CAOA assume controle da Chery Brasil e fica perto do “carro próprio”

Por Roberto Nasser17/11/17 às 10h08
Roberto Nasser

E a CAOA comprou a Chery

CAOA, instalada em Anápolis (GO), onde faz carros e pequenos caminhões Hyundai, foi aceita pela chinesa Chery para a compra de 50,7% de suas ações na Chery Brasil – dona de fábrica de automóveis, fundição e centro de distribuição de peças. Os chineses comunistas pensavam em fórmula para conviver com a má experiência capitalista no Brasil: implantaram instalação industrial de primeira grandeza, mas não têm conseguido programar ou executar programas de produção, pois o sindicato dos metalúrgicos do Vale do Paraíba executa greves e paralisações constantes. Tais interrompem o fluxo industrial e o fornecimento dos carros à rede revendedora. Sem saber lidar com o problema, desistiram, anunciando a decisão de vender a operação no Brasil e sair do mercado encolhido pela crise, acachapado por seus problemas internos.

Bom negócio. A fábrica tem  400 mil  metros quadrados de área construída; capacidade de produzir de 50 mil unidades anuais. O valor pedido, segundo gente do ramo, é inferior ao custo. Aspecto importante a considera: para a CAOA, a compra abre novo patamar para negócios:

1 – É desconhecida, mas há data de vigência dos contratos de produção dos Hyundai pela CAOA. Ter os chineses é garantia de, à data, permanecer na atividade;

2 – Dá-lhe condições de viabilizar construção de carro próprio, antigo sonho de seu polêmico controlador, o empresário originalmente médico Carlos Alberto de Oliveira Andrade, cujo acróstico batiza o grupo.

Início

Não há definições sobre cortes de pessoal ou sinergias, mas nestes dias de informática todos os serviços administrativos de ambas as marcas tendem a se concentrar em apenas uma. Ante o fato de o sindicato paulista agir como inimigo do patrão, pode sinalizar cortes de pessoal na Chery, em Jacareí (SP) e transmissão de funções para a base CAOA.

Produtos

Nova empresa, de acordo com comunicado público, chamar-se-á CAOA Chery, fundindo operações e instalações, com previstas alterações industriais para harmonizar meios e produtos. Passos iniciais, aparentemente para medir a temperatura do relacionamento com o sindicato paulista, CAOA Chery desviará para Anápolis (GO) a produção de novos veículos de origem chinesa. A escolha decorrerá de acordo com os equipamentos industriais existentes na fábrica goiana e as oportunidades de mercado. Irá evitar concorrência predatória de veículos de marcas diferentes feitos sob o mesmo teto. Decisões com aplicação imediata, válidas para 2018. Uma delas pode ser a substituição do utilitário esportivo Tiggo, anteriormente previsto pelos chineses para ser produzido na Chery, pela novidade mais recente da marca: o RUIHU 5X (que nome…) – atualizado em estilo e conteúdo, com realce à conectividade. Emprega motor 1.5 turbo e tração nas quatro rodas. 

Soma da capacidade produtiva de Anápolis (GO): 87 mil veículos/ano. A Chery “arranha” 140 mil/unidades anuais.

Nasser Chery CAOA
RUIHU 5X – nome de automóvel ou fórmula homeopática?

Mostrada vem aí

Quer assustar o pessoal da Fiat? Pergunte sobre o Mostrada. E o que seria o eventual produto correspondente a tal designação? Composição irônica indica a soma de cabine do Mobi com a plataforma da boa picape Strada.

Na prática, o negócio é a necessidade de criar novo ciclo de vida para a bem vendida Strada, porém, respeitados dois limites: conter o preço para não escapar à competição no mercado e não se aproximar dos valores da Toro, maior picape da empresa  – criadora de novo segmento, de vendas e lucros estelares.

Algumas fórmulas foram tentadas, protótipos moldados, e concluiu-se por uma: usar a estrutura da cabine do Mobi, até a Coluna B, e adequá-la a parte de carga. Não se trata apenas de fazer soldas juntando partes. Daí o arrepio do pessoal da Fiat ante a citação do nome: não quer ver a Strada identificada como uma picape da família Mobi. Relativamente à atualmente empregada, a cabine tem melhor administração de espaços, absorve mecânica mais moderna, como a família 1400, e não será aplicada simploriamente. Terá cara própria, mantidas estrutura e medidas, mas com identificação visual diversa, para evitar tal associação – aparentemente para-lamas, capô, grade, grupo óptico frontal e grade serão diferentes, e tais formas motivarão mudar a caçamba em medidas e no desenho das laterais. É o Projeto X6P  – e chegará rápido.

E o Cactus também

Nome espinhoso pode ser curioso – mas não será impedimento às vendas no país onde rede hospitalar se chama D’Or  – e descreve veículo muito interessante.

Limpo em estilo, grande superfície envidraçada, carroceria sem vincos ou ângulos, primorosa administração de espaço interno, o Cactus representa a volta da Citroën à sua corajosa linha de conceito estético. Terá 2,60m de distância entre eixos, ótimo espaço em sua classe; bancos largos inspirados em sofá e controle de infotenimento e conectividade por tela de 20 cm ao centro do painel.

Primeiros protótipos produzidos e em fase final de testes. O automóvel a ilustrar a notícia foi fotografado em Itatiaia (RJ), cidade ao lado de Porto Real, onde será feito. Lançamento previsto para o primeiro semestre de 2018 já com a evolução exibida na segunda série, como mudança de grade frontal e no grupo óptico. Mecânica variada, do motor 1.2 de aspiração simples ao 1.6 turbo.

