“Rodas de 24 polegadas que parecem ter 14”: designer estraga a festa do primeiro Ferrari elétrico

Para Alexey Semenov, Ferrari Luce desperdiça referências como a Testarossa e deixa interior sem resposta para o peso do cavalo rampante

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Acabamento aerodinâmico com duas cores diminuiu visualmente o tamanho das rodas, diz designer (Foto: Ferrari | Divulgação)
Por Tom Schuenk
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 03/06/2026 às 15h00

O designer Alexey Semenov, que assinou projetos como o Fiat 500e, o Nio ES6 de segunda geração e o GWM Tank 700, analisou com exclusividade para o site CarNewsChina a controversa Ferrari Luce, o primeiro modelo 100% elétrico da fabricante italiana. Para o especialista, o superesportivo representa uma oportunidade perdida ao expor o conflito entre o design industrial puro e as proporções clássicas do design automotivo tradicional.

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Críticas às proporções e o erro visual das rodas

A análise aponta falhas graves na distribuição de volumes da carroceria. O veículo é descrito como curto, estreito e alto, combinação que gera incômoda sensação de compressão visual. O erro mais gritante está nas rodas: embora o modelo use aros enormes de 23″ na dianteira e 24″ na traseira, o resultado é contraintuitivo.

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Semenov explica que o acabamento aerodinâmico com divisão de cores reduziu o peso visual das peças. Na prática, as rodas parecem ter 14 ou 15 polegadas, longe da imponência esperada de um esportivo desse calibre.

Se a frente é o ponto mais resolvido do conjunto, segundo Semenov, a traseira não sustenta a mesma confiança: é classificada como larga, alta e excessivamente comprimida, e a tentativa de reinterpretar as clássicas quatro lanternas circulares da marca resulta em um caimento de teto abrupto. Para o designer, a Ferrari poderia ter buscado inspiração em modelos como a Testarossa, que sintetizou pensamento industrial e dramaticidade automotiva com maestria.

Interior sofisticado, mas fora de contexto para a marca

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O interior da Ferrari Luce, por outro lado, recebeu elogios técnicos do designer: foi descrito como confiante, coerente e rico em detalhes mecânicos e táteis de alta qualidade. O grande problema, contudo, é a falta de contexto.

Segundo Semenov, a cabine funcionaria perfeitamente em um elétrico urbano de uma marca premium estreante, mas levanta uma pergunta incômoda sobre identidade num carro do porte de uma Ferrari —e o desenho não dá resposta convincente à carga emocional e esportiva que o cavalo rampante exige.

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