Anfavea eleva pressão e cobra manutenção de imposto para ‘cotas da BYD’
Entidade que representa montadoras tradicionais reage a pleito da chinesa por isenção fiscal em kits de montagem; Camex decide tema na próxima terça (23)
Publicado em 19/06/2026 às 16h06
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) cobrou publicamente que o Governo Federal cumpra integralmente o cronograma de recomposição das alíquotas de importação de carros elétricos e híbridos, além de manter o fim das cotas de isenção para kits de montagem de veículos – conhecidos como SKD e CKD. A entidade que congrega as montadoras instaladas no Brasil divulgou uma “Carta Aberta” na tarde desta sexta-feira (19).
A ofensiva da Anfavea ocorre às vésperas de uma reunião da Câmara de Comércio Exterior (Camex), marcada para a próxima terça-feira (23). O colegiado deve decidir se cede à pressão de novas entrantes, como a chinesa BYD, que pleiteia a volta do benefício das cotas tarifárias zeradas — expirado em janeiro deste ano — e o adiamento do retorno da alíquota cheia de importação (de 35%), previsto para julho.
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Segundo reportagem publicada no jornal O Estado de S. Paulo, a BYD tenta reaver o direito de trazer componentes da China sem imposto para finalizar a montagem dos veículos em sua fábrica de Camaçari, na Bahia. Para a Anfavea, contudo, mudar as regras do jogo neste momento representaria uma quebra de braço que ameaça a previsibilidade jurídica de investimentos bilionários.
“Manter as medidas tal como foram anunciadas é assegurar a previsibilidade e a estabilidade das regras sobre as quais o setor automotivo decidiu investir no país”, argumentou a Anfavea, lembrando que as regras vigentes foram pactuadas em 2023 e aperfeiçoadas em 2025.
Corrida por estoques

O principal argumento da associação é que o imposto de importação gradual não barrou a concorrência. Ao contrário: somente no primeiro trimestre de 2026, 11 novas marcas estrearam no mercado brasileiro. Os emplacamentos de importados saltaram 214% entre 2023 e 2025.
No entanto, a Anfavea acende um sinal de alerta sobre o comportamento recente do mercado. Estimulados pela iminência da alíquota cheia em julho, os estoques de veículos importados nos pátios atingiram a marca de 150 dias em maio. A entidade acusa concorrentes estrangeiras de promoverem um “abastecimento antecipado” para distorcer as condições de concorrência com os modelos fabricados localmente.
O setor projeta um impacto estrutural severo caso a fabricação por meio de kits importados (conhecida como sistema CKD) se perpetue sem o devido recolhimento de tributos. Um estudo da associação detalha o tamanho do prejuízo potencial para a economia brasileira:
- R$ 96,8 bilhões em perda potencial de vendas para o setor de autopeças local;
- R$ 24,3 bilhões em frustração de arrecadação de impostos para o Governo Federal;
- 259 mil empregos em risco, sendo 68 mil postos de trabalho diretos e 191 mil ao longo da cadeia produtiva.
Investimento de R$ 140 bilhões
A contrapartida apresentada pela indústria nacional para exigir o fechamento das fronteiras tarifárias é o robusto plano de investimentos anunciado pelas montadoras tradicionais, que soma R$ 140 bilhões até 2033. Os recursos são voltados justamente para eletrificação, descarbonização e desenvolvimento de engenharia local.
Os defensores da produção nacional argumentam que a transição energética já é uma realidade sustentada por fábricas locais. Em 2025, os modelos eletrificados produzidos no Brasil respondiam por 26% das vendas do segmento. Em 2026, a fatia nacional já saltou para 40%.
A Anfavea pondera que os kits importados são úteis em fases iniciais de instalação de novas fábricas, mas que o modelo precisa evoluir rapidamente para a nacionalização de componentes. “Transformar instrumentos transitórios em mecanismos prolongados reduz os incentivos à agregação de valor”, diz o texto da entidade.
Para a reunião da Camex, a posição do setor tradicional é de tolerância zero para concessões. As montadoras exigem o fim definitivo das cotas de alíquota zero, a rejeição de novos “ex-tarifários” e que qualquer mudança regulatória passe por um diálogo prévio com quem já empenhou recursos no país.
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Quer vender carro no Brasil então nacionalista 80% a linha de produção. Meu apoio a ANFAVEA e na defesa da indústria nacionalizada.
Lamentável a postura da ANFAVEA! Ela deveria aproveitar a sua posição no país e exigir do governo que seja feita uma reforma tributária decente e não aquele arremedo que foi feito este ano. Algumas sugesatões: eliminar a cobrança de tributos ao longo da cadeia produtiva, sendo que os devidos tributos só seriam cobrados uma única vez do consumidor final. Por outro lado reduzir até eliminar os chamados encargos trtabalhistas, que encarecem o custo do emprego para as empresas, também seria muito bom. Simultaneamete seria fundamental que houvesse um maior controle sobre os gastos com salários de políticos e eliminar os chamados penduricalhos. Este seria apenas um ponto de partida. É necessário que se reduza o custo do automóvel, para torná-lo acessível a mais comp0radores. Também discordo que os recém chegados gozem de benefícios aos quais os demais não têm mais acesso. As condições de concorrência precisam ser iguais.
Chega a ser ridícula a postura de defender uma odiosa reserva de mercado enquanto na verdade o que realmente desejam é continuar empurrando carroças retrógradas a preço de carros tecnologicamente superiores, por isso pedem esta descabida proteção.
Se há descompasso entre o preço de um importado com relação ao montado aqui, e não é caso de deuping, as nobres montadoras e o governo Estadual e Federal devem sentar e ver o que raios está acontecendo. Socar mais imposto, ou distribuir isenções a granel a título de “preservar empregos” é picaretagem. Não está conseguindo enfrentar ci fora que outras virão, certo Ford?
* dumping
A maior ” inovação” proposta pela Anfavea, consiste em implorar ao governo,para TASCAR IMPOSTOS EM QUANTIDADES ABSURDAS, sobre tudo quanto é carro chinês! Avante, China, espero que dentro de poucos anos, essa turma cheia de carros obsoletos, muita pose e imensa carestia, tenha sido alijada do mercado!
Como se não bastasse, em 1º de janeiro entra o imposto safa, ops… do pecado onde carro elétrico será taxado. Querem mais ainda?