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Cactus disfarçado em Itatiaia, RJ (Foto: Margite Alvares)

Toyota Prius lidera vendas de elétricos

Sem produção ou montagem locais e sem incentivo oficial, a Toyota está mudando o conceito e o mercado de híbridos elétricos: seu Prius é o mais vendido do segmento – supera a soma de todos os demais concorrentes – assinalando média mensal de 300 unidades emplacadas. Resultado surpreendente, explica Miguel Fonseca, vice-presidente da japonesa e encarregado do projeto. Projeto está assentado em três pilares: tornar o veículo conhecido, garantir assistência técnica superior e ter preço competitivo. A Toyota começou a iniciativa com a série 3, logo substituída pela atual, ao tempo em que treinava mecânicos para conhecer o produto com profundidade. Esforço para atingir todo o país, forma de tornar os profissionais os primeiros divulgadores de sua superioridade. Por si só o Prius é de uso extremamente agradável, ao ser construído sobre plataforma própria, aproveitando o espaço interno. Atrativos outros, como a larga garantia de oito anos, para os componentes do sistema híbrido, e a consciência do avanço da eletrificação como caminho próximo da mobilidade auxilia fomentar vendas, feitas a preço competitivo – em torno de R$ 130 mil. A Toyota acredita nas condições e capacidades brasileiras para desenvolver importante braço de tecnologia neste período de abandono dos combustíveis fósseis pelos renováveis. Mesmo Fonseca crê, houvesse uma linha de política de estado, o carro híbrido/elétrico, “autocarregável” por motor flex ou a álcool, colocaria o país na vanguarda tecnológica. Hoje, nas discussões para estabelecer nova política industrial para automóveis, o Rota 2030, o tema da mudança de combustível vem sendo tratado com distância, sem ser objetivo a ser atingido.

Não há incentivo para a importação, mas apenas tratamento tributário diferenciado. Prius e outros híbridos elétricos recolhem 4% de imposto de importação, contra 35% dos demais importados, mas não há incentivo no IPI relativamente aos veículos movidos por motores de combustão interna.

Prius Nasser CAOA Chery
Toyota Prius, líder entre os elétricos

Roda-a-Roda

Minguou – Renault desistiu de vender seu sedã Fluence na rede de concessionários. Agora apenas frotistas. Automóvel é muito bom em seu segmento, o melhor para Uber e “que-tais”, porém marca nunca o fez competitivo.

Questão – Marca francesa padece do mesmo problema da italiana Fiat: não sabe vender carros maiores e mais caros. Última geração do Mégane, feita em Curitiba, e sua camioneta Grand Tour, os melhores nos seus segmentos, nunca se impuseram.

Ocasião – Automóvel se expõe no Salão do Automóvel. Correto? Talvez coerente, mas há exceções nestes tempos onde vale tudo para promover marca e vendas. Isto explica Audi expor seu RS3 no Salão Duas Rodas, para motocicletas.

Audi – Foi pré-estreia, com vendas a iniciar em dezembro.  É o sedã A3 com tração nas quatro rodas, poderoso motor de cinco cilindros, 2,5 litros de cilindrada e 400 cv, o mais potente do mundo em sua cilindrada. Ficou exposto no stand da Ducati, marca pertencente à Audi.

Referência – Fonte de consulta sobre preço de veículos, a Kelley Blue Book chegou ao Brasil. Difere-se das tabelas convencionais por considerar mais informações para novos e usados e trazer classificação em três zonas de valor, indicando se é bom negócio ou se está acima do preço de mercado. Nos Estados Unidos, onde existe há 90 anos, lidera em registro de acessos/mês.

Fraternidade – Considerado o mais elegante dos encontros de automóveis antigos, o Pebble Beach Concours d’Élegance, realizado em Monterey, Califórnia, acaba de doar US$ 1,7 mi a entidades pias de sua região.

Institucional – BMW apoia restauração de avião Junkers JU 52, de 1934, em processo de salvamento pela Força Aérea Argentina. O alemão Junkers empregava motor aeronáutico BMW. Área de memória da empresa auxilia colecionadores a salvarem seus produtos. Não há notícias deste apoio aos restauradores de automóveis ou motos no Brasil.

Nasser BMW Junker CAOA Chery
Avião Junker, de 1934, motor BMW

Gente – Daniel Simonetti, jornalista conhecedor de automóveis na Fiat, concretude. OOOO Deixou a empresa e foi-se à MRV, construtora de edifícios. OOOO A cada vez se torna mais difícil encontrar jornalistas apreciadores de automóveis para trabalhar nas assessorias das marcas. OOOO Marco Greiffo, comunicólogo, ascensão. OOOO Assessor de imprensa aos negócios da Volvo – exceto automóveis. OOOO Antes fazia comunicação interna. OOOO Repõe espaço aberto com saída de Milena Miziara. OOOO

SOBRE

1 Comentário

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  • José Sousa da Hora Filho 19 de agosto de 2018

    Vejo com preocupação o quanto é, o Brasil, carente de informações neste seguimento. Não sei se em São Paulo, mas em outros Estados ou Região esta Cultura é muito pouco difundida. Não temos feirões, lançamentos, eventos entre marcas e nana e nada. Como o brasileiro é apaixonado por carro, o assunto deveria ser mais bem programado.

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