Carros chineses: relembre o passado que eles querem esquecer
Há menos de duas décadas os chineses vendiam cópias baratas e modelos com baixa qualidade, situação bem diferente da atual
Publicado em 23/06/2026 às 06h00
É inegável que os carros chineses já são parte integral de nosso mercado. Atualmente eles estão com carros de padrão internacional de preços competitivos e, em muitos casos, eletrificados.
Quem vê o mercado atual pode não lembrar que no passado a situação era bem diferente. Quando começaram a chegar ao Brasil, em 2006, os carros chineses eram até bem equipados e tinham apelo no preço baixo, mas a qualidade deixava muito a desejar e o pós-venda era errático.
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Comprar um carro chinês era uma verdadeira aposta e muitos consumidores saíram prejudicados. Hoje os modelos dessa primeira fase valem nada no mercado de usados.
A fase atual é bem diferente, principalmente no quesito da qualidade. O pós-venda passou a ser valorizado pelas marcas, a GWM, por exemplo, realizou a estreia já com um centro de distribuição de peças abastecido e com uma garantia generosa.
Mas aqui vamos relembrar o passado que as marcas chinesas tentam esquecer. Confira:
1. Chery pré Caoa

A Chery foi o grupo chinês que protagonizou a primeira investida global. Os modelos QQ e Tiggo foram vendidos em diversos países, com a linha expandindo.
No Brasil ela inaugurou uma fábrica em Jacareí (SP) em 2015, porém as vendas eram baixas. Mesmo com essa instalação a marca emplacou apenas 2.159 unidades em 2016.
Em 2017 o grupo CAOA comprou 50% das operações da Chery no Brasil, a partir daí as coisas começaram a melhorar. A empresa brasileira fez uma análise melhor do mercado e passou a focar nos SUVs.
Hoje o grupo Chery voltou a investir nos mercados fora da China com as marcas Omoda, Jaecoo, Jetour e Lepas. A marca Chery ficou queimada ao redor do planeta, o Brasil é uma exceção graças a Caoa.
2. Changan

A Changan estreou no Brasil em 2025 através da Caoa, começando pela marca de luxo Avatr e em 2026 veio com os Changan Uni-T e CS75 nacionais. Mas ela já esteve aqui com outro nome: Chana.
O primeiro carro chinês vendido no Brasil foi justamente um Chana Cargo, uma pequena van com derivada de um projeto antigo da Suzuki. Essa primeira incursão ficou marcada pelo nome, que é uma gíria para as partes íntimas femininas.
Após alguns anos a importadora responsável pela marca adotou o nome Changan, para evitar as piadas. Nesse período foram vendidos apenas vans e utilitários, estratégia bem diferente da adotada hoje pela Caoa
3. Geely

De todas as marcas que estrearam em 2025 a mais forte delas foi a Geely. A gigante chinesa veio usando a infraestrutura da Renault e trouxe o hatch elétrico EX2 com preços agressivos.
Essa é a segunda vez que a Geely vende carros no Brasil, a primeira foi em 2014 quando chegou através do grupo Gandini. Ela importou o sedã EC7 e o hatch GC2 do Uruguai.
Na época a Geely já era dona da Volvo, mas seus carros eram projetos antigos. O EC7 usava um motor Mitsubishi com origem nos anos 1970.
Foi uma operação bem discreta e que durou apenas um anos, muitos nem se lembram dessa incursão da Geely. Após o fiasco o grupo Gandini voltou a focar apenas nos carros da Kia.
4. BYD

A BYD chego ao Brasil quando já estava no topo, com bons carros elétricos e híbridos plug-in. Mas uma década antes ela era mais uma marca chinesa que vendia carros copiados e usava mecânica antiga.
A logo antiga da BYD lembrava a da BMW, já o carro chefe dela era um clone do Toyota Corolla de nona geração. A marca também tinha o pitoresco S8, um conversível que copiava o Renault Megane CC e tinha dianteira de Mercedes-Benz CLK.
O clone mais recente da BYD foi o primeiro Yuan Pro, que era uma cópia do Ford EcoSport de segunda geração. Foi só na geração atual de carros, sob o comando do designer alemão Wolfgang Egger, que a marca parou de fazer cópias.
5. GWM

Em meados dos anos 2000 os carros chineses começaram a ficar famosos no mundo por serem cópias. A Great Wall Motors, que conhecemos hoje como GWM, foi uma que viralizou e chegou a ser processada.
O motivo da ação legal foi o Great Wall Peri, um subcompacto que copiava o Fiat Panda. A corte italiana ficou no lado da marca compatriota e proibiu a venda do modelo por lá.
A Great Wall também vendia cópias do Scion xB, da Nissan Frontier, do Toyota ist e do Isuzu Axiom. Na fase atual, já usando a sigla GWM, o único caso de cópia foi com o Ora Ballet Cat, que é clone do Fusca.
A GWM é hoje o maior produtor de SUVs e picapes da China. Ela está crescendo globalmente com uma estratégia cautelosa, estudando os mercados antes de começar as vendas.
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A China aprendeu a fazer carro, mas para consolidar a presença no país, deveria produzir de fato por aqui, como fazem seus concorrentes de outros países e não apenas se utilizar do regime CKD ou SKD. Além de investir mais no pós venda, passar segurança para o cliente de que não vai ficar na mão por falta de peças ou rápida obsolescência do produto. Precisam fazer com que sejam produtos desejados para quem nunca terá condições de comprar um 0Km, mas talvez um veículo de 5 ou 10 anos de uso.
