Trump tirou subsídios, travou projetos e apoiou o petróleo; agora a guerra contra o Irã encarece a gasolina e empurra o mercado para a eletrificação
Em uma reviravolta irônica, Donald Trump — que dedicou os primeiros meses de mandato a desmontar a política de eletrificação automotiva nos Estados Unidos — virou o maior impulsionador involuntário das vendas de carros elétricos no país. Isso porque a guerra contra o Irã, iniciada sob seu comando, encareceu a gasolina e empurrou os motoristas americanos justamente para os carros que ele tentou enterrar.
Logo no início do governo, republicanos derrubaram o incentivo fiscal de US$ 7.500 para a compra de elétricos, suspenderam projetos de eletrificação já aprovados e reforçaram o apoio à indústria de petróleo e gás, beneficiada por subsídios bilionários. Era a estratégia para travar uma tecnologia vista como ameaça aos combustíveis fósseis. Mas não deu tão certo assim.
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O efeito do conflito foi inverso: dados da consultoria Edmunds, divulgados pela CNBC, mostram que, em janeiro, 67,1% dos compradores de elétricos zero-quilômetro entregaram um carro a gasolina na troca — em abril, o índice saltou para 72,1%.
Os donos de elétricos também estão mais fiéis. No início do ano, apenas 26,2% dos que trocaram de veículo escolheram outro elétrico novo; em abril, o número subiu para 35,4%. Entre os seminovos, a recompra passou de 34,3% para 44,5% no período.
Especialistas, porém, alertam que dois meses de dados ainda não permitem decretar o fim dos carros a gasolina — parte da troca pode ser só reação imediata aos preços nos postos. Para Ivan Drury, diretor de pesquisas da Edmunds, em seis meses o efeito deve atrair ainda mais motoristas cansados do bolso apertado, sobretudo se outros custos também subirem.
Analistas da Cox Automotive lembram que as altas taxas de juros freiam quem tem o veículo em bom estado e pensaria em trocar só para economizar na bomba —cenário que difere do pico dos combustíveis em 2008, quando americanos abandonaram em massa SUVs grandes por sedãs compactos. Sem um acordo que garanta a passagem segura do petróleo pelo Estreito de Ormuz, as vendas de elétricos podem disparar.
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