Comprar um carro com mais de 10 anos exige cuidados

Modelos com essa idade já trazem boa parte dos itens de conforto de um modelo atual, mas a tecnologia pode exigir atenção

ford ka sedan vermelho frente em movimento
Motores de 3 cilindros, central multimídia e outros recursos já eram comuns (Foto: Ford | Divulgação)
Por Eduardo Rodrigues
Publicado em 06/07/2026 às 06h00
Atualizado em 09/07/2026 às 21h06

Para muitos consumidores, os preços dos carros novos estão inviáveis, e um carro com mais de 10 anos de idade acaba suprindo as necessidades. Isso se reflete nas ruas, onde a maioria dos veículos vistos possui alguns anos nas costas.

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Mesmo com as vendas de carros novos crescendo a cada ano, a média de idade da frota brasileira aumentou para 15,43 anos. Esse dado veio de um estudo do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV).

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Apesar de os carros com 10 anos ainda serem próximos aos modelos atuais em muitas características, a manutenção não é a de um carro novo. Com a idade, é preciso ter cuidados adicionais.

O brasileiro roda, em média, 12 mil km por ano. Isso significa que os carros com 10 anos já devem ter por volta de 100 mil km, com exceções para mais ou para menos, dependendo do ano. No plano de manutenção, já existem alguns serviços adicionais que aparecem acima desse valor.

Os cuidados necessários para um carro com 10 anos

Geralmente, as manutenções programadas acima dos 10 anos ou 100 mil km já começam a incluir itens de maior durabilidade, como o líquido de arrefecimento do motor. Por isso, é bom olhar o manual do carro que você está interessado em comprar, que pode ser encontrado no site do fabricante.

De acordo com o mecânico Ludovico Ballesteros, proprietário da Pitucha Centro Automotivo, com essa idade é preciso ter mais atenção com a manutenção preventiva. Ele aponta que borrachas, mangueiras, suspensão, bomba d’água e sistema de arrefecimento sofrem desgaste natural com o tempo.

A idade também faz com que alguns serviços passem a ser mais frequentes, como os de suspensão, freios, bateria e alguns sensores. As trocas de fluidos também passam a ser mais corriqueiras.

Carros com 10 anos já estão com muita tecnologia embarcada

Der neue Volkswagen Golf
O Golf é um exemplo de carro que trazia muitas das tecnologias que temos hoje nos carros (Foto: Volkswagen | Divulgação)

A década de 2010 trouxe muitos avanços para os carros nacionais. A obrigatoriedade do ABS e do airbag duplo matou projetos muito antigos, e já existia a previsão de normas mais exigentes de emissões e segurança para os anos seguintes.

Lançamentos como o Chevrolet Onix, o Volkswagen Up, o Ford Ka, o Nissan March e o Hyundai HB20 repaginaram o segmento de carros compactos. Eles passaram a oferecer itens como central multimídia, câmera de ré, câmbio automático e outros que antes eram reservados a modelos mais caros.

Alguns desses carros também vieram com motores novos, como os 1.0 de três cilindros. Os médios, como o Chevrolet Cruze, estavam adotando os motores turbo com injeção direta.

E como isso envelheceu? Por um lado, a tecnologia ajuda também na hora de diagnosticar os problemas, com a utilização de um scanner. Ludovico Ballesteros alerta sobre a eletrônica nos carros recentes.

“Muitos já têm bastante eletrônica. O maior erro é trocar peças por tentativa; hoje, um bom diagnóstico faz toda a diferença. Esses componentes eletrônicos sofrem com a nossa temperatura e com a vibração do nosso piso péssimo”, atesta o especialista.

Motores com turbo e injeção direta já estão no mercado de usados

chevrolet cruze 2016 cinza traseira emblema turbo
Com 10 anos nas costas o motor do carro já bebeu todo tipo de combustível, é preciso checar com cuidado (Foto: Chevrolet | Divulgação)

Vamos excluir modelos premium e os esportivos. O downsizing, termo que descreve motores pequenos turbinados, chegou aos carros de volume no Brasil em 2013 com o Volkswagen Golf 1.4 TSI.

Em 2015, a marca alemã trouxe o 1.0 TSI para o Up, que já era flex. Nos anos seguintes, apareceram outras opções: o 1.4 turbo do Chevrolet Cruze e do Tracker, e o 1.5 turbo da Honda.

Esses primeiros motores turbinados não tiveram vida fácil; a injeção direta de alguns teve “alergia” ao etanol, por exemplo. Eles também são sensíveis à manutenção mal feita, como Ludovico Ballesteros aponta:

“Os turboalimentados envelhecem muito mal devido à falta de manutenção dos donos e à qualidade do nosso combustível, principalmente pela adição de etanol.”

É por isso que, no mercado de usados, os carros com motores aspirados costumam ser mais procurados. O desempenho e o consumo podem não ser tão bons, mas a conta na oficina será menor.

