[Avaliação] JAC T40 CVT: vale a pena levar esse chinês para casa?

Veículo mostra que os chineses avançaram desde que começaram a ser importados para o Brasil, mas ainda há muito a evoluir

Por Alexandre Carneiro11/07/18 às 14h59

O JAC T40 CVT  pega carona nas últimas tendências do mercado, que têm conquistado os consumidores: o visual ao estilo SUV e o câmbio automático. Embora seja apresentado como utilitário pelo fabricante, está mais para um hatch de carroceria elevada. Já a transmissão do tipo continuamente variável é a última novidade do modelo, oferecida no Brasil a partir de abril deste ano. Trata-se de um legítimo representante da indústria chinesa, cujos produtos são vendidos por aqui há cerca de 10 anos, mas ainda não conseguiram obter participação significativa no mercado.

Nesse contexto, após dirigir o T40 CVT, é possível chegar a duas conclusões, uma positiva e outra negativa. A primeira é de que os produtos do país asiático apresentaram evoluções notáveis nesse período. Já a segunda é de que, apesar dos avanços, eles ainda precisam trilhar um longo caminho para se equipararem aos similares de marcas japonesas, coreanas, europeias e norte-americanas.

O que ele tem de bom

Entre os pontos elogiáveis, está o padrão de construção. O acabamento interno, para a faixa de preço na qual o veículo está inserido, é bem-feito, com componentes internos sem falhas de encaixe ou de montagem. Os plásticos duros não destoam no segmento, sendo que no painel e nas forrações das portas eles são suavizados por enxertos estofados. A ergonomia também é correta, com boa posição de dirigir, volante de pegada confortável – apesar de a coluna ser ajustável apenas em altura, e não em profundidade – e instrumentos de leitura fácil. O nível de ruído a bordo não é elevado, revelando um isolamento acústico competente.

Avaliação JAC T40 CVT

O espaço interno também é satisfatório para o porte do carro. Quatro adultos de estatura elevada conseguem se acomodar sem desconforto. Com cinco a bordo, a situação fica, literalmente, mais justa, mas ainda aceitável para a categoria. Além disso, todos contam com a proteção de cintos de três pontos e encostos de cabeça. O porta-malas, segundo o fabricante, tem 450 litros, medida que parece otimista demais; será o método de aferição do volume? De qualquer modo, o compartimento tem um bom tamanho e mostra-se coerente com a proposta.

O pacote de equipamentos, que costuma ser argumento de compra em todo caro chinês, é generoso também no T40 CVT. Ele é oferecido com dois pacotes de equipamentos: o primeiro vem de série com ar-condicionado digital, vidros, travas e retrovisores elétricos, rodas de liga leve de 16 polegadas, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, volante multifuncional, controles eletrônicos de estabilidade e tração, monitoramento de pressão de pneu e os básicos freio com ABS e EBD e airbag duplo. O segundo acrescenta itens como bancos em couro sintético, cruise-control, faróis com acendimento automático, retrovisor interno eletrocrômico e central multimídia com tela sensível ao toque de oito polegadas e câmera de ré, que, porém, não dispõe de recursos como espelhamento de celulares ou navegador GPS.

O que ele tem de ruim

No que, então, esse chinês deixa a desejar? Basicamente, na parte dinâmica. O câmbio automático, um dos maiores atrativos comerciais do modelo, tem respostas extremamente lentas. Para obter agilidade, só mesmo apelando para a função Sport ou para as trocas sequenciais: nesse caso, há seis marchas simuladas. É verdade que o sistema CVT não prioriza a performance, mas, mesmo em comparação com outros veículos equipados com esse tipo de transmissão, as arrancadas são lentas demais e, após sair da imobilidade, o motor custa a subir de giro. Essa característica, fruto de um acerto malfeito do conjunto de powertrain, é reforçada pela anemia em baixas rotações do propulsor 1.6 com quatro cilindros e 16 válvulas. Seus números de potência e torque, de 138 cv e 17,14 kgfm, enchem os olhos, mas são entregues em giros elevados, a 6.000 rpm e 4.000 rpm, respectivamente.

Avaliação JAC T40 CVT

Esses valores são obtidos sempre com gasolina, até porque o T40 não tem sistema flex e, assim, está impedido de consumir etanol. É verdade que ele tem sistema start-stop, que desliga o motor em paradas de sinal e o religa automaticamente quando o motorista tira o pé do freio. Desse modo, ajuda a aliviar um pouco o bolso do motorista na hora de abastecer. Mas, nessa operação, surge outro problema: quando o propulsor está desligado, o hill-holder não funciona. Desse modo, em arrancadas em subidas, até o sistema “entender” que precisa dar a partida, o veículo já voltou atrás. Resta ao condutor interromper o funcionamento do start-stop por meio de um botão ou usar o freio de mão.

