Carros chineses: relembre o passado que eles querem esquecer

Há menos de duas décadas os chineses vendiam cópias baratas e modelos com baixa qualidade, situação bem diferente da atual

chery qq 2011 vermelho frente parado
O QQ era vendido pela mesma empresa que hoje tem o sofisticado Tiggo 8 (Foto: Chery | Divulgação)
Por Eduardo Rodrigues
Publicado em 23/06/2026 às 06h00

É inegável que os carros chineses já são parte integral de nosso mercado. Atualmente eles estão com carros de padrão internacional de preços competitivos e, em muitos casos, eletrificados.

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Quem vê o mercado atual pode não lembrar que no passado a situação era bem diferente. Quando começaram a chegar ao Brasil, em 2006, os carros chineses eram até bem equipados e tinham apelo no preço baixo, mas a qualidade deixava muito a desejar e o pós-venda era errático.

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Comprar um carro chinês era uma verdadeira aposta e muitos consumidores saíram prejudicados. Hoje os modelos dessa primeira fase valem nada no mercado de usados.

A fase atual é bem diferente, principalmente no quesito da qualidade. O pós-venda passou a ser valorizado pelas marcas, a GWM, por exemplo, realizou a estreia já com um centro de distribuição de peças abastecido e com uma garantia generosa.

Mas aqui vamos relembrar o passado que as marcas chinesas tentam esquecer. Confira:

1. Chery pré Caoa

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A Chery ficou tão queimada ao redor do mundo que criou as marcas Omoda, Jaecoo, Lepas e Jetour para a nova ofensiva global (Foto: Chery | Divulgação)

A Chery foi o grupo chinês que protagonizou a primeira investida global. Os modelos QQ e Tiggo foram vendidos em diversos países, com a linha expandindo.

No Brasil ela inaugurou uma fábrica em Jacareí (SP) em 2015, porém as vendas eram baixas. Mesmo com essa instalação a marca emplacou apenas 2.159 unidades em 2016.

Em 2017 o grupo CAOA comprou 50% das operações da Chery no Brasil, a partir daí as coisas começaram a melhorar. A empresa brasileira fez uma análise melhor do mercado e passou a focar nos SUVs.

Hoje o grupo Chery voltou a investir nos mercados fora da China com as marcas Omoda, Jaecoo, Jetour e Lepas. A marca Chery ficou queimada ao redor do planeta, o Brasil é uma exceção graças a Caoa.

2. Changan

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A vanzinha Chana é da mesma empresa que hoje faz o suntuoso Avatr 11 (Foto: Chana | Divulgação)

A Changan estreou no Brasil em 2025 através da Caoa, começando pela marca de luxo Avatr e em 2026 veio com os Changan Uni-T e CS75 nacionais. Mas ela já esteve aqui com outro nome: Chana.

O primeiro carro chinês vendido no Brasil foi justamente um Chana Cargo, uma pequena van com derivada de um projeto antigo da Suzuki. Essa primeira incursão ficou marcada pelo nome, que é uma gíria para as partes íntimas femininas.

Após alguns anos a importadora responsável pela marca adotou o nome Changan, para evitar as piadas. Nesse período foram vendidos apenas vans e utilitários, estratégia bem diferente da adotada hoje pela Caoa

3. Geely

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A primeira vinda da Geely durou apenas um ano (Foto: Geely | Divulgação)

De todas as marcas que estrearam em 2025 a mais forte delas foi a Geely. A gigante chinesa veio usando a infraestrutura da Renault e trouxe o hatch elétrico EX2 com preços agressivos.

Essa é a segunda vez que a Geely vende carros no Brasil, a primeira foi em 2014 quando chegou através do grupo Gandini. Ela importou o sedã EC7 e o hatch GC2 do Uruguai.

Na época a Geely já era dona da Volvo, mas seus carros eram projetos antigos. O EC7 usava um motor Mitsubishi com origem nos anos 1970.

Foi uma operação bem discreta e que durou apenas um anos, muitos nem se lembram dessa incursão da Geely. Após o fiasco o grupo Gandini voltou a focar apenas nos carros da Kia.

4. BYD

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Esse clone do Corolla foi o principal modelo da BYD por alguns anos e usava motor Mitsubishi (Foto: BYD | Divulgação)

A BYD chego ao Brasil quando já estava no topo, com bons carros elétricos e híbridos plug-in. Mas uma década antes ela era mais uma marca chinesa que vendia carros copiados e usava mecânica antiga.

A logo antiga da BYD lembrava a da BMW, já o carro chefe dela era um clone do Toyota Corolla de nona geração. A marca também tinha o pitoresco S8, um conversível que copiava o Renault Megane CC e tinha dianteira de Mercedes-Benz CLK.

O clone mais recente da BYD foi o primeiro Yuan Pro, que era uma cópia do Ford EcoSport de segunda geração. Foi só na geração atual de carros, sob o comando do designer alemão Wolfgang Egger, que a marca parou de fazer cópias.

5. GWM

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A Fiat processou a Great Wall por causa desse carro, o juiz concordou que era uma cópia do Panda (Foto: Great Wall | Divulgação)

Em meados dos anos 2000 os carros chineses começaram a ficar famosos no mundo por serem cópias. A Great Wall Motors, que conhecemos hoje como GWM, foi uma que viralizou e chegou a ser processada.

O motivo da ação legal foi o Great Wall Peri, um subcompacto que copiava o Fiat Panda. A corte italiana ficou no lado da marca compatriota e proibiu a venda do modelo por lá.

A Great Wall também vendia cópias do Scion xB, da Nissan Frontier, do Toyota ist e do Isuzu Axiom. Na fase atual, já usando a sigla GWM, o único caso de cópia foi com o Ora Ballet Cat, que é clone do Fusca.

A GWM é hoje o maior produtor de SUVs e picapes da China. Ela está crescendo globalmente com uma estratégia cautelosa, estudando os mercados antes de começar as vendas.

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