Câmbio automático pede atenção com o tempo

chevrolet onix LTZ 2016 interior painel
Em 2016 esse câmbio já era comum (Foto: Chevrolet | Divulgação)

Há 10 anos, o câmbio automático já era popular no Brasil e as ofertas eram boas. Recomendamos apenas evitar os carros automatizados, os AL4 da Peugeot e Citroën, o DSG a seco da Volkswagen e o Powershift da Ford.

Mas as caixas mais confiáveis, como as dos carros japoneses, não dispensam cuidados. Com 10 anos, já passou da hora de realizar a troca do óleo; negligenciar esse serviço pode gerar quebras que saem caro.

Para Ludovico Ballesteros, a troca do óleo do câmbio automático é um serviço importante a se fazer em um carro usado:

“O óleo do câmbio precisa ser trocado a cada 60.000 km ou 4 anos. Ignorar essa manutenção pode gerar um prejuízo muito alto. De novo, a temperatura do nosso país faz esses componentes sofrerem demais.”

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10 Comentários
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Moacyr Cardoso 10 de julho de 2026

Eu me preucuparia muito mais com essa enxurrada de carros chineses, eletrônicos e híbridos. Pois são de muitas tecnologias embarcadas e pouco confiáveis, em especial no pós venda que é péssimo. Um clássico exemplo disso é o caso da BYD, além de não ter gente capacitada pois só monta os carros em Camaçari ainda tem a questão do trabalho escravo que até hoje ficou mau explicada.

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Polvo 6 de julho de 2026

Tenho um Corsa 1.4 2012, comprado em 2019. Como estou há muito tempo com ele e a manutenção sempre em dia, acaba sendo um carro bastante confiável e tranquilo de manter. Pelo que custa, não compensa vender e procurar um carro com menos idade.

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Rodolfo 8 de julho de 2026

Vi um taxista aqui perto de casa que tem um Prisma 1.4-L por volta do ano 2018 com 400.000 km rodados.
E vi também um taxista no Terminal Rodoviário Tietê, em São Paulo-SP, com uma Meriva 2.0-L com 450.000 km rodados sem nunca abrir o motor. E ele me disse também que teve um Omega 2.2-L que rodou 800.000 km sem abrir o motor.

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Santiago 8 de julho de 2026

É cada vez maior o público que prefere permanecer com o seu confiável carro modelo “pré-2020”, independente da quilometragem, do que trocá-lo por uma das coisas zero-km que se produz hoje e ainda pagando o absurdo que elas não valem.
Me incluo nesse público!

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Santiago 6 de julho de 2026

Se com 5 ou 7 anos já não é simples achar algo confiável, com 10 anos ou mais isso vira uma epopéia.
Pra quem for encarar essa empreitada já é recomendavel ter em mente que o carro é pra uso essencialmente urbano e viagens curtas.
E quanto menos eletrônica não-essencial, melhor.

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Rodolfo 8 de julho de 2026

Santiago,
Eu tive um livramento… quando eu fui comprar o meu carro 0-km em 2019 tinha o Onix 1.0-L, 3 cilindros, turbo. Resolvi comprar o robusto e confiável Onix 1.4-L, 4 cilindros.

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Rodolfo 6 de julho de 2026

Eu jamais compraria carro usado. A coisa está tão complicada que se deve fazer laudo cautelar e levar no mecânico de confiança para não ser enganado.
Tem casos que colocam um óleo mais grosso para maquiar os ruídos e fumaça pelo escapamento de motor necessitando de retífica.
Sem contar os carros recuperados de enchente ou perda total.
Minha cunhada comprou um carro de um colega de trabalho que era de enchente… o carro falha a cada esquina. Deve ser a eletrônica que está oxidada.
Meu primeiro carro foi um VW Gol ano 1990, 1.8-L, verde cantareira, gasolina, que meu pai comprou em 1997 com 40.000 km e me deu em 2008 com 190.000 km. Vendi este carro em 2019 com 242.000 km e 29 anos de uso. Tinha fila de gente pra comprá-lo.
Em 2019 comprei um carro 0-km… não me arrependo. Estou com ele até hoje e nada de problemas. Minha escolha dele foi:
1. Motor 4 cilindros;
2. Aceleração de 0 a 100 km/h em 10,5 segundos;
3. Velocidade máxima 180 km/h;
4. Motor flex;
5. Câmbio manual de 6 marchas;
6. Montadora de renome;
7. Peças baratas;
8. Carro bonito.

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Eduardo 7 de julho de 2026

Pela descrição, aposto que o carro 0 Km que você comprou em 2019 foi um Honda Civic Sport MT, acertei?

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Rodolfo 8 de julho de 2026

Não. Comprei um Chevrolet Onix, motor 1.4-L, ano 2019, flex, câmbio manual de 6 marchas.
Com apenas 1.000 km rodados coloquei nele velas de iridium da NGK.

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Louis 6 de julho de 2026

Meu Yaris já está com 8 anos, comprado 0km, esbanjando saúde, só troca de óleo, filtros e fluidos.
Mas achar carro com 10 anos em bom estado no mercado de usados é coisa difícil.

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