A direção elétrica também não ajuda. É muito indireta e quase não perde assistência à medida que o veículo ganha velocidade, deixando o volante leve demais em alta, o que transmite pouca segurança ao motorista. O peso da direção é adequado apenas a manobras de estacionamento. Definitivamente, falta um trabalho de engenharia mais intenso ao T40 CVT: é questão de o fabricante refinar melhor os sistemas de motor, câmbio e direção durante o desenvolvimento técnico do produto.

Na média em outros quesitos

Há ainda um terceiro grupo de quesitos, nos quais o T40 não faz feio, mas tampouco chega a se destacar, com resultados medianos. Isso ocorre, por exemplo, com o acerto da suspensão, que tem arquitetura tradicional: independente do tipo McPherson na frente e semi-independente por barra de torção atrás. O sistema tem compromisso bem-equacionado entre conforto e estabilidade, e faz com que o veículo consiga entregar boa estabilidade em curvas, sem rolagem exagerada da carroceria, e, ao mesmo tempo, tenha um rodar confortável em pisos irregulares, deixando os ocupantes a salvo de sacolejos. Só não é melhor porque o conjunto chega ao fim do curso com facilidade e, quando isso ocorre, percebe-se um impacto seco a bordo.

Avaliação JAC T40 CVT

Os freios chamam a atenção pela utilização de discos nas quatro rodas (do tipo ventilado na dianteira e sólido na traseira), um sistema mais sofisticado e, em tese, melhor que o utilizado em outros modelos, nos quais as rodas de trás são equipadas com tambores. OT40 chega à imobilidade em espaços curtos, item que corrobora de maneira decisiva para a segurança. Porém, novamente, nem tudo é perfeito: o pedal é pouco progressivo, funcionando à base do tudo ou nada. Mais um ponto ao qual o fabricante deveria aplicar um trabalho mais elaborado de desenvolvimento.

Em consumo, o T40 CVT alcançou resultados não mais que razoáveis. A reportagem aferiu médias de 8,4 km/l na cidade e 11,6 km/l na estrada. Esses números não fazem dele um beberrão, mas, considerando a cilindrada do motor e o porte do veículo, era de se esperar mais. Além disso, o tanque pequeno, de apenas 42 litros, limita a autonomia.

Vale a pena?

Afinal de contas, vale a pena comprar um T40 CVT? Bem, o preço, que vai de R$ 70.990 a R$ 73.990, dependendo do nível de equipamentos, é competitivo diante do conteúdo do modelo. Porém, há alguns pontos negativos que devem ser levados em conta, entre os quais a questão da dirigibilidade, que, como foi apontado, precisa melhorar. Há de se considerar ainda que a JAC, assim como outras marcas chinesas, ainda está longe de ter a mesma aceitação das concorrentes tradicionais no mercado brasileiro, o que tende a dificultar a revenda. Por fim, vale ressaltar que serviços de pós-venda, apesar da ampla garantia de seis anos, são limitados pela pequena rede assistencial, que conta com apenas 39 autorizadas em todo o país. Na equação entre prós e contras, o resultado de levar ou não o modelo para casa vai do gosto e das prioridades de cada um.

Veja a galeria de fotos:

Ficha técnica: JAC T40 CVT

Motor: Dianteiro, transversal, a gasolina, 1.590 cm³, com quatro cilindros, 16 válvulas e injeção multiponto de combustível

Potência: 138 cv a 6.000 rpm

Torque: 17,14 kgfm a 4.000 rpm

Transmissão: automática do tipo CVT, com seis velocidades simuladas, tração dianteira

Suspensão: McPherson na dianteira e barra de torção na traseira

Freios: disco ventilados na dianteira e discos sólidos na traseira, com ABS

Direção: assistida eletricamente

Dimensões: 4,135 m de comprimento, 1,568 m de altura, 2,490 m de distância entre-eixos, 1,750 m de largura

Peso: 1.155 kg

Tanque de combustível: 42 litros

Porta-malas: 450 litros

Fotos Alexandre Carneiro | AutoPapo
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10 Comentários

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  • João Brito 3 de novembro de 2018

    Tenho um j3 turin a 6 anos já rodei 80milK e continua praticamente igual ao primeiro dia que peguei na concessionaria. Só truquei pastilhas do freio e peneus
    por desgaste. Meu próximo carro JAC t40 até já fiz um teste drive e na minha avaliação com comparativos diante do WR, CRETA, TRACKER, KICKS carros que testei
    que estão na faixa de r$ 85900, a r$99900, de 10 a 30.000 mais caros e menos equipados não me induziram a pagar essa enorme diferença só pela questão do
    SELO MARCA porque em questão de qualidade até nisso senti o T40 melhor. Concordo com o Chico Paulista.”vejo a reportagem como muito tendenciosa ao preconceito dos chinas, embora tenta disfarçar” só pra completar e bom que saibam que hoje em dia todas praticamente todas as tecnologias modernas inovadoras tanto de carros como na área de informatica robótica e outras são desenvolvidas na China não tem mais como fujir disso.

