Chery prepara 7 carros flex para o Brasil e afirma que produção local é indispensável

CEO global da marca defende fabricação nacional como caminho para ampliar a competitividade e não descarta lançamento de picapes

omoda 4
Omoda 4 está confirmado para o Brasil e receberá motorização flex (Foto: Chery | Divulgação)
Por Marcelo Jabulas
De Wuhu, China
Publicado em 26/10/2026 às 13h00

A Chery quer ampliar cada vez mais sua participação no mercado brasileiro. Depois de uma fracassada operação iniciada em 2014, com a construção da planta de Jacareí (SP), que foi assumida pela Caoa, mas já fechou as portas, o grupo chinês quer caminhar por conta própria no Brasil.

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O plano de operação independente no Brasil teve início há pouco mais de um ano com o lançamento das marcas Jetour, Omoda e Jaecoo. A Chery ainda trará para o Brasil a iCAUR e a Lepas, que chegam em 2027 e 2028, respectivamente.

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Mas não basta ser apenas uma importadora chinesa. O Brasil tem erguido barreiras protecionistas e a Chery sabe que precisa ter  produção local, ajustar produtos ao gosto nacional com engenharia brasileira e ampliar portfólio, inclusive com picapes. Quem deu a receita é o CEO global da companhia, Guibing Zhang.

Em coletiva com a imprensa brasileira na sede da empresa em Wuhu, na China, o executivo confirmou o lançamento de sete produtos com motorização híbrida flex. Entre eles está o Omoda 4, que conta com tecnologia de autonomia estendida (REEV). O SUV compacto, do porte do Volkswagen T-Cross, desembarca ainda no primeiro semestre de 2027 e é cotado para ser um dos primeiros modelos montados no país.

Produção local

O Grupo Chery negocia com a Jaguar Land Rover o uso da planta de Itatiaia (RJ), que está parada desde o fim do primeiro semestre, para dar início às operações fabris do grupo por aqui, uma vez que os modelos Chery montados no Brasil, em Anápolis (GO), são de responsabilidade da Caoa.

Zhang considera que a fabricação de veículos no Brasil é importante para sustentar o crescimento, ampliar a competitividade e viabilizar projetos específicos para o mercado nacional. Apesar do interesse declarado, os executivos não fizeram nenhum tipo de anúncio sobre localização ou cronograma para a instalação de uma fábrica no Brasil.

Mas o que o chefão da Chery descarta de imediato é o desenvolvimento de um produto exclusivo para a região. O grupo trabalhará com portfólio global, mas com ajustes para atender as exigências legais e de preferência de cada mercado.

Fábrica da Jaguar Land Rover em Itatiaia (RJ) (Foto: Jaguar Land Rover | Divulgação)
Fábrica da Jaguar Land Rover em Itatiaia (RJ) está fechada e interessa a Chery (Foto: Jaguar Land Rover | Divulgação)

Engenharia brasileira

A Chery pretende ampliar a participação da equipe brasileira de pesquisa e desenvolvimento na adaptação dos veículos. O passado já mostrou que apenas produzir um carro fac-símile do vendido na China não basta. Haja vista o fracasso que foi o Celer nacional. Assim, Zhang afirma que  a ampliação da engenharia local poderá contribuir para calibrar motores, ajustar a dirigibilidade e definir equipamentos mais adequados ao mercado brasileiro.

Expansão de rede

Segundo o executivo, uma das prioridades do Grupo Chery é a expansão da rede de concessionárias. E as razões são óbvias: a Chery trabalha atualmente com três marcas: Omoda, Jaecoo e Jetour, e lançará iCAUR, já no primeiro trimestre de 2027 e prepara a chegada da Lepas, que se posicionará como selo premium no Brasil. O plano ampliar de 110 para para 150 lojas até o fim deste ano e superar os 200 pontos com a chegada das novas marcas..

Picape híbrida plug-in a diesel está em estudo

Picape Jetour F700
Picape Jetour F700 já está registrada no Brasil (Foto: Jetour | Divulgação)

Questionado se a Chery poderia vender picapes no Brasil, Zhang sinaliza que há opções no portfólio. A marca conta com picapes no mercado chinês e já exporta para praças, como a australiana.

Segundo o executivo, o grupo estuda a viabilidade do produto para o mercado brasileiro, mas não confirmou qual e nem quando isso aconteceria. O que se sabe é que a picape adotaria motorização eletrificada, combinando motor diesel e módulo elétrico plug-in.

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