Um trecho seu de cerca de 9 km passa sobre o lago Yangcheng.

Aqui mora a polêmica que bagunçou os recordes. Quando a chinesa Jiaozhou Bay foi inaugurada, em 2011, o Guinness a declarou a maior ponte sobre a água, e os americanos protestaram. A Lake Pontchartrain Causeway, na Louisiana, cruza 38,4 km de água em linha praticamente reta, enquanto a chinesa, mais longa no total, fazia curvas e somava trechos em terra. A solução foi salomônica: criaram-se duas categorias.
A Pontchartrain ficou com o recorde de maior ponte contínua sobre a água, e a Jiaozhou Bay, com o de maior extensão agregada. Formada por duas pistas paralelas apoiadas em 9.500 estacas de concreto, a ponte da Louisiana é tão longa que, no meio do trajeto, o motorista não enxerga terra firme em nenhuma direção. Para acelerar a obra, as peças foram pré-fabricadas em terra e levadas por barcaças até o lago. Suas duas estruturas foram concluídas em 1956 e 1969.

Inaugurado em 2018, esse complexo de 55 km é a maior travessia marítima do mundo e combina ponte, ilha e túnel. Para não atrapalhar o tráfego de navios na movimentada foz do rio das Pérolas, a via mergulha por 6,7 km em um túnel submerso, o maior túnel imerso para automóveis do planeta, ligado à parte elevada por duas ilhas artificiais.
Foram mais de 400 mil toneladas de aço, e as seções gigantescas do túnel foram rebocadas e afundadas no leito do mar com precisão milimétrica. A obra reduziu de três horas para cerca de 45 minutos a viagem entre Hong Kong e Macau e foi projetada para suportar terremotos de magnitude 8 e ventos de até 340 km/h. Um detalhe curioso para quem dirige: como Hong Kong mantém a mão inglesa, mas o continente usa a mão direita, todo o trânsito sobre a ponte segue pela direita.
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Comprimento total impressiona, mas o feito mais difícil da engenharia é vencer uma grande distância sem apoios no meio. Nesse quesito, a recordista é a ponte 1915 Çanakkale, na Turquia, cujo vão central tem 2.023 metros, a maior distância já suspensa entre duas torres. Aberta em 2022 sobre o estreito de Dardanelos, ela liga a Europa à Ásia e encurtou para seis minutos uma travessia que de balsa levava 90. A medida não é por acaso: os 2.023 metros homenageiam o centenário da Turquia, em 2023.
Custou US$ 2,7 bilhões e foi erguida em cerca de cinco anos; somados os viadutos de acesso, chega a 4.608 metros. Para encarar os ventos fortes e a alta sismicidade da região, os engenheiros adotaram um tabuleiro com perfil aerodinâmico de caixa dupla, sustentado por torres de 318 metros, as mais altas já erguidas em uma ponte suspensa.

Maior ponte do país e uma das maiores do Hemisfério Sul, a ponte Presidente Costa e Silva, a famosa Rio-Niterói, tem 13,29 km, dos quais 8,83 km sobre a Baía de Guanabara. Quando foi inaugurada, em 1974, era a segunda mais extensa do mundo, atrás justamente da Pontchartrain. O ponto alto, literal e figurado, é o vão central: 300 metros de uma viga de aço suspensa a 72 metros de altura, para deixar passar os navios que entram e saem do porto.
O trecho mais complexo foram os quilômetros sobre o mar, que exigiram cravar as fundações em rocha no fundo da baía. Erguida com a técnica de balanços sucessivos, ainda pouco usada na época, a obra guarda mais de 2.150 km de cabos de protensão em seu interior e segue como a maior ponte em concreto protendido do Hemisfério Sul. Hoje, recebe cerca de 150 mil veículos por dia.
Os recordes, porém, têm prazo de validade. A Itália retomou o projeto de uma ponte sobre o estreito de Messina, que ligaria a Sicília ao continente com um vão ainda maior que o da Çanakkale, e a China já constrói estruturas que prometem novos superlativos nos próximos anos.
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