  • luiz Antonio Silva 17 de outubro de 2018

    Comprei um T40 e ja esta 24 mil km,ate agora nada de anormal com ele,esta como novo.so gastei com as revisão e mais nada,so acho que devia ser de 20 em 20mil km com intervalo de 10mil km so para troca de oleo e filtro.

  • luiz fernando machado 17 de agosto de 2018

    Nos últimos anos sempre tive Honda .. o ultimo uma HRV que foi roubada ótimo carro , após receber o reembolso da seguradora comecei a pesquisar outras alternativas , não conhecia o JAC T 40 CVT. Fui a uma concessionária, conheci o carro fiz teste drive avaliei todos os opcionais oferecidos e preço , seguro e confesso que gostei muito do veiculo e em todos os sentidos, nada a ver com os antigos chineses excelente acabamento confortável , preço justo pelo que ele oferece , mais opcionais que da HRV , motor de 138 CV com seis anos de garantia. Qualquer veiculo nacional com todos estes opcionais não sai por menos de cem mil reais , paguei sessenta e nove mil e novecentos reais, estou muito satisfeito com aquisição que fiz. Vale a pena refletir e mudar o conceito sobre os chineses, ou então continuar pagando estes preços absurdos nos carros nacional, quem sabe se mudarmos os preços não caem?

    • Giuliano Gurgel 20 de agosto de 2018

      Boa noite Luiz Fernando, estou nesse dilema de adquirir um T40, todos “amigos” criticando…….realizei TD me agradou muito faz infelizmente esbarramos na questão de ser uma marca chinesa , poucas concessionárias ……Qto tempo vc esta com o veículo, já viajou com ele, o que está achando???

      • Luiz fernando Machado 23 de outubro de 2018

        Desculpe a demora Giuliano… fazem 3 meses show de bola!

  • ANTENOR 29 de julho de 2018

    POIS BEM,ESTOU SAINDO DA TOYOTA E INDO PARA A JAC T40 CVT,VOU ARRISCAR,POIS NO PASSADO TODOS OS CARROS JAPONESES ERAM DUVIDOSOS E NINGUÉM QUERIA…QUANTO DAQUI 30 ANOS OS CHINESES SE ADEQUAREM,NÃO CONCORDO…TODOS PODEM OPINAR, AFIRMAR.SÓ QUEM POSSUI O MESMO…

  • Fernando Moojen. 20 de julho de 2018

    Adquiri um JAC-T5 com câmbio automático CVVT, Ano 2018 modelo 2018, Está com 11.500 Km. Rodo com álcool e gasolina aditivada. Nada tenho a reclamar, acho um ótimo carro. Na cidade com álcool faço , 09,10 e na free- wai 11,oo km litro a base de 110 km/hora, com gasolina aditivada, faço o mesmo trajeto 13 km/hora.
    Estou satisfeito preenche minhas necessidade com todos os acessórios que o mesmo fornece e, que os SUV da mesma categoria não fornecem além de um preço bem superior. Mas estou pensando em trocar no futuro por um T40 automático. A “TRACK” da GM, custava no mês passado R$ 105.000,00 a vista. Não tem piloto automático, Freio traseiro com sistema de Tambor , não possui câmara de Ré e bancos de tecidos e com acabamento interno a desejar, e não possuindo Piloto automático….. OBS. o Marcus Mendes, concorda com outras opiniões e alegando que ” Daqui 30 anos os carros Chineses serão melhores” mas eu não quero nem pensar em daqui a 30 anos, o importante é hoje e acho que os Chineses estão avançados em tecnologias automobilísticas.

  • Chico Paulista 14 de julho de 2018

    Já fiz o teste drive no Jac T40 e discordo do volante oferecer “pouca segurança ao condutor”, ele é mais leve é verdade mas não a ponto de ser inseguro; vejo a reportagem como muito tendenciosa ao preconceito dos chinas, embora tenta disfarçar; possui ótima dirigibilidade e é uma ótima opção se comparados com os demais fabricantes que não oferecem os mesmos opcionais pelo preço praticado pela Jac.

  • marcus mendes 11 de julho de 2018

    Concordo. Daqui a 30 anos os carros Chineses serão melhores. Mas, até isso acontecer,os carros já serão eletricos ou movidos à hidrogenio.

  • WALTER JOAO CHESSA 11 de julho de 2018

    EU NÃO COMPRARIA….A CONCORRENCIA TEM COISA MELHOR…..NÃO GOSTARIA DE TER UM MICO NA MÃO NA HORA DA TROCA OU VENDA

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